Resenha: Travis – Everything at Once

Lançamento: 29/04/2016
Gênero: Post-Britpop, Rock Alternativo, Indie Rock, Soft Rock
Gravadora: Red Telephone Box
Produtor: Michael Ilbert.

A banda escocesa Travis, formada por Fran Healy, Dougie Payne, Andy Dunlop e Neil Primrose, lançou o seu primeiro álbum em 1997. Agora, quase 20 anos depois, eles estão divulgando o seu oitavo álbum de estúdio. Lançado em 29 de abril de 2016, “Everything at Once” é formado por um total de 10 faixas. A banda também criou um filme para o disco, que foi incluído como DVD na versão de luxo. Travis já foi premiado duas vezes como melhor banda no prestigiado BRIT Awards. Eles são, muitas vezes, creditados como o grupo que pavimentou o caminho para bandas como Coldplay e Keane. “Everything at Once” é composto por músicas típicas da banda, eles continuam produzindo melodias arejadas sob uma grande confiança. Esse registro serve como uma sinopse de todos os pontos positivos do Travis. As canções são instantaneamente calmantes, uma mistura de rock suave e melódico, com letras edificantes.

Embora não seja um álbum cheio de hits, existe uma boa variedade de sons. Travis não teve nenhuma razão para mexer com a fórmula que os impulsionaram até os dias de hoje. Aqui, ainda há às vezes uma certa serenidade descomplicada, um bom conforto para a banda e seus fãs. A primeira faixa, “When Will Come”, abre o álbum com otimismo. É uma canção mid-tempo que pisa em um território familiar para o quarteto escocês. Um número de fácil escuta, que mantém as coisa bem simples. A letra e instrumentação em si não são particularmente grandiosas, mas proporcionam uma vibração agradável. Ela realmente exala uma positividade e varredura otimista. Embora não seja uma faixa bem construída, “When Will Come” consegue ser um rock cativante, com a presença dos inconfundíveis vocais de Fran Healy. “As páginas que ainda tenho que virar / Lições que você nunca aprenderá”, ele canta aqui.

Travis

Isto é seguido por “Magnificent Time”, canção que também possui uma sonoridade otimista e feliz sobre ela. Nesse álbum, muitas músicas não caem sobre um rock acústico como muitos de seus discos anteriores. “Magnificent Time”, por exemplo, surge com acordes distorcidos e riffs de guitarra distintos. Apesar do refrão ser carente de alguma dinâmica, seu som geral é um britpop muito positivo e profícuo. Travis pode ter escrito algumas canções melancólicas no passado. Consequentemente, faixas como “Magnificent Time”, co-escrita por Tim Rice-Oxley (Keane) servem para trazer um certo equilíbrio. Em seguida, “Radio Song” agita as coisas sobre um ambiente bem edificante e “ensolarado”. Lançada como quarto single, essa faixa é um verdadeiro lembrete das qualidades vocais melódicas de Fran Healy. Sob uma agradável melodia, o vocalista ainda consegue jogar alguns “lalalala” na mistura.

“Paralysed”, por sua vez, pode ser considerado um dos pontos altos do álbum. A introdução no baixo, executada por Dougie Payne, é sua característica mais memorável. Além disso, a banda utiliza mais pedais de efeitos, tais como a adição de discretas cordas e um coral de vozes. Essa canção abre com uma base sólida e batida interessante. Enquanto isso, o coral de vozes por trás e a melodia, criam um grande dinamismo para música. Apesar de ser curta, “Paralysed” é uma das escutas mais agradáveis do repertório. A próxima faixa, “Animals”, escrita pelo baixista Dougie Payne, serve como um lembrete de que, muitas vezes, independente da inteligência, os seres humanos são como animais. Musicalmente, ela abre com cordas e tambores reluzentes, enquanto os vocais constroem um refrão crescente e cativante. A faixa-título, “Everything at Once”, apresenta uma sequência de tambores intrigantes e riffs de guitarra elétrica explosivos.

É uma canção pop brilhante e alegre, com uma borda rock em sua extremidade. Ela possui um senso de urgência, especialmente por causa das linhas cantadas com pressa. Lançada como primeiro single, “Everything at Once” tem uma certa profundidade lírica, que realmente a impulsiona. Há tantos interpretações em seu conteúdo, que você acaba encontrando diferente significados dentro dela. “Tudo que você precisa é de um pouco de amor e uma maneira de chegar em casa”, Healy canta no refrão. Um dos seus melhores momentos acontece quando uma antecipação é construída no meio, através da velocidade crescente dos tambores e fortes vocais. Uma amostra de sintetizador também domina os versos, conforme Healy canta de forma constante e rítmica. Também lançada como single, “3 Miles High” é uma mid-tempo despretensiosa e tipicamente Travis. É uma música sombria que não ficaria fora do lugar, se estivesse presente no disco “The Man Who”. Ela possui guitarras adequadas, fortes coros, vocais suaves e um som inspirador.

Travis

Na composição, Healy foi apoiado pela artista norueguesa Aurora. Ambos colaboraram, a fim de destacar, ainda mais, a beleza da melodia. A oitava faixa, “All of the Places”, é uma das mais belas canções do registro. Aparentemente, Healy canta sobre apreciar a vida e não desperdiçar oportunidades com pessoas que ama. “Ensiná-los a amar e como entender essa vida / Porque você só tem uma chance”, ele canta. A música é composta por um riff de guitarra brilhante, que consegue capturar o som clássico da banda. Seu clima é relaxante e muito fácil de apreciar. Conforme o disco se aproxima do seu fim, “Idlewild” vê a banda colaborando com a cantora inglesa Josephine Oniyama. Além de emprestar seus tons soulful para a banda, ela consegue encaixar-se como uma luva nessa canção. Essa colaboração acabou injetando um grande elemento surpresa ao álbum. “Strangers on a Train”, última faixa do repertório, é um número sólido e dramático que retorna para as emoções sentidos no ínicio do álbum.

O ritmo lento é guiado por um piano e acaba nos lembrando de algumas canções do Coldplay. O piano consegue dar uma sensação suave à música, enquanto é bem sucedido em sua combinação de instrumentos e letras edificantes. “Strangers on a Train” é a única faixa do disco que ultrapassa a marca de quatro minutos de duração. Felizmente, é um bom reflexo dos melhores aspectos do álbum em uma mesma música. Tudo somado, “Everything at Once” não desvia-se do som clássico da banda. Eles não se atreveram a pisar em novos territórios musicais. Não é um disco excepcional em si, porém, um material modesto, agradável e despretensioso. Dito isto, podemos dizer que o grupo manteve-se fiel a si mesmo. Embora não sejam inovadoras, as dez faixas, provavelmente, atingiram as expectativas dos fãs. “Everything at Once” pode não ser o álbum que vai catapultar Travis de volta para o estrelato, entretanto, trouxe um britpop confortavelmente simpático.

65

Favorite Tracks: “What Will Come”, “Magnificent Time”, Paralysed”, “Animals” e “Everything at Once”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.