Resenha: Van Morrison – Roll with the Punches

Lançamento: 22/09/2017
Gênero: Rock, Jazz, Blues
Gravadora: Caroline Records
Produtor: Van Morrison.

Por um momento, é difícil acreditar que “Roll with the Punches” é o trigésimo sétimo álbum de estúdio de Van Morrison. Não há dúvidas de que o cantor de 72 anos é um dos artistas mais prolíficos do rock. O seu novo disco é uma interessante compilação de jazz e blues preenchido por antigos covers e cinco novas canções escritas pelo próprio cantor. Inesperadamente, as novas músicas possuem justamente as melhores interpretações do álbum. Morrison não tem problema em performar um material clássico, porém, quando expressa-se através de sua própria música ele realmente brilha. Entre os covers, Morrison escolheu uma seleção de clássicos interpretados por Ray Charles, Sam Cooke, Lightnin’ Hopkins, T-Bone Walker, entre outros. As músicas escritas por ele, felizmente, misturaram-se perfeitamente com os covers de blues e jazz. Provavelmente, o aspecto mais envolvente do álbum, além da voz apaixonada de Morrison, são os vocais compartilhados com Georgie Fame, Chris Farlowe e Paul Jones, bem como os solos de guitarra de Jeff Beck que aparecem em sete faixas.

Morrison fez um giro incrivelmente pessoal em cada uma das músicas, mas honrou as versões originais ao não mudar nada de forma drástica. A sensação apaixonada dos covers deixou claro que o artista permaneceu fiel à sua palavra quando afirmou que está “realizando todas as músicas como se fosse uma história”. Em outras palavras, “Roll with the Punches” é uma coleção despreocupada que apresenta Van Morrison no seu melhor, afinal sua voz só melhorou com a idade. O álbum começa com a crua e entusiasmada faixa-título, “Roll with the Punches”. A estética do antigo e pesado baixo mantém o ouvinte absorvido a todo momento, algo muito interessante e impressionante de começar um álbum. Esta primeira faixa prova ao ouvinte que este artista de 72 anos ainda possui coragem e bravura. Em seguida, o álbum dá uma volta completa no som íntimo e familiar que Morrison desenvolveu ao longo de sua carreira, com uma música original intitulada “Transformation”. Podemos dizer que nesta canção ele está no seu melhor.

Belas melodias e letras sinceras complementam esta faixa reminiscente da década de 70. Outra canção original, “Fame”, também mostra Van Morrison indo em direção a uma mistura de jazz e blues. “Too Much Trouble”, por sua vez, leva o ouvinte de volta aos anos 40 com seu som classicamente datado, mas puramente fascinante. Faixas como “Bring It on Home to Me”, um clássico de Sam Cooke, deve ser considerada um destaque do registro. Sua versão soa um pouco diferente e contém mais consistência, incluindo os próprios vocais do cantor. Aqui, Jeff Beck acrescentou um excelente solo de guitarra, mas sem tirar a essência de uma música de Van Morrison. Enquanto ele está perto de sua aposentadoria, é claro que não tem intenção de deixar a indústria tão cedo. Afinal, Morrison ainda pode cantar qualquer coisa e soa notavelmente vital mesmo aos 72 anos, uma idade da qual a maioria dos seus contemporâneos perdeu grande parte da voz. Dito isto, “Roll with the Punches” é um álbum agradável que, sem dúvida, deve ter agradado os fãs mais árduos do cantor.

Favorite Tracks: “Roll with the Punches”, “Transformation” e “Bring It on Home to Me”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.