Resenha: Wiley – Godfather

Lançamento: 13/01/2017
Gênero: Grime
Gravadora: CTA Records
Produtores: Wiley, CJ Beats, Darq E Freaker, JLSXND7RS, Kid D, Mr Virgo, Maniac, Mucky, Morfius, NoizBoiz, Preditah, Rude Kid, Scratchy, Swifta Beater, Teddy Teeza e Zeph Ellis.

O ano de 2016 pareceu ser decisivo para o grime, um sub-gênero britânico injustamente mal interpretado. Skepta trouxe o grime para novas e imprevisíveis alturas, após a sua vitória no Mercury Prize, enquanto os lançamentos de Giggs e Kano fizeram de 2016 um excelente ano para o gênero. Qual a melhor maneira de começar 2017, se não for com o retorno de Wiley? Ele é literalmente o padrinho da música grime. Richard Cowie é um artista muito respeitado, uma vez que trabalhou muito para fazer do grime um gênero aclamado e decisivo. O homem também conhecido como Eskiboy lançou um novo álbum digno de seu tempo. A capa o apresenta no fundo de um estúdio caseiro fazendo o que ele faz de melhor. Ao obter o respeito da indústria numa idade tão precoce, Wiley sempre permaneceu leal ao gênero e seu movimento. Lançado em 13 de janeiro de 2017, “Godfather” é o seu décimo primeiro álbum de estúdio. O título, em português “padrinho”, refere-se ao apelido que lhe foi dado pela comunidade grime ao longo dos anos, devido ele ser um grande pioneiro do gênero no início dos anos 2000. Em 2004, Wiley lançou o poderoso “Treddin’ on Thin Ice”, o seu primeiro álbum de estúdio. Treze anos e dez álbuns mais tarde, sem mencionar as incontáveis mixtapes, ele afirma ter chegado ao final de sua carreira. De acordo com Wiley, “Godfather” é o seu último disco.

Ele já disse isto antes, portanto, é difícil acreditar que ele realmente vai parar por aqui. Cada um dos seus álbuns marcou um desenvolvimento e crescimento para o grime. Agora, com 37 anos, Richard Cowie não está tentando reiventar o gênero. Em vez disso, ele apenas exemplifica e refina o seu som de assinatura. Há uma grande reflexão por trás desta álbum, além de batidas reais e grande cenário eskibeat. “Godfather” consiste em staccato poderosos e batidas incrivelmente polidas. Faixas como “Back with a Banger” e “Laptop” mostram a visão de Wiley ao lado de batidas cheias de originalidade. Sem dúvida, há uma enorme sensação de autenticidade dentro deste registro. Os fluxos são afiados, singulares e repetitivos, enquanto as letras ostentam o trabalho de Wiley e sua equipe. Na segunda faixa, “Bring Them All / Holy Grime”, ele faz uma colaboração impressionante com Devlin, ao passo que mescla influências old-school com Newham Generals em “Joe Bloggs”. A faixa “U Were Always, Pt. 2”, sua colaboração com Skepta, é a canção mais downtempo do repertório. É aqui onde recebemos uma breve pausa do tom agressivo do álbum, graças aos sons de sintetizadores dos anos 80. Mas um projeto de Wiley não estaria completo sem uma parceria com Scratchy, algo observado na também old-school “Bait Face”. Este número retroativo dedica o seu tempo a um antigo som grime, cheio de cordas graves e sintetizadas.

“Back with a Banger”, por sua vez, possui uma batida energética de cordas de staccato produzidas por seu colaborador de longa data, Preditah. Enquanto isso, “Can’t Go Wrong” é uma faixa consistente com trombetas, chimbais e batidas em potencial. Não há nenhuma dúvida de que Wiley consegue trazer uma quantidade incrível de energia para cada faixa. Convidados de lado, ele também consegue chamar atenção quando está sozinho. Ele não tem medo de revisitar o seu antigo som durante a faixa de abertura, intitulada “Birds n Bars”. Esta canção contém clássicos sintetizadores de eskibeat, além de batidas potencialmente influenciadas pelo trap. Provavelmente, “Birds n Bars” é a faixa que mais destaca-se liricamente falando. Enquanto isso, uma das últimas canções, “Lucid”, fornece uma atrativa batida que cobre tudo do gênero grime. Consequentemente, o álbum termina tão energético quanto começa. À primeira vista, dezesseis músicas podem parecer muito coisa. Mas, com a perspectiva de Wiley, esta enorme quantidade consegue fazer um resumo de sua carreira. A força do registro permite que ele tenha um resultado positivo, independente se ele está aposentado ou não. Embora “Godfather” não traga novas direções para o estilo de Wiley, ele é, aparentemente, uma grande homenagem ao grime e seu movimento.

Favorite Tracks: “Birds N Bars”, “Pattern Up Properly (feat. Flowdan & Jamakabi)” e “U Were Always, Pt.2 (feat. Skepta & Belly)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.