Resenha: Weezer – Pacific Daydream

Lançamento: 27/10/2017
Gênero: Pop Rock, Rock Alternativo
Gravadora: Atlantic Records / Crush Management
Produtores: Butch Walker, Jonny Coffer, J.R. Rotem e Toby Gad.

De vez em quando, eu me encontro escutando, ocasionalmente, os álbuns “The Blue Album” (1994) e “Pinkerton” (1996) do Weezer. Duas obras-primas enraizadas no começo da carreira da banda liderada por Rivers Cuomo. Desde então, Weezer fincou o seu lugar no rock com hits como “Buddy Holly”, “Say It Ain’t So” e “Beverly Hills”. Entretanto, assim como eu, você deve saber que a banda já lançou algumas músicas e discos terríveis. Lançado em 27 de outubro de 2017, o novo álbum do grupo, intitulado “Pacific Daydream”, pode entrar nessa cota de “terrível”. O décimo primeiro álbum de estúdio da banda possui 34 minutos de duração e uma verdadeira falta de honestidade e originalidade. A mensagem do álbum é clara e direta, mas ele é preenchido por músicas pop aborrecidas que não possuem qualquer autenticidade. Infelizmente, os nativos de Los Angeles tentaram trazer algo que eles já fizeram no passado, porém, de uma forma muito genérica. Para um grupo que tem estado juntos desde o início dos anos 90, é desanimador saber que a falta de originalidade está presente em praticamente todas as dez faixas do repertório. Descrito pela banda como “um registro que navega na incerteza entre realidade e sonhos”, o álbum é fortemente influenciado pelos Beach Boys. Supostamente chamado de “The Black Album”, o álbum foi criado pelo vocalista Rivers Cuomo depois de concluir a turnê de 2016 com o Panic! At the Disco. De acordo com uma entrevista dada ao The Los Angeles Times, Cuomo pretendia escrever músicas para o “The Black Album”.

Entretanto, acabou criando canções que não se ajustavam ao molde do mesmo e optou por chamá-lo de “Pacific Daydream”. Rivers Cuomo sabe o quanto os Beach Boys os influenciou. Porém, diferente do que Brian Wilson fez no disco “Pet Sounds” (1966), Weezer não inovou, apenas reciclou algumas músicas do seu passado. Infelizmente, a maneira como a banda fez tudo isso foi muito boring e desanimadora. “Pacific Daydream” é pobre, simples e cheio de falhas técnicas. Como todas as canções são sobre mulheres, é difícil descobrir qual delas é direcionada para a esposa de Rivers Cuomo. “Mexican Fender”, por exemplo, possui uma configuração irritante, riffs bem ásperos e fala sobre uma garota formada em física que gosta de cantar. A próxima faixa, intitulada “Beach Boys”, aparentemente é direcionada aos The Beach Boys, mesmo que não haja menções específicas a Brian Wilson e companhia. A harmonia em quatro partes e o ritmo melódico da guitarra parecem uma homenagem para eles, apesar de ser sonoramente chata e preguiçosa. O primeiro single, “Feels Like Summer”, é um número pop-rock e eletropop muito radio-friendly. A melhor maneira de descrever essa faixa é como uma mistura de Twenty One Pilots e Imagine Dragons. A combinação de elementos pop, teclas saltitantes e a abordagem punk é, provavelmente, a coisa mais cativante que você vai encontrar por aqui. Em “Happy Hour”, a banda tentou refinar e revigorar o seu som, fazendo alusões a ritmos de R&B e trabalhando em cima de lisas melodias. Uma balada pop-rock com suporte do piano, guitarra e tambores, onde Rivers Cuoumo aborda a solidão.

“Weekend Woman” é polvilhada com letras um pouco bregas (“Nós nos apaixonamos por um domingo / Na manhã de segunda-feira eu me afastei”) e diminui ligeiramente o ritmo do álbum. Aqui, Cuomo tentou adicionar um pouco de amor ao álbum: “Simplesmente não consigo voltar lá / Estou ficando preso no trânsito durante a semana / Tudo o que quero é vê-la / Tudo o que quero é alcançar minha mulher de final de semana”. Infelizmente, é uma faixa repetitiva e, sonoramente, deixa muito a desejar. Na sexta faixa, “QB Blitz”, o provável ponto mais baixo de todo o projeto, Cuomo canta literalmente sobre matemática. Aqui, a guitarra possui um senso de nostalgia, mas as letras não conseguem convencer. “Get Right” e “La Mancha Screwjob” são duas faixas esquecíveis e difíceis de diferenciar do restante do repertório. Mas, considerando as circunstâncias, “Any Friend of Diane’s” não proporciona um final terrível para o álbum. Uma conclusão menos banal com um apropriado jogo de palavras. É normal que as bandas queiram correr riscos, especialmente quando se têm tanto tempo de carreira. No entanto, Weezer não foi feliz nessa decisão. “Pacific Daydream” é um dos piores discos da banda, uma vez que é formado por canções tão aborrecidas, inofensivas e redundantes. Rivers Cuomo e companhia são muito imprevisíveis, portanto, é difícil imaginar qual será o próximo passo deles. Eu só espero que a banda comece a valorizar mais a qualidade em vez da quantidade.

Favorite Tracks: “Feels Like Summer”, “Happy Hour” e “Sweet Mary”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.