Resenha: Van Morrison – Keep Me Singing

Lançamento: 30/09/2016
Gênero: Rock
Gravadora: Caroline Records
Produtor: Van Morrison.

O primeiro álbum de estúdio em quatro de anos de Van Morrison chegou no final do verão no Hemisfério Norte. “Keep Me Singing” foi lançado em 30 de setembro de 2016, através da gravadora Caroline Records. Embora Morrison tenha lançado um álbum de dueto no ano passado, “Born to Sing: No Plan B” (2012) foi o seu último registro. “Keep Me Singing” é o seu 36º álbum de estúdio e inclui 12 faixas originais, além de um cover do clássico blues “Share Your Love with Me”. Morrison produziu todo o álbum sem qualquer pretensão ou falsa arrogância. Na verdade, suas composições estão marcadas por uma entrega bastante honesta. O cantor, atualmente com 71 anos de idade, ainda fornece vocais graciosos e uma grande força lírica. Morrison mostra que ainda tem forças suficientes, mesmo depois de uma carreira musical de mais de 50 anos. Ele não precisa de uma longa introdução, afinal é um dos artistas mais bem sucedidos e famosos do último século. Sempre seguro na sua escrita, o músico norte-irlandês prefere concentrar a sua atenção na criação de um som quente, melódico e solidamente estruturado. “Keep Me Singing” não tem nada de estereotipado ou forçado, pelo contrário, é um registro muito seguro. Ouça faixas como as polidas “Out In the Cold Again” e “Holy Guardian Angel”, e perceba a escrita incomum e talento vocal singular de Morrison. Excepcionalmente na faixa “Every Time I See a River”, ele chegou a colaborar com o aclamado letrista Don Black.

Na peça central do repertório, a tranquila “Memory Lane”, ele fica perto de alcançar a magia demonstrada em “Veedon Fleece” (1974), um dos seus melhores álbuns. “The Pen Is Mightier Than the Sword”, uma das melhores faixas, é um número blues com muito mais para oferecer. “Share Your Love with Me” não é um cover necessariamente ruim, entretanto, não deixa de ser um dos poucos momentos de enchimento do álbum. “In Tiburon” mostra o seu grande jogo na guitarra rítmica, além de uma sensação jazzy e boas batidas. É uma música que resgata suas auto-proclamadas raízes como músico e compositor. O blues também aparece como destaque durante o agradável sulco de “Going Down to Bangor”. Por fim, na faixa de encerramento “Caledonia Swing”, Morrison nos oferece um número instrumental no piano e saxofone. “Keep Me Singing” é contemporâneo e de fácil escuta. Nesse disco, Van Morrison entrega um som muitas vezes bonito e sedutor. E, mesmo quando joga pelo lado seguro, ele consegue encantar. A produção geral é requintada e algumas músicas conseguiram chegar perto dos seus mágicos momentos no início da década de 80. Durante a maior parte do registro, Morrison manteve-se suave e criativo. Consequentemente, não seria exagero dizer que “Keep Me Singing” é o seu melhor trabalho das duas últimas décadas.

72

Favorite Tracks: “Every Time I See a River”, “Out In the Cold Again” e “Memory Lane”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.