Resenha: Volbeat – Seal the Deal & Let’s Boogie

Lançamento: 03/06/2016
Gênero: Heavy Metal, Groove Metal, Rockabilly
Gravadora: Republic Records
Produtores: Jacob Hansen, Michael Poulsen e Rob Caggiano.

Volbeat é uma banda que sempre despertou a curiosidade dos amantes de heavy metal. Formada há quinze anos, em Copenhague, o quarteto dinamarquês construiu um nome parai si através de suas distintas produções. Atualmente composta por Michael Poulsen, Jon Larsen, Rob Caggiano e Kaspar Boye Larsen, a banda costuama desempenhar um fusão de rock and roll com heavy metal e rockabilly. Eles são inspirados por artistas clássicos do rock and roll, como Elvis Presley e Johnny Cash. Além disso, também são influenciados pelo hard rock, thrash metal, rock alternativo e hardcore. Desde 2005, a banda vêm gradualmente esculpindo seu próprio lugar dentro do cenário rock. “Seal the Deal & Let’s Boogie”, seu sexto álbum de estúdio, foi lançado em 03 de junho de 2016.

É o primeiro trabalho da banda que não conta com a presença de Anders Kjølholm, baixista que saiu em novembro de 2015. Volbeat tem uma identidade única na indústria, por causa da estrutura e estilo de suas músicas. Por isso é, muitas vezes, difícil compará-los com outras bandas. No “Seal the Deal & Let’s Boogie” o grupo não mudou o seu som significativamente, mesmo depois de cinco discos lançados. Ele é muito parecido com o seu antecessor, “Outlaw Gentlemen & Shady Ladies” (2013), apesar de ser mais controlado e comercial. Aqui, temos um total de 13 faixas e quem abre o repertório é o primeiro single “The Devil’s Bleeding Crown”. Essa canção começa o álbum com uma guitarra poderosa que, rapidamente, é acompanhado por um bumbo.

Outros instrumentos são inseridos e Michael Poulsen rosna de forma dramática, ao longo do riff crocante. Essa fórmula já é muito conhecida por seus fãs e, embora seja radio-friendly, é algo que funciona para a banda. A sua construção é constante e tem uma ótima vibe. A voz de Poulsen soa brilhante ao lado dos riffs de guitarra e do forte ritmo. O acúmulo para o solo durante a ponte acontece antes dos dois minutos, enquanto Rob Caggiano pesa a mão na guitarra. “The Devil’s Bleeding Crown” é um bom exemplo do que podemos esperar da primeira metade do “Seal The Deal & Let’s Boogie”. A segunda faixa, “Marie Laveau”, abre com uma guitarra acelerada e letras familiares para o grupo. Um chimbal ajuda a criar uma maior tensão na introdução, antes da banda mergulhar na batida e guitarra elétrica.

Volbeat

Enquanto isso, “The Bliss” sente-se reminiscente de trabalhos antigos e, até um certo ponto, semelhante a “Lola Montez” (single do disco “Outlaw Gentlemen & Shady Ladies”). Ela é guiada por guitarras elétricas e rufares de uma constante batida de Jon Larsen. Para adicionar uma maior variedade, eles optaram pela inclusão de um banjo e violão. Aqui, Poulsen é acompanhado por Caggiano, a fim de criar uma ótima harmonia antes da ponte assumir um tom totalmente diferente. Volbeat também possui um lado mais melódico, consequentemente, eles demonstram isso na faixa “The Gates of Babylon”. Ela começa com uma guitarra elétrica e uma melodia de estilo oriental, á medida que sinistros tambores vão surgindo.

O refrão desta canção é um dos mais poderosos que a banda já gravou. Ele é quase inteiramente marcado por potentes coros e alguns solos melódicos ao fundo. A próxima faixa, “Let It Burn”, abre com suaves guitarras, antes de uma simples batida aparecerem. Ao lado da guitarra, a percussão consegue criar uma sensação estranhamente alegre. Em seguida, Danko Jones contribui positivamente para a canção “Black Rose”. Os riffs desta faixa são executados em alta rotação, algo que dá o tom definitivo para ela. Danko Jones, os vocais de Poulsen, tambores e as excelentes guitarras são incrivelmente explosivos. O ritmo frenético é mantido principalmente pelo trabalho concomitante de ambos artistas. “Black Rose” é, possivelmente, uma das canções mais cativantes que eu já ouvi do Volbeat.

A partir deste ponto, você começa a ficar animado com a possível nova direção que o álbum vai tomar. Outra novidade para a banda é a inclusão não de um, mas de dois covers no álbum. O primeiro deles, “Rebound”, foi originalmente interpretada pela banda de punk-rock Teenage Bottlerocket. Ele serve como um tributo ao seu antigo baterista, Brandon Carlisle, que morreu em 2015. Esse cover de “Rebound” mostra um lado mais leve e totalmente diferente do Volbeat. O segundo cover é de “Battleship Chains” da banda de southern-rock The Georgia Satellites. É um bom número para cantarolar junto e, mais uma vez, algo diferente do que os fãs estão acostumados a ouvir do Volbeat. Liricamente, “Seal the Deal & Let’s Boogie” toma uma direção diferente dos discos anteriores do grupo.

Volbeat

Eles abandonaram certos temas, em favor de elementos mais sobrenaturais, como voodoo, espíritos e o diabo. Porém, o mais surpreendente foi intitular uma canção com o nome de uma vítima do Jack, o Estripador: “Mary Jane Kelly”. Uma batida relaxada nos introduz essa canção, que ainda caracteriza um poderoso trabalho de guitarra na ponte. Com mais ênfase em melódicos vocais e na guitarra acústica e elétrica, temos a faixa “Goodbye Forever”. Os excelentes tambores de Larsen ajudam na composição, à medida que o ótimo refrão e belos backing vocals surgem. A faixa-título, “Seal the Deal”, foi co-escrita por Michael Poulsen ao lado do Jon Larsen. Ela funciona à base de uma guitarra rasgante e rápidos tambores. Aqui, Poulsen rosna dramaticamente ao redor de poderosos riffs e uma constante batida.

Rob Caggiano, ex-membro do Anthrax, está no seu melhor durante faixas como “You Will Know”. Ele tem uma presença predominante nesta canção, conforme dá uma nova vida para o som da banda. Vocalmente, Michael Poulsen tece em torno dos seus licks ligeiramente crocantes. Repentinamente, ele opta por mostrar o lado mais inferior do seu alcance vocal. “The Loa’s Crossroad”, última faixa do álbum, apresenta uma batida mais robusta sob as potentes guitarras. Dessa vez, os vocais de Poulsen estão mais tensos e colocados em diferentes ângulos. Os instrumentos misturam-se a fim de construir uma faixa bem pesada, e concluem a canção de forma inesperada.

Volbeat é uma banda única e talentosa no cenário heavy metal de hoje. Com esse álbum, o quarteto manteve o mesmo ritmo e vibração apresentados nos últimos anos. Um ano longe acabou beneficiando-os, pois uma nova energia em torno de suas canções surgiu. Em vez de reinventar completamente o seu som, Volbeat optou por refina-lo um pouco mais. Durante as 13 faixas, temos brilhantes tons na guitarra, refrões mais fortes do que nunca e uma produção digna de estar presente em seu catálogo. Eles podem ter decidido focar em uma composição mais orientado para o mainstream, entretanto, não há nada de potencialmente errado com esse álbum. No geral, “Seal the Deal & Let’s Boogie” irá satisfazer os fãs de longa data da banda, embora não seja o melhor material de sua discografia.

75

Favorite Tracks: “The Devil’s Bleeding Crown”, “Marie Laveau”, “The Bliss”, “Let It Burn” e “Mary Jane Kelly”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.