Resenha: Weezer – Everything Will Be Alright In the End

Lançamento: 07/10/2014
Gênero: Rock Alternativo
Gravadora: Republic Records
Produtores: Ric Ocasek.

A banda americana Weezer foi formado em Los Angeles, em 1992, e consiste em Rivers Cuomo (vocal, guitarra), Patrick Wilson (bateria), Brian Bell (guitarra, teclado) e Scott Shriner (baixo, vocal de apoio). Esse é o atual line-up, que já chegou a mudar três vezes desde sua formação há duas décadas. Depois de assinar com a Geffen Records em 1993, Weezer lançou o seu auto-intitulado álbum de estreia, também conhecido como “The Blue Album”, em 1994. O disco foi apoio por alguns singles de sucesso como “Buddy Holly”, “Undone – The Sweater Song” e “Say It Ain’t So”. Chegou a receber muitas críticas positivas e certificado de platina tripla, pelas 3,3 milhões de cópias vendidas nos Estados Unidos. O seu segundo álbum, “Pinkerton” (1996), com uma sonoridade mais escura, no entanto, foi um fracasso comercial. Entretanto, com o passar do tempo atingiu um bom status e aclamação perante a crítica especializada.

Após a saída do baixista Matt Sharp, Weezer entrou em um hiato de cinco anos, voltando somente em 2001, com o baixista Mikey Welsh e o lançamento de outro disco auto-intitulado, também conhecido como “The Green Album”. Promovido pelos singles “Hash Pipe” e “Island in the Sun”, fez um maior sucesso comercial e recebeu críticas em sua maioria positivas. Logo em seguida, Welsh deixou a banda e foi substituído pelo atual baixista Scott Shriner. “Maladroit”, quarto álbum da banda, foi lançado em maio de 2002 e, apesar das críticas positivas, não encontrou o mesmo sucesso do disco anterior. Terminou com vendas de pouco mais de 600 mil cópias nos Estados Unidos. Em maio de 2005 o Weezer lançou o álbum “Make Believe” e apesar das críticas razoáveis, o seu single “Beverly Hills” tornou-se a primeira música da banda a atingir o topo da parada Modern Rock Tracks e o top 10 da Billboard Hot 100.

Em junho de 2008, a banda lançou o seu terceiro auto-intitulado álbum, também conhecido como “The Red Album”. Algumas mudanças ocorreram e a banda apresentou uso da TR-808s, sintetizadores, rap sulista e contraponto barroco com este trabalho. Seu single “Pork & Beans” foi apoiado por um bem sucedido videoclipe e ainda tornou-se sua terceira canção a alcançar o topo da parada Modern Rock Tracks dos Estados Unidos. O sétimo álbum do Weezer foi o “Raditude” de 2009 e o oitavo foi “Hurley” de 2010. Com uma produção pop moderna e canções co-escritas com outros artistas, ambos discos receberam reviews mistas e vendas muito abaixo do esperado. Eis que em outubro de 2014 o Weezer lançou o seu nono álbum de estúdio, chamado “Everything Will Be Alright in the End”. É o primeiro trabalho da banda a ser lançado pela Republic Records e o terceiro produzido por Ric Ocasek, que já produziu “Blue Album” (1994) e “Green Album” (2001).

Weezer

“Everything Will Be Alright in the End” se afasta da produção pop e eletrônica dos dois últimos álbuns da banda e retorna a um som que lembra mais os seus primeiros álbuns. As letras, em sua maioria, lidam com o relacionamento do vocalista Rivers Cuomo com suas figuras paternas, fãs e mulheres. Em sua semana de lançamento vendeu 34 mil cópias nos Estados Unidos e atingiu o número #5 da parada Billboard 200. “Ain’t Got Nobody” já abre o repertório com uma alta energia e um som crepitante, criado através de riffs monstruosos. É um som denso, com guitarras glamourosas e que traz pontos fortes da carreira da banda. Sua letra, com ganchos melodiosos, temos uma pitada de humor com versos como: “Não tenho ninguém / Não tenho ninguém para beijar e abraçar-me”. É uma abertura forte e, sem dúvida, uma das canções que mais chamam atenção neste disco.

A segunda faixa é o primeiro single “Back to the Shack”, que me conquistou logo na primeira escuta. “Desculpe pessoal eu não sabia que eu precisava tanto de vocês”, Cuomo admite logo no primeiro verso da música. Ela foi escrita em resposta aos últimos álbuns da banda, com o vocalista Rivers Cuomo querendo voltar às raízes do Weezer. “Leve-me de volta, de volta ao barraco / Voltar para a guitarra com a alça de relâmpago / Chute na porta, mais hardcore / Agitando como se fosse 1994”, ele canta no refrão. Sua composição tem uma raia meio sarcástica paralelamente com momentos confessionais e sinceros. Instrumentalmente é, imagino que de propósito, bem semelhante ao seu segundo álbum de estúdio, “Pinkerton”. Seus riffs e solos de guitarra também são simples, porém, pesados e agradáveis. “Eulogy for a Rock Band” é um ode mais sombrio sobre um ex-sucesso, que poderia até ser auto-referencial. Nele, Rivers Cuomo canta sobre uma banda que fez “uma boa corrida / quinze anos de governar o planeta / mas agora sua luz está desaparecendo”.

Ele disse em entrevistas que é sobre uma das influências do Weezer, mas se recusou a nomear quem. Independente de sua inspiração, é uma música incrível, com guitarras duplas, um forte refrão e uma incrível explosão de vocais em falsete na ponte. Embora “Lonely Girl” não tenha sido lançada como single, foi a quarta canção do álbum a ser disponibilizada ao público. Uma música de amor up-tempo, enganosamente simples, com uma sonoridade que também lembra o disco “Pinkerton”. As harmonias vocais do guitarrista Brian Bell ficaram ótimas, enquanto no geral, é um bom exemplo do power-pop que a banda faz tão bem. “Não quero me encontrar homogeneizado / Não quer se tornar a mesma coisa que eu desprezava”, Cuomo canta em “I’ve Had It Up To Here”, que foi escrita juntamente com Justin Hawkins da banda The Darkness. Essa é outra cativante música, que ainda traz um ótimo solo e elementos de soft-rock em sua composição.

“The British Are Coming” é uma faixa muito gostosa de se escutar, com harmonias vocais incríveis e um solo espetacular. Particularmente, achei essa música um dos destaques do registro, ainda mais por Cuomo estar emocionalmente revestido em sua interpretação. É também a coisa mais próxima que temos do disco “Hurley” e “The Red Album” aqui, com uma história meio inexplicável e cheia de referências. Se há alguma metáfora em sua letra, certamente teria uma maneira mais eficaz de explicá-la ou transmitir sua mensagem. “Da Vinci”, lançada como terceiro single em 2015, é estruturalmente, um pouco parecida com o hit “Pork & Beans”, mas seu tom é completamente diferente. Considerando que é uma canção sobre fazer o que quiser, não imporando as consequências, “Da Vinci” parece ser direcionada a uma linda mulher. Suas letras são diretas, tornando-a em uma faixa com apelo potencialmente universal.

Weezer

O seu arranjo é uma das maiores atrações, um assobio habilmente colocado em cima de uma linha de teclado e baixo. O seu refrão também não fica para trás, pois é incrivelmente explosivo e viciante. “Go Away”, um dueto co-escrito e gravado com Bethany Cosentino, do duo Best Coast, é uma música mais simples, brincalhona e dentro da zona de conforto. O refrão é até contagiante, tem algumas doces harmonias e a presença de Cosentino foi complementar, no entanto, ela transmite uma sensação um tanto quanto genérica. No segundo single, “Cleopatra”, encontramos o narrador se libertando de um romance. Musicalmente, essa faixa é uma agradável surpresa, visto que possui gaita e influência do country e da música folk. Em primeira audição é uma canção um pouco enervante, mas com o passar do tempo e após mais algumas escutas, consegue cativar. Especialmente, por causa do solo de guitarra particularmente venenoso e estridente, que Rivers Cuomo desenrola.

“Foolish Father” é outro destaque do registro e talvez um bom aceno para a reconciliação de Cuomo com seu próprio pai. Problemas com pais é um tema que já foi bem explorado durante a carreira do Weezer, mas “Foolish Father” mostra como conseguir um sentimento de paz através do perdão (“Perdoe seu pai tolo / Ele fez o melhor que ele poderia fazer”). Sonoramente, é uma música muito poderosa e redentora, com uma boa estrutura e um refrão viciante e vintage sem ser clichê. O seu final também consegue um bom clímax, com eles repetindo algumas vezes o título do álbum (“Tudo vai ficar bem no final”). Para encerrar, a banda colocou três músicas no final, que formam uma trilogia denominada “The Futurescope Trilogy”, com as faixas “The Waste Land”, “Anonymous” e “Return to Ithaka”. É um belo conjunto de faixas carregadas com incríveis guitarras e em grande parte instrumental (somente “Anonymous” possui letras). “Everything Will Be Alright In the End” é antes de tudo um material preocupado em ganhar o olhar dos seus fãs mais fiéis e também um belo retorno as raízes do Weezer.

No geral, Rivers Cuomo conseguiu oferecer performances vocais bem admiráveis. O frontman do Weezer parece estar tornando-se um pouco mais sério desta vez, enquanto sua voz contrastou bem ao longo dos acordes de guitarra e dos tons do baixo. As porções de falsete que ele ofereceu durante o disco fez ele parecer um vocalista ainda melhor. Enquanto a banda nunca teve grandes letras, eles instrumentalmente sempre foram muito mais talentosos e hábeis. E aqui nesse trabalho não foi diferente, pois ele é recheado de excelentes solos de guitarras e uma fantástica paisagem musical. E é isso que torna esta banda tão cativante para muitos. “Everything Will Be Alright In the End” é realmente um álbum fortemente trabalho durante toda sua execução, meticulosamente montado e criado a partir de um período onde estavam com uma percebida falta de direção. Pode não ser o melhor álbum do Weezer, mas definitivamente foi o álbum perfeito para o momento que estavam vivendo.

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Favorite Tracks: “Ain’t Got Nobody”, “Back to the Shack”, “Eulogy For a Rock Band”, “The British Are Coming”, “Da Vinci” e “Foolish Father”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.