Resenha: Tove Lo – Lady Wood

Lançamento: 28/10/2016
Gênero: Eletropop, Synthpop, Dance-pop, Tech House
Gravadora: Island Records
Produtores: Oscar Görres, Oscar Holter, llya Salmanzadeh, Joel Little, Tove Lo, Ali Payami e Ludvig Söderberg.

O ano de 2014 foi ótimo para Tove Lo, a estrela sueca surgiu do nada com seu single “Habits (Stay High)” e explodiu em todo o mundo. Seu álbum de estreia, “Queen of the Clouds” foi lançado no mesmo ano e rendeu mais alguns hits para ela. Posteriormente, Tove Lo gravou canções para a trilha sonora de Jogos Vorazes e Divergente, e colaborou com Adam Lambert, Coldplay, Flume, Nick Jonas e Years & Years. Em agosto de 2016, ela liberou “Cool Girl”, o primeiro single tirado do seu segundo álbum, “Lady Wood”. Uma canção com um som mais eletrônico, algo que aparece em todo o registro. Na primeira escura, as faixas do álbum não se destacam tanto, uma vez que ele é tão coeso. Todas possuem uma paisagem sonora semelhante, enquanto o álbum é dividido em duas partes, “Fairy Dust” e “Fire Fades”. Portanto, “Lady Wood” é um projeto melhor consumido como um todo. Conforme você vai escutando o álbum, começa a perceber que Tove Lo conseguiu criar outra coleção cheias de refrões viciantes. O título do disco é uma referência à excitação sexual feminina, por isso o conteúdo explora um estilo de vida sexualmente liberal. A cantora co-escreveu as 12 faixas do repertório e colaborou com dois artistas convidados, Wiz Khalifa e Joe Janiak. Além disso, trabalhou com três compositores diferentes, Rickard Göransson, Joel Little e Ilya Salmanzadeh durante a gravação do disco.

“Lady Wood” é um álbum mal-humorado, polido com sintetizadores e tons escuros. Tove Lo não está reinventando a música pop, mas sua marca cheia de positivismo feminista é refrescante e madura. Naturalmente, sua música é muito bem produzida e, muitas vezes, soa como algo que sua companheira sueca Robyn faria. Sonoramente, é um disco mais sombrio e sonhador, proficientemente eletro/synth/dance-pop, com batidas geladas e cortantes, sintetizadores sinistros e ganchos vocalmente conduzidos. A personalidade de Tove Lo e o lirismo cheio de referências a sexo e drogas, não são revolucionários, mas notáveis por sua falta de ingenuidade. Ela é conhecida por suas letras escuras, porém, também canta clichês e jogos românticos. “Lady Wood” parece ser mais maduro e honesto do que o “Queen of the Clouds”, além de conter vocais mais suaves e uma narrativa mais auto-consciente. Entretanto, musicalmente não é mais ousado do que o seu predecessor fortemente comercial. A introdução de 1 minuto, “Fairy Dust”, abre o repertório a fim de nos convidar para a escuta do álbum. Em seguida, “Influence”, com Wiz Khalifa, capta perfeitamente o espírito sonoro do álbum. É construída em torno de uma metáfora lírica bastante clichê, mas chama atenção por outros elementos. Possui uma atmosfera escura e esfumaçada, com um som repetitivo e um tamborim e tambor usados como base.

Lentamente, outros sons são adicionados para dar um maior efeito nebuloso para a música. A adição de Khalifa funciona bem, embora não consiga acrescentar muita coisa à canção. A faixa-título, “Lady Wood”, tem um ritmo mais rápido e incorpora súbitas quedas vocais e batidas tech-house. É construída em torno de um gancho instrumental, onde letras sexuais são cantadas. “Eu sei o que as pessoas dizem sobre você / Eles dizem o mesmo sobre mim / E eu não me importo se é tudo verdade / Eu quero você saindo comigo”, Tove Lo confessa. “Sim, você me deixa excitada, você me deixa uma mocinha excitada”. Lançada em novembro de 2016 como segundo single, “True Disaster” é uma verdadeira joia escondida dentro desse álbum. É uma canção synthpop inspirada nos anos 80, que lembra um pouco o som de assinatura da Robyn. Liricamente, Tove Lo fala sobre a dor que vem junto com um amor destrutivo. “Vamos lá, eu sei que vou me machucar / Vamos lá, não dou a mínima / Continue brincando com o meu coração / Mais e mais / Você pode ser exatamente o que eu quero / Meu verdadeiro desastre”, ela canta no refrão excessivamente cativante. No primeiro single, “Cool Girl”, Lo faz seu som de assinatura sem grandes esforços. Uma faixa eletropop viciante, escrita por Lo, Ludvig Söderberg e Jakob Jerlström.

Liricamente, a cantora se mostra interessada em um relacionamento aberto, pois “garotas legais” não colocam rótulos nos seus namoros. A última canção do primeiro capítulo do álbum é “Vibes”, colaboração com Joe Janiak. Logo na introdução, podemos observar uma musicalidade real, embora as letras sejam bem planas. O papel da guitarra acústica soa bastante surpreendente, além dos drops e refrão eletrônico. No capítulo “Fire Fade”, Tove Lo experimenta letras mais sérias e temas mais aguçados. “Don’t Talk About It” é uma canção cativante sobre como temos a tendência de varrer todos os problemas para debaixo do tapete. É uma tentativa de Tove Lo em mostrar como o ser humano tenta criar vidas perfeitas, enquanto são apenas fachadas. Em seguida, “Imaginary Friend” fala sobre como a realidade, muitas vezes, é tão complicada e difícil. The Struts oferecem um trabalho sólido nas faixas do “Lady Wood”, mas principalmente em “Imaginary Friend”. Sua composição geral é muito interessante, enquanto o refrão, com vocais distorcidos, é bastante infeccioso. A inusitada “Keep It Simple” mantém o tema contínuo sobre relacionamentos complicados que aparece durante todo o álbum. Estranhos sons são adicionados à música, embora a transição para a estrutura de sintetizador funcione muito bem. É uma canção que gira em torno de um refrão estendido e repetido com mais frequência do que o habitual.

“Flashes” é uma oferta sonoramente catchy e igualmente intrigante, porém, perde sua marca ao oferecer uma letra desajeitada. É uma canção que realmente nunca atinge todo o seu potencial. Como compositora Tove Lo nunca foi a mais sutil, a julgar pelas descrições literais de seu comportamento em “Habits (Stay High)”, por exemplo. Isso também é evidente na maioria das faixas do “Lady Wood”. Sua honestidade costuma funcionar perfeitamente, como na dramática e decidida “WTF Love Is”. É uma canção sobre o amor que, infelizmente, serve como um final fraco para o álbum. “Então que porra você acha que o amor é?”, Tove Lo pergunta aqui. Mais uma vez, sua voz navega com facilidade e ela consegue criar outra melodia pop pegajosa. Porém, não possui os mesmos atrativos das melhores faixas do álbum. Tove Lo mostra progressão com um som mais eletrônico em seu segundo álbum de estúdio. O registro inteiro soa como uma unidade muito coesa. De alguma forma, a sueca conseguiu criar outro disco surpreendentemente envolvente. Enquanto “Lady Wood” pode não ter o mesmo efeito duradoura do “Queen of the Clouds”, ele ainda permite o ouvinte mergulhar de cabeça no mundo honesto de Tove Lo. É um disco muito cativante que fornece um lirismo franco e som único. Não há nenhuma música neste álbum que eu possa dizer que eu absolutamente não gostei.

Favorite Tracks: “True Disaster”, “Cool Girl” e “Imaginary Friend”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.