Resenha: Vic Mensa – The Autobiography

Lançamento: 28/07/2017
Gênero: Hip-Hop
Gravadora: Roc Nation / Capitol Records
Produtores: No I.D., Jay-Z, Vic Mensa, Malik Yusef, Mike Dean, DJ Dahi, The-Dream, Om’Mas Keith, Marcos “Kosine” Palacios, Papi Beatz, Smoko Ono, Tricky Stewart, Pharrell Williams e 1500 or Nothin’.

Depois de lançar uma série de mixtapes e EPs, Vic Mensa finalmente divulgou o seu primeiro álbum completo. Lançado em julho de 2017, “The Autobiography” possui treze faixas e diversos convidados, incluindo Syd, Ty Dolla $ign, Weezer, The-Dream e Pharrell Williams. Ao longo desse registro, Mensa aborda questões profundamente pessoais, como a morte de amigos e saúde mental. É interessante ver um artista de hip-hop falar abertamente sobre questões como essas. O rapper de Chicago, atualmente com 24 anos de idade, recebeu muitas oportunidades para invadir o mainstream. Ele já colaborou com Skrillex, Chance the Rapper, Kaytranada e Kanye West, e foi contratado pela Roc Nation (gravadora de Jay-Z). Entretanto, por algum motivo, Vic Mensa ainda não conseguiu uma grande ascensão. Produzido principalmente por No I.D., produtor de destaque no álbum “4:44” de Jay-Z, o “The Autobiography” contém uma paisagem sonora que combina letras escuras com batidas trap e tons soulful.

Este álbum pode não alavancar sua música de imediato, mas há algumas coisas interessantes dentro dele. Do ponto de vista lírico, Vic Mensa às vezes se preocupa com o mundo que o rodeia, enquanto aborda a violência de sua cidade natal em “Down for Some Ignorance (Ghetto Lullaby)”. O fluxo de Vic Mensa pode não ser o mais ágil, porém, é um dos mais apaixonados. A faixa de abertura, “Didn’t I (Say I Didn’t)”, por exemplo, é uma canção soulful dedicada a sua falecida avó. Em seguida, Mensa fornece um groove rock durante a faixa “Memories on 47th St.”. Surpreendentemente, há uma grande quantidade de guitarras no álbum, desde “Homewrecker”, com Weezer, até a melancólica “Coffee & Cigarettes”. Ocasionalmente, Mensa também canta, seja com a sua voz natural ou usando auto-tune. Às vezes, o canto funciona, como podemos ver em “Gorgeous”, com Syd, entretanto, em outros momentos fica aquém do esperado.

Enquanto isso, sobre fortes tambores de “Wings”, com Pharrell Williams, o rapper reflete sobre arrependimentos e comportamento autodestrutivo. Na poderosa “Rollin’ Like a Stoner”, por sua vez, Vic Mensa fala sobre as lutas para resistir as drogas e álcool. O alcoolismo e o uso de drogas na indústria da música é um sério problema e, mais uma vez, Mensa tenta enfrentar essas questões de frente. “The Autobiography” parece um título meio inapropriado, embora suas letras mais graves o destaquem como artista. Vic Mensa pode não ser tão poético quanto Chance the Rapper, mas ele é pensativo, apaixonado, humilde e incrivelmente pessoal. Nem sempre o hip-hop precisa ser agressivo para ser bom. Dito isto, Mensa canaliza perfeitamente o lado mais suave do hip-hop. Em suma, “The Autobiography” possui boas faixas e um lirismo dinâmico, entretanto, em alguns momentos, o desempenho vocal é meio sem inspiração.

Favorite Tracks: “Rollin’ Like a Stoner”, “Homewrecker (feat. Weezer)” e “Gorgeous (feat. Syd)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.