Review: Tove Lo – BLUE LIPS [lady wood phase II]

Lançamento: 17/11/2017
Gênero: Dance-Pop, Eletropop
Gravadora: Island Records
Produtores: Choukri Gustmann, Alex Hope, Jack & Coke, Lulou, Ali Payami, The Struts e Gustav Weber Vernet.

Nascida como Ebba Tove Elsa Nilsson e conhecida artisticamente como Tove Lo, a cantora sueca esculpiu um nome para si escrevendo canções extremamente honestas. Sem dúvida, Tove Lo não tem medo de falar sobre coisas que perturbam sua mente. Em novembro de 2017, ela reafirmou isto lançando a continuação do seu segundo álbum de estúdio, “Lady Wood” (2016), chamada de “Blue Lips”. Amor e sexualidade sempre foram temas recorrentes em seus trabalhos, consequentemente, “Blue Lips” não é uma exceção disso. Ao lado de elementos oitentistas e sons EDM, Tove Lo aborda suas experiências sexuais e relacionamentos amorosos. Como esperado, este registro mantém os mesmos aspectos agradáveis do “Lady Wood” (2016), uma vez que trata-se de uma continuação do mesmo. Mas, melhor do que isso, “Blue Lips” explora exaustivamente a sua intimidade e possui um pouco mais de nuances do que a primeira parte.

Desde “Habits (Stay High)”, Tove Lo ganhou muitos fãs, especialmente por causa de sua narrativa, confiança exagerada e vulnerabilidade crua. E, certamente, ela evolui bastante desde que lançou o seu EP de estreia. No geral, “Blue Lips” possui 44 minutos de muita sensualidade revestida sobre um conteúdo auto-confiante, onde Tove Lo aborda o seu próprio corpo. A sexualidade feminina está em plena exibição, fazendo deste registro o seu mais bem realizado até à data. Além disso, não deixa de ser um álbum conceitual, dividido em dois capítulos: “LIGHT BEAMS” e “PITCH BLACK”. A primeira metade é fortemente apoiada por sintetizadores, enquanto a segunda oferece um repertório mais emocional. O primeiro single, “disco tits”, é uma faixa de eletroclash instantaneamente dançante e memorável. Sob uma batida acelerada, Tove Lo utiliza alguns truques de produção e pequenos detalhes que fazem toda a diferença.

“Eu estou suando da cabeça aos pés / Minha roupa está toda molhada / Estou totalmente carregada, os mamilos estão duros / Pronta para ir”, ela canta vulgarmente, mas de forma brutalmente sincera. Em seguida, “shedontknowbutsheknows” mostra o lado mais profunda de Tove Lo, uma vez que oferece uma batida mais repetitiva e pronta para as boates. Ademais, o trabalho vocal de Tove Lo está muito forte neste álbum, não apenas pelo desempenho em si, mas também pelo uso inteligente de efeitos torcidos. A boa química entre Nilsson e os compositores Ludvig Söderberg e Jakob Jerlström é instantaneamente clara na faixa “shivering gold”. Desta vez, ela fornece versos mais sonolentos, porém, um refrão incrivelmente absorto e ótimas amostras de fundo. Existe muita variedade neste álbum, desde o dance-pop pesado até algo mais lento como “dont ask dont tell”. É uma canção que foca mais no desempenho lírico do que qualquer outra coisa.

Um número cru e honesto, e uma das melhores apresentações vocais do repertório. Sua alma disco aparece durante “stranger”, onde o piano é bem pontuado, as guitarras saem de controle e a percussão dá um maior impulso. É, aparentemente, um destaque do álbum, especialmente pelo adorável senso oitentista. As batidas eletrônicas nesta música a conduzem de uma forma mais potente, enquanto sua voz ainda soa emocionalmente despreocupada. A última faixa do primeiro capítulo, chamada “Bitches”, é outra canção incrivelmente crua e honesta sobre a sexualidade de Tove Lo. Embora possua letras provocativas, é muito direta e sem qualquer filtro. Sonoramente, inclina-se mais para o lado do hip-hop, em meio a uma entrega agressiva, acordes e harmonias crescentes, e letras dominantes. Enquanto “romantics” é uma canção um pouco genérica com elementos de hip-hop e versos de Daye Jack, “cycles” evidencia a capacidade lírica de Tove Lo.

Ao lado de amostras de sintetizadores, é uma faixa de dance-pop maravilhosamente experimental. Da mesma forma, “struggle” fornece uma batida dance constante a fim de destacar as letras obscuras. Aqui, Tove Lo canta sobre o amor desonesto e como se comunicar através do sexo. Refletindo sobre os melhores momentos de um relacionamento do passado, “9th of october” é uma faixa lenta que fornece brilhantes sintetizadores e uma energia mais fria por trás dos vocais de Nilsson. A penúltima faixa, “bad days”, é musicalmente mais simples que a maior parte do álbum, porém, cativa de uma forma que nenhuma outra canção consegue. “hey you got drugs?, por outro lado, é uma canção mais lenta que encerra o álbum de forma promissora. Dolorosa e aventureira, esta canção fecha o registro com uma nota triste e vulnerável, à medida que transforma-se numa bela balada de piano.

Mergulhando em temas mais escuros, Tove Lo utiliza as drogas como metáfora para falar sobre a intimidade física: “Ei, você tem drogas? / Só preciso de um estimulante apenas para hoje a noite / Não conte a ninguém que eu estava com você / Sim, é bom, mas estou resistindo agora / Pegue se você quiser / Acho que me livrei dos meus sentimentos”. Ela analista uma separação e mostra o quanto quer escapar da realidade de tudo. “Blue Lips” é a sequência ideal para o “Lady Wood”, enquanto pode ser considerado, sonoramente, o seu álbum mais coeso. Ebba Tove Elsa Nilsson construiu sua carreira sobre uma alta energia infundida pelo EDM e letras sexualmente carregadas. E no “Blue Lips” não foi diferente! Apesar de não possui singles de destaque como “Habits (Stay High)” e “Talking Body”, é um registro que mostra um crescimento artístico e merece atenção pela qualidade sonora apresentada.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.