Resenha: Two Door Cinema Club – Gameshow

Lançamento: 14/10/2016
Gênero: Indie Rock, Indie Pop, Disco, Funky
Gravadora: Parlophone
Produtor: Jacknife Lee.

No dia 14 de outubro de 2016, o grupo de indie-rock Two Door Cinema Club lançou o seu terceiro álbum de estúdio, “Gameshow”. A banda foi formada em 2007 e é composta por três membros: Alex Trimble, Sam Halliday e Kevin Baird. Seu novo álbum vem após quatro anos do último trabalho, “Beacon” (2012), que mostrou pouca melhoria de seu disco de estreia, “Tourist History” (2010). “Gameshow” oferece algo novo para a banda, um tipo de sensação disco e funky. O trio irlandês voltou com um vigor renovado e um verdadeiro entusiasmo. Tendo lançado dois álbuns em grande parte semelhantes, a banda sabia que precisava tentar algo novo e diferente em seu terceiro álbum de estúdio. Explorando o disco e funky, Two Door Cinema Club mistura riffs de guitarra e melodias cintilantes em todo o espectro desse LP. Os vocais angustiantes e sintetizadores do “Gameshow” mostram uma enorme energia dançante e vibração disco inspirado nos anos 70/80. Eles sempre tiveram um toque dançante em suas músicas, mas no “Gameshow” isso ficou ainda mais perceptível.

O produtor Jacknife Lee retornou como produtor do álbum, uma vez que trabalhou no seu segundo disco. Como poderíamos esperar, “Gameshow” é um registro bem polido e com pouquíssimas falha na produção. O som indie-rock da banda, fortemente explorado em “Tourist History”, é quase nulo por aqui. Two Door Cinema Club sempre colocou algum sintetizador brilhante em cima do seu som indie-rock, mas isso foi muito mais incrementado nesse álbum. Isso fez com que alguns dos seus principais elementos sonoros fossem mais fundidos do que no seu registro anterior. O elementos disco e funky do “Gameshow” é muito agradável, entretanto, também é algo que fica um pouco cansativo. O primeiro single, “Are We Ready? (Wreck)”, possui um coro vocal ao fundo, um sulco funk cativante, riffs pegajosos e uma verdadeira progressão. Aparentemente, é um número dance-punk inspirado em trabalhos de Prince e David Bowie, com letras que criticam o consumismo e tendências materialistas da sociedade moderna. “Bad Decisions”, o segundo single do álbum, fornece um brilho surpreendentemente cativante para o ouvinte.

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Essa canção soa como algo lançado pelos Bee Gees nos anos 70, graças aos elementos de disco e funky, e vocais em falsete. A animada “Ordinary” é outra canção com um brilho extremamente cativante em seu interior. É uma música que poderia facilmente destacar-se em meio aos atuais singles das paradas de hoje. Liricamente falando, o álbum é cheio de gamas que provocam diferentes pensamentos. Na faixa-título, “Gameshow”, por exemplo, Alex Trimble protesta que ele não é “feito de plastilina”. Na superfície, parece que a banda está reclamando da falta de privacidade, algo praticamente inexistente para eles. Por ser um registro inegavelmente ambicioso, “Gameshow” fica ocasionalmente aquém do esperado. A balada “Invincible”, por exemplo, é muito morna e monótoma. Seu único ponto positivo é o poderoso e enorme solo de guitarra. Algumas outras faixas, como “Lavender” e “Surgery”, são tão indiferentes que mal se destacam. Ambas faixas não são nada do que já não tenhamos escutado anteriormente. Esse é o principal problema delas, pois são músicas que podem ser encontradas em qualquer outro lugar.

“Fever”, por sua vez, consegue levar o som do Two Door Cinema Club para uma verdadeira esquete de Giorgio Moroder. A ótima “Good Morning” felizmente consegue misturar muito bem os vocais de Trimble com o instrumental fornecido por Halliday e Baird. Enquanto isso, a faixa de encerramento, “Je Viens De La”, é eufórica e contagiante, concluindo o álbum com otimistas vibrações funky e pop. Depois de ouvir “Gameshow” várias vezes, você ainda fica com a sensação de que “Tourist History” é de fato o melhor trabalho do grupo até à data. Ao todo não é um álbum ruim por qualquer meio, longe disso, mas não possui a mesma energia exalada pelo “Tourist History”. Embora o álbum não é certamente perfeito, nem excessivamente original, mostra um tom sombrio e letras muito parecidas. O que mantém o disco coeso em seu conjunto total é sua profunda reverência pela sonoridade dos anos 80. Isso não é algo novo no atual mercado musical, mas felizmente Two Door Cinema Club não se sente forçado.

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Favorite Tracks: “Are We Ready? (Wreck)”, “Bad Decisions” e “Ordinary”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.