Resenha: Train – Bulletproof Picasso

Lançamento: 12/09/2014
Gênero: Rock, Pop Rock
Gravadora: Columbia Records
Produtores: Azeem, Espionage, Greg Kurstin, Jake Sinclair, Butch Walker e Whams.

A banda Train, formada por Pat Monahan, Jimmy Staffod, Jerry Becker, Hector Maldonado e Drew Shoals, lançou no ano passado seu sétimo álbum de estúdio, intitulado “Bulletproof Picasso”. Eles alcançaram notoriedade com o álbum de estreia lançado em 1998, que gerou o hit “Meet Virginia”. Mais tarde, em 2001, lançaram o disco “Drops of Jupiter” e fizeram ainda mais sucesso, recebendo certificado de platina dupla nos Estados Unidos e Canadá. É o disco mais vendido da banda até a data, e ainda gerou o hit “Drops of Jupiter (Tell Me)” que ganhou dois prêmios Grammy em 2002. Em 2009 a banda também fez um enorme sucesso com a canção “Hey, Soul Sister”, presente no álbum “Save Me, San Francisco”, que vendeu mais de 6 milhões de cópias digitais e atingiu a posição #3 da Billboard Hot 100.

“Bulletproof Picasso” é o sucessor do disco “California 37” (2012) e foi lançado em 12 de setembro de 2014 pela Columbia Records. Estreou na posição #5 da Billboard 200 americana e é formado por um total de 12 faixas. É o primeiro trabalho da banda sem o baterista e membro fundador Scott Underwood, que saiu da mesma antes do processo de gravação desse álbum. “Bulletproof Picasso” não demonstra nenhuma evolução se comparado com seu antecessor, inclusive, até as capas são parecidas. Depois de revitalizar sua fama em 2009 com “Hey, Soul Sister”, a banda sofreu uma mudança significativa de personalidade, virando um pouco as costas para a sua sonoridade mais antiga e adaptando-se a um som mainstream. Assim como o “California 37”, esse disco é uma extensão do seu novo estilo mais pop e otimista. Liricamente, é até mais maduro do que o citado, no entanto, sonoramente é realmente muito semelhante.

O álbum abre com a faixa “Cadillac, Cadillac”, uma música surpreendentemente alegre e com uma sonoridade típica deles. É um pop-rock, que incorpora elementos de reggae, escrito por Pat Monahan, Butch Walker e Al Anderson. A letra descreve um homem que escolhe andar no deserto em um conversível dos anos 1960, enquanto está passando por um relacionamento complicado. Parece que com essa música o Train define o tom para todo o álbum. Porque assim como essa, todas as outras canções são demasiadamente felizes, sobre memórias nostálgicas, desgostos, pesares ou encontrar a si mesmo. A faixa-título, “Bulletproof Picasso”, é um pouco melhor e traz um riff de piano alegre em sua composição. Sua introdução lembra fortemente a música “Fireflies” do Owl City e, no geral, mantém o otimismo e a sensação pop-rock do registro, graças a sua cativante melodia e a batida constante.

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O primeiro single do disco foi “Angel In Blue Jeans”, uma balada introduzida por um dedilhado de violão, que ainda possui palmas, violoncelo e instrumentos de sopro em sua estrutura. O vocal de Pat Monahan está mais suave aqui, o que é agradável, na mesma medida que a colocação dos “whoa-oh-oh-whoa-oh”, a deixou mais atraente. Lançada recentemente como quarto single, “Give It All” é uma maior vitrine para as habilidades vocais de Pat. É uma bela balada apresentada no piano que, posteriormente, é impulsionada por fortes tambores. Os falsetes no refrão também merecem ser mencionados, pois estão respeitáveis. A faixa seguinte, “Wonder What You’re Doing for the Rest of Your Life”, apresenta os ótimos vocais da cantora Marsha Ambrosious. É uma canção simples em sua instrumentação, porém, é bem pop, divertida, contagiante e com um toque retrô.

“Son of a Prison Guard”, por sua vez, abre com um som de assobios infecciosos e barulhos de botas andando sobre um piso de concreto. Sua narrativa é muito direta e, embora não seja um grande destaque, é interessante ouvir uma música que conta uma história sobre uma encantadora melodia. No pop-rock “Just a Memory” a banda explora o passado e, principalmente, a vida adolescente ao falar sobre um amor perdido (“Quebrando, quebrando / A menina no banco, ela sabia o que estávamos brigando / Quando nem sabia o que eu estava escrevendo sobre”). Ela tem uma instrumentação interessante e uma vibe que lembra grupos vocais dos anos 1950 e 1960. O verso “come back, come back”, que aparece no decorrer da música, ás vezes surge meio fora de colocação, mas nada que a comprometa. A oitava faixa é “I’m Drinkin’ Tonight”, sem dúvida, uma das poucas canções surpreendentes desse álbum.

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Essa possui uma vibe surf-rock muito agradável, e além dos bons vocais, ainda possui um ótimo baixo e uma contagiante percussão. Liricamente, é sobre um cara que desiste de ficar sóbrio, porque uma garota o convidou para beber. “I Will Remember” é uma canção excêntrica, que também foi escrita por Pat junto de Butch Walker. Os seus tambores pulsantes e chamativos dão uma adição muito legal para si, enquanto a letra com suas metáforas simplistas fala, mais uma vez, sobre o amor. “The Bridge”, faixa nove, é outro exemplo onde a banda toma um rumo bem retrô, influenciado pela velha escola. Essa música também não soaria fora do lugar se estivesse presente no álbum “It Won’t Be Soon Before Long” do Maroon 5. Na letra a banda tenta passar uma lição para seus ouvintes: “Isto é o que acontece quando você vai para a ponte / Você pula para o fogo ou você aprender a nadar”.

A penúltima faixa é “Baby, Happy Birthday”, a única soulful e mais escura do repertório. É uma música que tenta captar uma conversa entre um casal que está na necessidade de ter uma reconciliação. É sobre mudanças da vida e o porquê lembrar das coisas pequenas, como Pat canta no verso: “alguém que nunca iria esquecer o seu aniversário”. O álbum fecha com “Don’t Grow Up So Fast”, uma bela balada acústica, onde a guitarra e uma orquestra dão uma atmosfera sentimental para a mensagem da letra. Aqui, aparentemente um pai diz a seus filhos para não crescerem tão rápido: “Você vai chegar lá antes que você perceba / Não é só os maus momentos, os bons momentos também passará / Portanto, não crescem tão rápido”. Por fim, em referência ao famoso pintor e poeta, o disco “Bulletproof Picasso” tem praticamente todas as características de um álbum do Train.

É um material divertido, que consegue entreter e tem seus pontos altos. É um trabalho confessional, pessoal, excessivamente emocional, mas com apenas duas ou três canções de real destaque. O registro consegue manter a oferta de energia positiva dos seus antecessores, o que mantém o ouvinte em um estado constante de euforia e descontração. Pat Monahan, um dos poucos membros originais da banda, continua a fornecer fortes vocais, embora algumas vezes desconectados, que são realmente muito distintos ao vir de um gênero que é conhecido por ter vocalistas competentes. O resto da banda fornece vocais de apoio que, em alguns casos, foram essenciais para a qualidade da música. Com um conteúdo lírico relativamente seguro, a produção do disco também não demonstrou qualquer desenvolvimento se comparado com o anterior. Concluindo, é apenas um bom álbum.

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Favorite Tracks: “Bulletproof Picasso”, “Angel In Blue Jeans”, “Give It All”, “I’m Drinkin’ Tonight” e “Don’t Grow Up So Fast”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.