Resenha: Walk the Moon – What If Nothing

Lançamento: 10/11/2017
Gênero: Indie Rock, Pop, Dance-Rock, New Wave
Gravadora: RCA Records
Produtores: Mike Crossey, Mike Elizondo e Captain Cuts.

Após o sucesso da onipresente “Shut Up and Dance”, Nick Petricca e companhia resolveram lançar um novo álbum em 2017. Intitulado “What If Nothing”, o disco foi divulgado no mesmo dia que o “reputation” de Taylor Swift e a parceria entre Eminem e Beyoncé. Walk the Moon é um grupo de new-wave com um som inspirado nos anos 80, alternando entre a produção de Mike Crossey e Mike Elizondo. Entretanto, em “What If Nothing”, a produção peculiar de Crossey e Elizondo carece de energia e inovação. É um material que soa como qualquer coisa que você ouviria de uma banda de pop-rock da atualidade. Infelizmente, o grupo não conseguiu criar nada além de canções saturadas e carentes de inventividade. Um dos poucos momentos onde Walk the Moon consegue injetar algum vigor é na primeira canção, “Press Restart”. Ela possui um som atmosférico misturado com uma boa instrumentação, abordagem minimalista, sintetizadores sonhadores e produção modernista.

Apesar das letras horríveis da faixa “Headphones” (“Eu posso te dar uma surra com um bom par de fones de ouvido”), Elizondo conseguiu trazer alguma energia para o álbum. Mas, se você estava esperando eles recriarem a magia de “Shut Up and Dance”, pode ter se decepcionado. Embora possua algum esforço por trás de algumas músicas, nenhuma delas soa diferente de qualquer single das bandas Imagine Dragons ou The 1975. “Kamikaze”, por exemplo, é fincada numa zona de conforto que me lembrou o álbum “Night Visions” (2012). O refrão exagerado e o conjunto de instrumentos torna tudo ainda mais bagunçado e irritante. Mas, provavelmente, a pior faixa do álbum é “Sounds of Awakening”, onde Petricca utilizou um efeito auto-ajustado que lembra o Phil Collins. Uma canção com mais de 6 minutos de duração, encharcada pelo forte uso do vocoder, padrão de bateria e som estagnado.

De qualquer maneira, há momentos onde Walk the Moon consegue apresentar algum potencial, como no single “One Foot”, que é a coisa mais radiofônica do registro, na cativante “All Night” e na linda “Feels Good to Be High”, onde a banda pega emprestada algumas das antigas tendências de Duran Duran. Por fim, uma guitarra hipnótica, adornos de sintetizadores e linha de baixo funky florescem num ritmo agitado durante a canção “Can’t Sleep (Wolves)”. Enquanto há algumas boas faixas por aqui, a maior parte do repertório não consegue ser bem-sucedido. “What If Nothing” possui uma sensação lírica muito mais contemplativa do que seus discos anteriores, porém, as letras também transmitem uma sensação emocional vazia. Parece que a banda está lutando para encontrar um som coeso, mas acaba experimentando um pouco de tudo. Este registro diz adeus às melodias pop emocionantes de músicas como “Shut Up and Dance” e coloca mais ênfase em bandas contemporâneas. Em suma, com este álbum, Walk the Moon nos dá a impressão de que precisa urgentemente de inovação, originalidade e singularidade.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.