Resenha: Travi$ Scott – Birds in the Trap Sing McKnight

Lançamento: 02/09/2016
Gênero: Hip-Hop, Trap, R&B
Gravadora: Grand Hustle Records / Epic Records
Produtores: Travi$ Scott, Allen Ritter, Boi-1da, Cardo, Cashmere Cat, Cubeatz, Daxz, dF, Frank Dukes, Hit-Boy, Honorable C.N.O.T.E., Illa Jones, Murda Beatz, Mel & Mus, Mike Dean, Nav, Nisi, OZ, Rogét Chahayed, Ricci Riera, Sy Ari Da Kid, TEAUXNY, TM88, T-Minus, Vinylz, WondaGurl e Yung Exclusive.

Um ano depois de lançar seu álbum de estreia, Travi$ Scott está de volta com seu segundo LP, intitulado “Birds in the Trap Sing McKnight”. Nesse meio tempo, o rapper de Houston não desapareceu completamente, apresentando-se em projetos que vão desde DJ Khaled até Justin Bieber. Sua ascensão à elite do rap pode ser surpreendente ou não, dependendo de como você analisa as coisas. Ele tinha amizade com grandes nomes, tais como Kanye West e T.I., mas também é inegavelmente um artista talentoso. Seu estilo de rap, meio drogado e auto-sintonizado, são coisas que despertam atenção. Felizmente, Scott invadiu o mainstream sem sacrificar seu som original. É quase certo de que a cada novo álbum, um artista proporciona algum tipo de crescimento. Para a maioria dos artistas de hip-hop sempre há crescimento dentro de suas letras, fluxo e produção. “Birds in the Trap Sing McKnight” não é uma exceção, uma vez que através dele Scott adquiriu experiência como artista.

Não só o próprio Scott melhorou, como também os seus convidados estão ótimos. Artistas como André 3000, Kid Cudi, Kendrick Lamar, Bryson Tiller, Young Thug e The Weeknd formaram um bom equilíbrio de jovens artistas e veteranos, para fazer um disco bem sucedido. O lirismo de Travi$ Scott e habilidades de rap são um pouco questionáveis, na melhor das hipóteses. Suas palavras rimam apropriadamente e há algumas pronunciações interessantes vindas dele, porém, as linhas são muitas vezes sem sentido. Felizmente, ele dedica tempo suficiente para o seu som, e tem um melodismo que impressiona. Ele consegue trabalhar com vários produtores diferentes e ainda assim criar um som coerente. Apesar de suas falhas, “Birds in the Trap Sing McKnight” é intangível e mais convincente que seu último álbum. Com esse disco, Travi$ Scott reforçou o seu lugar no mundo do trap, encapsulando a mesma atmosfera do “Rodeo”.

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Os primeiros sinais de que as coisas são interessantes, começam na capa do álbum, onde o rapper está sentado em cima de um trono, enquanto seu rosto permanece coberto por uma nuvem de fumaça. Assim como “Rodeo”, esse registro está repleto de sintetizadores misteriosos e uma produção trap escura. Scott incorpora uma vibe assustadora, acrescentando camadas em sua voz ou dando-lhe um efeito auto-ajustado. A primeira faixa, “the ends”, incorpora todos esses elementos, com acréscimo de alguns versos sinistros de André 3000. Liricamente, músicas como a potente “through the late night”, “beibs in the trap” e “sdp Interlude” são odes ao seu estilo de vida nocivo. O lirismo de Scott, claramente, não é voltado para as massas. Embora o disco contenha muitos pontos fortes, é fácil perceber onde ele fica aquém do esperado. Scott é criativo, porém, exagera ao entregar letras vazias sem qualquer profundidade. Por outro lado, os recursos de Kendrick Lamar em “goosebumps”, onde ele rouba o show, e 21 Savage em “outside”, encaixam-se perfeitamente ao álbum.

“goosebumps” é, particularmente, uma das mais canções de amor mais descoladas do ano. “guidance”, por sua vez, surpreende o ouvinte com sua produção, oferecendo algo verdadeiramente diferente e mais interessante do que estamos acostumados a ouvir de Travi$ Scott. No geral, do contraste de singles como “wonderful” para uma faixa mais lenta, como “first take”, Scott consegue manter um bom equilíbrio. O primeiro single, “pick up the phone”, com Young Thug, fatia através de melodias tropicais e uma pesada dose de baixo. Enquanto a letra não tem nada de inovadora, a entrega de Young Thug é bastante criativa. “Birds in the Trap Sing McKnight” mostra o crescimento de Travi$ Scott, mas também evidencia que ainda há espaço para evolução. É um disco muito bem produzido, sonoramente reminiscente do “Rodeo”. Scott ofereceu exatamente o que os fãs de hip-hop esperavam, um álbum cheio de auto-tune, rap parcial e versos com pouca substância. De qualquer maneira, é um ótimo álbum e o seu melhor trabalho até à data.

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Favorite Tracks: “through the late night”, “goosebumps” e “guidance”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.