Resenha: Tyler, the Creator – Flower Boy

Lançamento: 21/07/2017
Gênero: Hip-Hop Alternativo
Gravadora: Columbia Records
Produtor: Tyler, the Creator.

O polêmico fundador do grupo Odd Future, Tyler, the Creator, está de volta com um novo álbum, intitulado “Flower Boy”. O estilo agressivo e lirismo controverso de Tyler sempre causaram espantos nos ouvintes casuais. Mas, surpreendentemente, o seu novo álbum está cheio de brilhantes instrumentais e letras pessoais. “Flower Boy” é uma progressão dramática que ninguém esperava. Aparentemente, o rapper parece ter se inspirado no seu amigo Frank Ocean. O comportamento agressivo de Tyler nos álbuns “Goblin” (2011), “Wolf” (2013) e “Cherry Bomb” (2015) foi comprometido no “Flower Boy”. Ao trocar sua entrega abrasiva por tons suaves, ele surpreendeu e impulsionou o seu som para frente. Enquanto seus discos anteriores apresentavam letras misóginas, homofóbicas e agressivas, “Flower Boy” o mostra numa perspectiva mais madura. Tyler faz isso através de suas próprias tribulações pessoais e de uma maneira muito interessante. Sua produção possui acordes de piano jazzy, tons sofisticados de soul, melodias elegantes e fascinantes padrões de bateria. Além disso, também possui colaborações com artistas como Frank Ocean, A$AP Rocky, Lil Wayne, Estelle e Jaden Smith.

A antiga fórmula de Tyler, the Creator estava tornando-se cansativa, portanto, a mudança de estilo parece um sopro de ar fresco. A produção está realmente maravilhosa, inventiva e até impressionante em determinados pontos. Desta vez, ele explorou temas mais interessantes, como sexualidade, solidão e materialismo, sendo que todos se conectam de forma autêntica e coesa. Tyler, que produziu o álbum inteiro, manteve seus métodos de produção pouco convencionais. Um fator que o torna singular, é o fato dos sons serem inquietantes e experimentais. Mas, em certo sentido, não deixam de ser coloridos. “Foreword” apresenta acordes sonhadores e backing vocals que elevam o tom geral da canção. Nesta faixa, ele fala sobre os seus sentimentos de solidão e como o dinheiro atua na sua vida. A sua estrutura é simplista e eficiente, com algumas guitarras ocasionais, batidas em camadas, sons de orquestra e sintetizador. Um piano subjacente controla “Where This Flower Blooms” e floresce ao longo de todo o tempo, enquanto “Sometimes…” é um interlúdio suavemente retrô. Em seguida, “See You Again” apresenta uma mistura cativante de xilofone e cordas, além dos vocais encantadores de Kali Uchis.

Nesta faixa, Tyler mostra suas habilidades de canto, incluindo um tremendo falsete. “Who Dat Boy”, com A$AP Rocky, é uma canção de hip-hop alternativo com uma frenética instrumentação. Esta faixa não deixa de ser um momento clássico de Tyler, the Creator. A mistura de sintetizadores e cordas sobre a melodia só reforçou o conteúdo lírico assustador. Movendo-se para um tom mais descontraído, “Pothole”, com Jaden Smith, fornece alguns clássicos sons de hip-hop, embora sejam previsíveis. Em seguida, a maravilhosa “Garden Shed”, com vocais de Estelle, discute a sexualidade de Tyler num tom bastante genuíno. Ao lado dos vocais sensuais de Estelle, a música flui com toques de hip-hop e jazz. “Os sentimentos que eu estava guardando / Pesado na minha mente / Todos os meus amigos perderam / Eles não conseguiram ler os sinais / Eu não queria falar e dizer a eles minha localização”, Tyler diz em uma das linhas. No primeiro single, “911 / Mr. Lonely”, ele mostra mais do que apenas a sua típica personalidade divertida. Aqui, ele prova que também pode ser um artista vulnerável.

Esta canção serve como um grito de ajuda da mente de alguém que parece estar perdido e solitário. Além de Ocean, artistas como Schoolboy Q e Steve Lacy também aparecem em determinados trechos da música. “911 / Mr. Lonely” fornece inesperados elementos de R&B, além de arranjos cuidadosamente trabalhados que se unem de forma incrível. Ela desliza sobre teclas de piano, graves completos, um fluxo perfeito e uma interpretação vocal muito precisa. Pharrell Williams não está presente na música, mas há momentos que ele parece estar nos vocais. Certamente, “911 / Mr. Lonely” possui um dos melhores refrões do novo álbum de Tyler, visto que é muito envolvente e bem-aventurado. Steve Lacy também merece créditos por trazer a canção à vida. Frank Ocean e suas vibrações serenas, mesmo interpretando linhas bem simples, também conseguiu contribuir positivamente. Solidão é sem dúvida o principal tema da música, como o próprio título sugere. Mais tarde, Tyler recruta Lil Wayne para participar da música mais estereotipada do álbum, “Droppin’ Seeds”.

Por outro lado, “November” é o momento mais reflexivo, graças às letras, amostras e vocais. Esta faixa, provavelmente, possui um dos melhores versos de todo registro. Em seguida, os sons brilhantes e sintetizadores de “Glitter” criam uma instrumentação muito fascinante. Inesperadamente, na última faixa do álbum, “Enjoy Right Now, Today”, Pharrell Williams dá suporte a Tyler, the Creator. Essa canção apresenta instrumentos serenos e pacíficos, em vez de qualquer superprodução desnecessária. Este álbum poderia ser um clássico instantâneo, se os momentos mais fracos não fossem tão expostos. De qualquer forma, Tyler mostrou uma maturidade e crescimento surpreendente. Todo o álbum é uma história profundamente pessoal com um som distinto acentuando as diferentes emoções e ideias. “Flower Boy” é um registro incrivelmente honesto, em vez de focar num personagem ou alter-ego. Realmente não há dúvida de que é o registro mais ambicioso do rapper até o momento. A produção, a escrita e os recursos coincidiram para criar uma experiência fascinante para qualquer fã de hip-hop. Em suma, para mim, “Flower Boy” é o melhor álbum de Tyler, the Creator até a presente data.

Favorite Tracks: “See You Again (feat. Kali Uchis)”, “Who Dat Boy (feat. A$AP Rocky)” e “911 / Mr. Lonely (feat. Frank Ocean & Steve Lacy)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.