Resenha: Train – A Girl a Bottle a Boat

Lançamento: 27/01/2017
Gênero: Pop, Pop Rock
Gravadora: Columbia Records
Produtores: Ajay Bhattacharyya, William Wiik Larsen, Neff U e Jake Sinclair.

A banda Train lançou em 27 de janeiro de 2017 o seu décimo álbum de estúdio, sob o título “A Girl a Bottle a Boat”. É um lançamento otimista, mas nada menos do que outro material superficial de pop e pop-rock. Train possui músicas pegajosas e radio-friendly em seu catálogo, mas esse novo disco joga completamente por um lado seguro e território familiar. Todos os álbuns de sua discografia tem um som de assinatura, que permitiu o grupo refinar sua sensibilidade pop-rock. Entretanto, depois de duas décadas e meia, a banda parece não saber mais o que está fazendo. Porque, este álbum falha quase que totalmente, desde a instrumentação até as composições. Chega a ser chocante o quanto o álbum é fraco, especialmente se considerarmos que Train possui tantos anos de carreira. “A Girl a Bottle a Boat” é um registro sem graça, indiferente e confuso, que não provoca qualquer emoção no ouvinte. Não há nada de memorável neste álbum, nem mesmo uma única canção.

Além disso, possui um repertório muito incoeso que salta do pop para o R&B, reggae e até mesmo doo-wop. Todo o álbum possui uma disposição estranha de estilos musicais e temas líricos superficiais. Claro, os poucos aspectos positivos devem ser mencionados também. Há uma certa ênfase em relacionamentos românticos que normalmente são bastante relacionáveis. Entretanto, no final de tudo, essa positividade não é suficiente para salvar o álbum de uma banda que, normalmente, explora conteúdos líricos muito rasos. Naturalmente, não podemos falar sobre as composições do Train sem mencionar Pat Monahan e suas letras atroz e fracas. É quase embaraçoso jogar por um lado tão seguro e, ainda assim, falhar dessa forma. A faixa de abertura, “Drink Up”, é bastante comum e me fez lembar um pouco de “Cake by the Ocean” da banda DNCE, graças a sua linha baixo sintética. Essa canção usa uma metáfora de beber na garrafa que emite algum tom de nostalgia.

O primeiro single, “Play That Song”, fornece um refrão cativante que usa uma melodia com amostras de “Heart and Soul” (canção de 1938 de Larry Clinton). Embora “Drink Up” e “Play That Song” sejam as melhores músicas do álbum, não são particularmente fantásticas ou memoráveis. Em comparação com o resto do álbum elas destacam-se, uma vez que são mais estruturadas e coerentes. “A Girl a Bottle a Boat” está cheio de canções inofensivas como “The News” e “Working Girl”, enquanto a convidada Priscilla Renea é o destaque em “Loverman”. “Working Girl”, em especial, poderia ser mais decente se não fosse sufocada por uma grossa linha de baixo. Além do mais, nessa canção encontramos várias referências líricas bizarras e sem noção, tais como: “Se você quer uma coisa de ida e volta / Vá e arrume um boomerang”. Provavelmente, a pior coisa no álbum é “Lottery”, uma canção absolutamente inútil guiada por uma fraca linha de guitarra. Ademais, a enunciação do vocalista Pat Monahan em cada sílaba é completamente irritante.

Muitas vezes, o álbum salta em diferentes gêneros e sente-se impossível de obter qualquer tipo de qualidade. Em “Silver Dollar”, por exemplo, a banda explora o reggae, enquanto em “Valentine” o pop deles encontra o mesmo doo-wop de Meghan Trainor. A última canção, “You Better Believe”, é uma balada de piano que, infelizmente, não provoca qualquer emoção. Tudo somado, enquanto Train é bom em elaborar refrões cativantes e melodias divertidas, não vale muito a pena gastar tanto tempo com esse álbum. Mas será se alguém realmente esperava algo diferente deles? Com “A Girl a Bottle a Boat” eles sequer tentaram algo novo, apenas tocaram algumas músicas sem qualquer coesão. Não é exagero dizer o quão maçante e de baixa qualidade este álbum é, até mesmo nos níveis puramente técnicos. Portanto, se você realmente quer ouvir a banda, tente ouvir o disco “Drops of Jupiter”, onde há pelo menos alguma música que você provavelmente vai gostar.

Favorite Tracks: “Drink Up”, “Play That Song” e “Loverman (feat. Priscilla Renea)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.