Resenha: Vince Staples – Big Fish Theory

Lançamento: 23/06/2017
Gênero: Hip-Hop, Eletrônica, Avant-Garde
Gravadora: ARTium Recordings / Blacksmith Records / Def Jam Recordings
Produtores: Corey “Blacksmith” Smyth, Christian Rich, Flume, GTA, Jimmy Edgar, Justin Vernon, Ray Brady, Sophie e Zack Sekoff.

O álbum de estreia de Vincent Jamal Staples, “Summertime ’06”, foi lançado em junho de 2015 para aclamação da crítica. Um disco cativante e consciente que deixou os fãs muito satisfeitos, mas com fome de um novo álbum. Consequentemente, exatamente dois anos depois, o rapper californiano lançou um segundo projeto, chamado “Big Fish Theory”. Este álbum é uma viagem experimental que apresenta uma produção de inspiração EDM e contribuições de Kendrick Lamar, Juicy J, Kilo Kish, Ty Dolla $ign, Damon Albarn, Ray J e A$AP Rocky. Sua entrega vocal, produção, conteúdo lírico e experimentalismo são impressionantes, além do álbum ser bastante coeso. Ao longo do “Big Fish Theory”, Vince Staples garante que suas rimas permaneçam concentradas. Embora seja fortemente influenciado pela música eletrônica, não deixa de ser um poderoso disco de hip-hop. A grande ideia por trás do álbum é que uma pessoa pode alcançar um grande sucesso, caso consiga superar os seus próprios limites. “Big Fish Theory” é mais leve do que o seu antecessor, no entanto, Staples o carrega com mais significado. É um projeto que coloca o lirismo espirituoso e emocional de Staples em exibição completa. Embora seja extraída de uma fonte familiar, a nova paleta sonora do rapper é inteiramente original. As músicas exploram o hip-hop, rap, EDM, house e outros gêneros. Mas, felizmente, tudo é feito com uma qualidade incrivelmente genuína. As faixas de abertura, “Crabs in a Bucket” e “Big Fish”, envolvem os ouvintes através de sua atmosfera lúdica e poderosa.

Em “Crabs in a Bucket”, Staples refere-se a uma metáfora da qual alguns caranguejos num balde terão que lutar um contra os outros para poderem escapar. A metáfora tenta captar uma parte da natureza humana sobre batidas futuristas e ameaçadoras, produzidas por Zack Sekoff e Justin Vernon. “Big Fish”, por sua vez, é uma das músicas mais acessíveis e socialmente conscientes do rapper. Enquanto Vince Staples fornece seu fluxo reconhecível, o refrão apresenta Juicy J. A entrega de Staples nessa música adiciona um grande poder às batidas. Mas, além das batidas impressionantes, a produção também é muito grande. Para este single, Staples recrutou o produtor Christian Rich, enquanto os irmãos Taiwo e Kehinde Hassan participaram da escrita. Esta faixa representa a transformação de Vince Staples, que nasceu pobre, mas hoje é um dos maiores rappers da atualidade. “Eu estava acordado tarde da noite balançando / Contanto centenas de milhares”, Juicy J bate no verso de abertura. “Big Fish” é um single extremamente refrescante, com amostras e produção de grande padrão. Sem dúvida, há um tema aquático muito forte que atravessa a música. Ela reflete a ideia de que Vince Staples tornou-se um grande peixe em um pequeno aquário. “Outra história de um jovem negro americano / Tentando acabar com esse atolamento, merda / Saco nas costas, me deixe ter planos para minha banda / Se você me odeia não aperte minha mão”, ele rima no primeiro verso.

O sucesso mudou a vida dele, mas trouxe outro conjunto de problemas, algo ilustrado no vídeo pelos tubarões que cercam o seu barco. “Quer ser o chefe então você tem que pagar o custo / Aprendi com o Dogg, eu sou de Long Beach”, ele recita nas últimas linhas. O gancho do Juicy J é particularmente atraente e ajuda a criar uma das faixas mais radiofônicas de Staples até o momento. “Big Fish” é sem dúvida um destaque imenso. O gancho infeccioso de Juicy J combinou perfeitamente com o rap afiado de Staples e a batida esquelética. É uma canção de hip-hop padrão, no entanto, ostenta uma batida ocasionalmente distorcida e viciante. As batidas do “Big Fish Theory” são inegavelmente poderosas, visto que elas provêm de grandes nomes da cena eletrônica experimental, incluindo Flume, GTA e Sophie. Neste álbum, eles aproveitaram a oportunidade para estabelecer um fluxo constante para os bangers de Vince Staples. Em “Love Can Be…”, por exemplo, GTA desafia Staples com uma grande e memorável linha de sintetizador. Mais tarde, ele interroga a bravura do rap com uma honestidade implacável ao lado de Kendrick Lamar, na faixa “Yeah Right”. Vince Staples mergulha em incisões reais, que tocam em temas como suicídio, política, fama e responsabilidade. É uma canção que brilha de forma lírica e instrumental. A produção de Flume e Sophie foi um ponto-chave que transformou “Yeah Right” numa faixa de grande destaque.

Posteriormente, “SAMO” coloca o ouvinte numa mentalidade de medo, devido à batida extremamente estranha. Além de não soar parecida com qualquer outra faixa do repertório, é uma canção que cria a sua própria identidade. Mesmo com créditos de escrita, A$AP Rocky não foi creditado no título da música. O tema sônico vagamente aquático está presente a todo momento no álbum. “Homage” e “Rain Come Down”, por exemplo, surpreendem com seus visuais sólidos e coesos. “Homege” mantém o conceito do álbum e adapta-se facilmente às escolhas estilísticas do mesmo. Ela incorpora um ritmo techno e trap absolutamente emocionante e cativante. É um amplo fragmento do grande poder musical do “Big Fish Theory”. Da mesma forma, “Party People” e o primeiro single, “BagBak”, são algumas das canções mais dançantes do repertório. A última faixa, “Rain Come Down”, com Ty Dolla $ign, também é muito bem produzida. Além das ótimas letras, possui uma entrega vocal ideal de ambos artistas envolvidos. “Big Fish Theory” não é o primeiro álbum de hip-hop que tenta uma abordagem experimental. Mas, ainda assim, é muito melhor do que a grande maioria. É um álbum desafiador e, ao mesmo tempo, muito sólido e acessível. É um material claro e objetivo em seu propósito. Enquanto algumas batidas são perturbadoras, graças a fusão de sons eletrônicos, Vince Staples criou um projeto incrivelmente coerente.

Favorite Tracks: “Big Fish”, “Yeah Right” e “BagBak”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.