Resenha: Trey Songz – Trigga

Lançamento: 01/07/2014
Gênero: R&B, Soul
Gravadora: Atlantic Recods
Produtores: Alvin Isaacs, Brandon Alexander, Bryan Nelson, Christopher Umana, D’Mile, Da Internz, Danny Klein, DJ Mustard, Dun Deal, Soundz, John McGee, Mike Will Made It, Matt Campfield, Troy Taylor, The Bredd, The Featherstones, The Insomniakz e Uforo Ebong.

O cantor de R&B Trey Songz lançou em julho de 2014 o álbum “Trigga”, sucessor do Chapter V (2012). Para o seu sexto álbum de estúdio, ele trabalhou com uma variedade de produtores, incluindo DJ Mustard e Mike Will Made It. Também contou com grandes colaborações de outros artistas, como Nicki Minaj, Mika J, Ty Dolla $ign, Justin Bieber e Juicy J. Em entrevista ao Yahoo!, Trey Songz disse: “Trigga é toda minha emoção nesse ponto da minha vida, é o bom, o mau, o feio, é o belo. É a noite passada, é o amor, é batidas contundentes, é belas melodias, é tão pessoal para mim, bem como, também é impessoal, com músicas sobre diversão, que só querem levar as pessoas a se mover e a dançar”. O álbum se saiu bem na semana do seu lançamento, estreando em #1 na parada da Billboard 200 com vendas de 105 mil cópias nos Estados Unidos. Trey Songz nos últimos anos tornou-se um artista de R&B forte no cenário mainstream.

Os seus quatro últimos álbuns lançados alcançaram as três primeiras posições da Billboard 200. Agora, em um padrão de consumo cada vez menor, “Trigga” apresenta uma fórmula simplificada para o sucesso. Destaca-se por ser comum, mas com uma produção de alta classe. O cantor aborda temas populistas, fala de noites selvagens e sobre o seu modo de vida. Trey Songz possui um bom vocal e o “Trigga” é um álbum de R&B bem comercial, pois possui versos afiados e boas produções. A era moderna do R&B está ficando cada vez melhor, uma série de cantores inventivos apareceram nos últimos anos, novas vozes como The Weeknd e Frank Ocean deslocam o som convencional em uma nova direção. Trey Songz não é decididamente uma nova voz e, embora aparentemente ele não tenha interesse em mergulhar no R&B clássico, ainda é capaz de fazer um álbum forte.

Trey Songz

O disco não utiliza uma nova abordagem ou carrega uma mensagem importante, mas é um álbum de R&B tão sutil e sem qualquer pretensão, que tornou-se um material muito bom. Songz pode não ter a melhor voz do R&B contemporâneo, mas o seu talento é indiscutível. Os arranjos centrais aqui são exuberantes, seu vocal é bem charmoso e, apesar do álbum não ser impressionante ou inspirar um ouvinte mais experiente, é bom o suficiente para considerarmos um dos melhores álbuns do gênero lançados em 2014. O repertório começa com “Cake”, onde através de uma metáfora ostensiva, Songz compara as mulheres com sabores de bolos. Ele contesta inteligentemente com sua lógica ao explorar sua flexibilidade para metáforas, enquanto com um movimento de falsete pergunta: “But ain’t that what you supposed to do?”. A faixa seguinte, “Foreign”, por sua vez, é uma boa representação da essência do disco.

Ela ainda conta com um remix, estranhamente colocado no meio do álbum, em colaboração com Justin Bieber. No remix, alternando tanto a produção como as letras, Songz e Bieber embarcam em uma viagem em todo o mundo perseguindo as mulheres. A única produção de DJ Mustard, o hit “Na Na”, é também a melhor faixa de todo o álbum. Foi lançada como primeiro single e, apesar de simples, é uma canção super cativante. Usa a mesma intercalação de “Ooo La La La” de Teena Marie, que os Fugees mostraram na canção de 1996 “Fu-Gee-La”. No entanto, graças a produção de DJ Mustard, isso não parece uma ideia emprestada e sim uma boa atualização. “Touchin, Lovin” apresenta um impertinente verso de Nicki Minaj e uma interpretação da canção “Fuck You Tonight” de Notorious B.I.G. e R. Kelly. Aqui, depois de Trey Songz oferecer uma boa estética vocal, Nicki Minaj rouba a cena para também mostrar, mesmo que brevemente, o seu talento. Ambos se saem muito bem, tanto que “Touchin, Lovin” é um dos pontos altos do registro.

A faixa cinco, intitulada “Disrespectful”, é um dueto com a cantora Mila J, irmã mais velha de Jhené Aiko. É um número sem remorso, à partir do ponto de vista de uma pessoa desrespeitosa para outra. Para o cantor, os sentimentos são meras inconveniências. “Dead Wrong”, por sua vez, é uma parceria de Trey Songz com o rapper Ty Dolla $ign. No entanto, é uma canção que não destaca-se e fica um pouco abaixo do restante do repertório. Em seguida, temos a descontraída “All We Do”, faixa que demonstra uma diversidade vocal de Songz. É uma canção verdadeiramente atraente, minimalista e que mostra um amadurecimento artístico do cantor. Juicy J aparece como colaborador na canção “Late Night”, uma produção de Mike Will Made-It, onde Trey Songz fala sobre o estilo de vida de dormir com várias mulheres e os perigos de encontros à noite. Mas é na faixa “SmartPhones” que o cantor deixa claro o quão bom é o seu alcance vocal, ao oferecer um belo gancho em falsete (“I’m gonna up to her and lie right to her face”) que drena a proclamação de toda a culpa presente na letra.

Trey Songz

É uma música incrível, que mostra que apesar de ser um produto comercialmente viável, o seu alcance vocal sempre esteve acima do resto. Aqui, ele lida com a angústia da culpa, falando docentemente sobre a sua desonestidade. A faixa “Yes, No, Maybe” é um pouco descartável, aqui Songz aparece com remorso por suas ações em pura raiva por seu acusador. A balada amarga “Y.A.S. (You Ain’t Shit)” exibe genuinamente a auto-aversão, uma vulnerabilidade em amostra de um piano ambiente. A última faixa, “Change Your Mind”, é adorável e termina as coisas com uma nota bem alta. Oferece um vislumbre do lado mais introspectivo e sensível de Trey Songz, em uma canção muito viciante, com excelentes versos e um bom vocal. A ponte antes do refrão executado toda em falsente, “Ain’t by chance that we’re here, girl / Only got one life to live”, é um destaque à parte.

Enfim, o “Trigga” não é tão coeso como, por exemplo, o álbum “Ready” de 2009, mas é um material que juntou a concordância do soul com o minimalismo do R&B, proporcionando um contraste carismático em quase todas as 13 faixas. Trey Songz tem um grande talento, o seu único problema é que igualmente a muitos outros artistas, usa temas óbvios, obtendo poucos momentos de criatividade e sem apontar para uma direção ousada. Se tivesse utilizado algo mais arriscado com esse material, teria oferecido uma visão ainda maior de qualidade. De qualquer forma, o seu sexto álbum é envolvente e demonstra uma determinação por parte dele. Cheio de paixões, desejos e viagens sexuais, Trey Songz consegue atingir com o “Trigga” o esperado para se obter sucesso no mainstream. Este é, sem dúvida, um dos álbuns de R&B mais flagrantemente comerciais dos últimos anos. Está recheado de versos afiados, refrões viciantes e produções lisas.

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Favorite Tracks: “Foreign”, “Na Na”, “Touchin, Lovin (feat. Nicki Minaj)”, “SmartPhones” e “Change Your Mind”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.