Resenha: Wild Beasts – Boy King

Lançamento: 05/08/2016
Gênero: Art Rock, Rock Eletrônico, Synthpop
Gravadora: Domino Records
Produtor: John Congleton.

Wild Beasts é uma banda indie do Reino Unido, que já lançou quatro aclamados álbuns de estúdio. Formada por Hayden Thorpe, Ben Little, Chris Talbot e Tom Fleming, o grupo surgiu em 2002 como um duo e foi agregando novos integrantes até se converter no quarteto atual. Gravado num estúdio em Dallas, Texas, “Boy King” é o seu mais novo registro. Depois de lançarem discos sem grandes repercussões comerciais, os britânicos mostram que sempre estão dispostos a voos maiores. “Boy King” apresenta uma coleção orgânica de guitarras distorcidas, sintetizadores, vocais em falsete, influências eletrônicas, batidas borbulhantes, melodias que acenam para o Depeche Mode e duetos poderosos entre Thorpe e o baixista Tom Fleming. Thorpe, cantor, letrista e líder da banda, é uma figura complexa que mostra o quanto o pop britânico pode ser excêntrico. Sua personalidade encaixa-se surpreendentemente bem com a sonoridade do Wild Beasts. “Boy King” também é caracterizado por sua maior introspecção lírica e som mais sintetizado.

É um álbum que adiciona um novo nível de maturidade e musicalidade para o Wild Beasts. Sexo, amor e poder são assuntos proeminentes no disco. Thorpe consegue explorá-los de forma coesa e evitando certos clichês. Uma mistura intrigante de vulnerabilidade e carência lírica, cuja sonoridade é absolutamente irresistível. Há uma mudança significativa no som de uma banda que sente-se completamente a vontade consigo mesma. “Boy King” é mais orientado para o dance, com elementos funk, linhas de baixo grossas e batidas de tambor maravilhosamente bizarras. Nas primeiras faixas, os solos de guitarra fornecem alguns dos pontos mais fortes do repertório. Como um todo, o álbum faz você perceber que, mesmo com algumas mudanças, a banda não perdeu a consistência ao longo dos anos. Após abrir com o glorioso funk-rock de “Big Cat”, a banda apresenta duas músicas igualmente reflexivas e agressivas: “Tough Guy” e “Alpha Female”. A primeira é apresentada sobre poderosos tambores e uma guitarra reminiscente do duo The Write Stripes.

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“Fêmea alfa, eu estarei bem atrás de você”, Thorpe entoa em “Alpha Female”. O registro é uma esfera realmente diferenciada, tanto que a banda experimenta alguns sons diferentes. O disco-rock do primeiro single “Get My Bang”, por exemplo, exala um ar incrivelmente novo e descontraído. Liricamente, é sobre consumismo e algumas metáforas ligadas à orgias. “Celestial Creatures” é uma verdadeira droga de tão viciante que é. Uma faixa dance alimentada e energizada por sintetizadores, com uma das melodias mais memoráveis do álbum. A faixa seguinte, “2BU”, inclui uma impressionante bateria, sintetizadores escuros e uma rara aparição vocal do baixista Tom Fleming. Aproximando-se do final do disco, depois do funk de “Ponytail”, temos a hipnotizante “Eat Your Heart Out Adonis”. Além dos sintetizadores flutuantes, essa canção possui um poderoso solo de guitarra. Ainda mais impressionante é a sinceridade exibida em “Dreamliner”. Seu instrumental é incrivelmente sombrio, inicialmente composto apenas por acordes de piano.

Ademais, ela apresenta belas amostras corais e delicadas cordas. Gravado sob o olhar do famoso produtor John Congleton, “Boy King” é tão lindo quanto agressivo. Ele contém todos os elementos clássicos do Wild Beasts, desde a sexualidade na poesia quanto a sensibilidade nos comentários sociais. Há alguns sons incomuns e convincentes por aqui, bem como um apelo estranhamente atraente. É mais uma prova de que o Wild Beasts é uma das bandas mais estáveis do Reino Unido. Seu trabalho anterior tem sido, em grande parte, caracterizado por sua elegância. Cada som, incluindo os vocais, tem um brilho que mescla com a sensualidade das letras. Em “Boy King” as guitarras são apresentadas com mais freqüência do que em qualquer outro álbum desde sua estréia. É um disco construído sobre trabalhos anteriores da banda, mas girando em torno de uma nova direção sonora. Ele sente-se mais escuro e hedonista do que qualquer coisa que eles já criaram antes. Um dos lados mais intensos do “Boy King” é sedutor e atmosférico. E, mais uma vez, sexo e arte se uniram.

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Favorite Tracks: “Tough Guy”, “Alpha Female” e “Get My Bang”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.