Resenha: Wale – Shine

Lançamento: 28/04/2017
Gênero: Hip-Hop
Gravadora: Maybach Music Group / Atlantic Records / Every Blue Moon
Produtores: Wale, 808-Ray, Big Ghost, Ced Brown, Christian Rich, Cool & Dre, David Kutch, Diplo, DJ Money, DJ Spinz, Don Cannon, Dreamlife, Go Grizzly, Jake One, Kane Beatz, Majestic Drama, Lee Major, Marcè Reazon, Mark Henry, Nez & Rio, The Picard Brothers, Sean Momberger, Super Miles, Spinz Beats, Inc., The Dope Boyz e Vinay.

“Shine”, uma abreviatura de “Still Here Ignoring Negative Energy”, é o título do quinto álbum de estúdio do rapper Wale. Foi lançado em 28 de abril de 2017, pela Maybach Music Group, Atlantic Records e Every Blue Moon. Até o momento, o registro foi apoiado por seis singles oficiais: “My PYT”, “One Reason (Flex)”, “Groundhog Day”, “Running Back”, “Fashion Week” e “Fish N Grits”, respectivamente. Provavelmente, a primeira palavra que vem à mente depois de escutar esse álbum é “divertido”. De letristas como Wale, geralmente, esperamos músicas mais pensativas. No entanto, “Shine” não oferece isso ao público. Ele poderia ter usado esse trabalho para confrontar seus haters, mas ele preferiu ignorar isso e fazer uma música divertida para os seus fãs. Portanto, pode ser descrito como um álbum que visa cercar seus ouvintes com positividade. Os singles provaram que Wale perdeu o seu estilo emocional e auto-reflexivo, em favor de algo mais sensitivo e divertido. O que inicialmente atraiu a atenção para Wale foram os seus fluxos originais e letras pensativas. Desde o seu pico em 2011, com o “Ambition”, a força de Wale diminiu na comunidade do hip-hop. Nos discos “Attention Deficit” (2009) e “Ambition” (2011) ele tinha a ambição de residir ao lado dos grandes dessa geração.

Ambos álbuns são destaques em sua discografia devido à rica instrumentação e lirismo pensativo. Porém, seus álbuns seguintes, “The Gifted” (2013) e “The Album About Nothing” (2015), apesar de serem sólidos e seguirem por um modelo semelhante, não conseguiram a mesma progressão artística. O principal problema com “Shine” é o quase total abandono de Wale perante suas raízes iniciais. Rimas intrincadas e um jogo de palavras espirituoso costumavam ser sua especialidade. No “Shine”, no entanto, isso praticamente não existe. O lançamento desse álbum foi precedido por um drástica redução no uso de suas redes sociais, uma mudança de ambiente, reconexão com suas raízes nigerianas e o nascimento de sua filha no ano passado. Provavelmente, foram esses eventos que criaram a sensação de festa e diversão do seu quinto álbum. Não há um tema lírico central que une o disco num conjunto, é tudo sobre vibrações positivas. Ademais, o álbum apresenta grandes nomes como Lil Wayne, Major Lazer, Travi$ Scott e Chris Brown. “Thank God” abre o disco de forma comemorativa, embalada por acordes crepitantes e tambores subjugados. O trap “Running Back” tem a presença de Lil Wayne, que faz o melhor trabalho da faixa. Ele adiciona muito valor e uma pitada de humor à música.

Em seguida, “My Love” injeta elementos EDM e cordas tropicais no repertório, ao lado de Major Lazer, Wizkid e Dua Lipa. Wale surge com versos melódicos, antes de ceder o controle da música para os artistas de destaque. A batida é definitivamente grande, enquanto o refrão infeccioso é interpretado pela britânica Dua Lipa. A rápida e percussiva “Fashion Week” contém a participação de G-Eazy, enquanto “Colombia Heights (Te Llamo)” tem a presença de J Balvin. Wale certamente mostrou mais de suas habilidades e versatilidade nessa última, pois ele também rima em espanhol. Na oitava faixa, “Mathematics”, o rapper fala sobre sua gravadora e todas as pessoas que perdeu ao longo de sua vida. Aparentemente, essa música significa muito para ele por causa da forma que ele trabalha a letra. Em seguida, “Fish N Grits” entra no território de vida do seu convidado, o rapper Travi$ Scott. Enquanto isso, “Fine Girl” abraça uma vibração reggaeton e algumas influências de afrobeat. Sua estética afro-caribenha é complementada por um verso tipicamente grosseiro de Davido e uma ponte interpretada pelo nigeriano Olamide. Mais tarde, Wale tenta mostrar algum lado sensível em faixas como “Heaven on Earth” e “My PYT”.

A primeira, em particular, é bastante suave, apresenta Chris Brown e foi produzida por Super Miles. Wale vai ainda mais profundo em “DNA”, pois fala sobre sexo sem rodeios. Ele utiliza metáforas e outras linguagens figurativas para passar sua mensagem. Essa é, talvez, a faixa mais distinta do repertório, visto que faz uma mistura diferente de R&B e hip-hop. Na última faixa, “Smile”, o rapper optou por falar sobre racismo e a injustiça social dos Estados Unidos. O rapper Phil Adé também fornece um verso, com uma linha particularmente doce e agradável. Como último aceno para a positividade do “Shine”, Wale também colocou sua filha na canção. Zyla Moon é responsável pela nova perspectiva do rapper. “Shine” é Wale no seu momento mais acessível. Porém, é aí que está a sua maior perda. Infelizmente, há pouca profundidade nas letras. Wale está simplesmente contente por lançar mais um álbum. Ele é um rapper talentoso, uma vez que já provou isso a todos. Entretanto, tanto “Shine” quanto os seus dois últimos discos não conseguem exemplificar suas melhores habilidades como artista. Este álbum parece uma tentativa sem inspiração de animar os ouvintes. Porém, para infelicidade do rapper, provavelmente poucas pessoas ficaram com vontade de colocar este álbum em alta rotação.

Favorite Tracks: “Colombia Heights (Te Llamo) [feat. J Balvin]”, “Mathematics” e “MY PYT”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.