Resenha: White Lies – Friends

Lançamento: 07/10/2016
Gênero: Indie Rock, Post-Punk Revival
Gravadora: BMG Rights Management
Produtores: Harry McVeigh, Charles Cave e Jack Lawrence-Brown.

Estreando na cena musical em 2009, com o disco “To Lose My Life”, a banda White Lies retornou com seu quarto álbum de estúdio, intitulado “Friends”. Harry McVeigh, Charles Cave e Jack Lawrence-Brown chegaram meio tarde no reavivamento pós-punk, que gerou bandas como The Killers, Kaiser Chiefs e Editors. Apesar das críticas bem mistas, seu álbum de estreia conquistou um bom público e um acordo com um rótulo. Após sua última turnê, a banda ficou temporariamente sem um selo e decidiu trabalhar sem a pressão de uma gravadora. “Friends” é praticamente um registro auto-produzido pelo White Lies. Entretanto, é um registro que não os vê saindo de sua zona de conforto. O uso de sintetizadores e grandes refrões ainda está presente, embora não contenham uma produção tão grande como foi em “Big TV” (2013).

“Friends” trata-se de um álbum cheio de sons tradicionais de synthpop que, certamente, agradou os fãs da banda, mas não causará outro grande impacto. É um LP que deixou um pouco de lado alguns dos sons cinematográficos que uma vez já foram tão associados ao White Lies. A banda sempre teve um som muito específico, ao misturar guitarras, tambores e brilhantes sintetizadores com grandes melodias. No geral, não houve uma grande mudança no seu estilo, pois “Friends” continua essa tendência. Uma das poucas diferenças desse registro para os anteriores, é que ele não tem uma grande canção. Aqui há apenas uma abordagem consistente, com cada música desenvolvendo algo de especial. As influências dos anos 80 também estão mais fortes e perceptíveis. O problema para muitas bandas já estabelecidas é manter-se fresca e interessante, uma vez que já encontraram seu som de assinatura.

Tendo se posicionado como um ato de pós-punk revival com letras dramáticas, cordas sintetizadas e fortes basslines em seus dois primeiros discos, “To Lose My Life” (2009) e “Ritual” (2011), seu novo álbum, “Friends”, corta um pouco desses laços com um som pop dos anos 80 e letras mais íntimas. O álbum começa forte com “Take It Out On Me”, uma faixa de ritmo rápido, com um bom sulco e refrão cintilante. Ela possui uma altura narcótica da qual o álbum nunca consegue atingir novamente em suas outras nove faixas. Aqui, White Lies pega seus grandiosos sintetizadores e os combina com os vocais crescentes de Harry McVeigh. A segunda faixa do álbum, “Morning in LA”, surge através de uma otimista batida, graças ao baterista Jack Lawrence-Brown. Essa canção ostenta boas melodias que nos levam, em seguida, para a faixa “Hold Back Your Love”.

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Uma expansiva pista que culmina num deslumbrante som inspirado nos anos 80. Poucas bandas fazem um cruzamento tão bom entre guitarras e sintetizadores como o White Lies. Os teclados que acompanham os ansioso vocais de McVeigh são estranhamente justapostos, mas de alguma forma funcionam. Assim como “Hold Back Your Love”, a faixa “Is My Love Enough?” é construída sobre camadas pulsantes de sintetizadores, melodias digitalizadas, linhas de baixo disco e letras sinceras. No álbum há algumas baladas aqui e ali, tal como “Don’t Want to Feel It All”. Uma canção que diminui o ritmo e humor do repertório, e apresenta algum romantismo enraizado na sua letra. Um destaque do álbum é a faixa “Summer Didn’t Change a Thing”, graças à força de suas peças.

Esta canção tem um refrão que lembra seus discos mais antigos e riffs de guitarra mais pesados, que misturam-se perfeitamente com uma série de sintetizadores clássicos dos anos 80. “Summer Didn’t Change a Thing” é tão White Lies, que você se pergunta do porquê eles não repetirem ou melhorarem suas fórmulas baseados nela. Uma abordagem eletrotécnica entra em cena durante “Swing”. Uma faixa minimalista, construída a partir de uma linha de baixo simples e batida familiar. Igualmente a “Swing”, “Come One” vê a banda explorando uma ampla gama de profundidades e experimentando novas estruturas. Antes da faixa de encerramento, intitulada “Don’t Fall”, ainda temos “Right Place”, uma lenta balada de crescimento gradual que faz excepcional uso de espaço, linhas de baixo e percussão.

No final dos seus 50 minutos de execução, “Friends” não é um álbum ruim, mas com seu lirismo comum e padrão sonoro familiar, não é mais do que um álbum agradável. Inevitavelmente, há canções de enchimento e, em alguns aspectos, uma falta de diversidade entre elas, uma vez que seu som é extremamente familiar. As músicas misturam-se uma nas outras e tudo começa a ficar rapidamente arrastado. Os poderosos vocais de Harry McVeigh, a forte produção de Charles Cave, percussão eloquente de Jack Lawrence-Brown, os grandes refrões e os sintetizadores espectrais, estão fortemente presentes aqui. Entretanto, não são características suficientes para classificar “Friends” como um álbum notável. Porque é um material mais do mesmo do White Lies, simplesmente por isso. Mas, apesar de todas as falhas, devo elogiá-los por criarem outro álbum genuinamente cativante.

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Favorite Tracks: “Take It Out on Me”, “Morning in LA” e “Summer Didn’t Change a Thing”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.