Resenha: Tory Lanez – I Told You

Lançamento: 19/08/2016
Gênero: Hip-Hop, PBR&B
Gravadora: Interscope Records
Produtores: Benny Blanco, Play Picasso, Tory Lanez, Happy Perez, Cashmere Cat, D33J, Two Inch Punch, Noah Breakfast, Sergio Romero, Matti Free, Frank Dukes, DJ Dahi, Ben Free, Lavish, Pop Wansel, XXYYXX e Toro.

Daystar Peterson, mais conhecido por Tory Lanez, é um artista canadense de hip-hop. Ele construiu o seu buzz através da mixtape “Lost Cause” (2014) e do platinado single “Say It”. Lançado em 19 de agosto de 2016, “I Told You” é o seu primeiro álbum de estúdio. Lanez produziu o disco ao lado de nomes como Benny Blanco, Cashmere Cat, Two Inch Punch, Noah Breakfast, Frank Dukes e DJ Dahi. O cantor e rapper de 24 anos criou uma quantidade ilimitada de músicas ao longo dos últimos anos, incluindo um punhado de mixtapes. Não há dúvida que o nativo de Toronto é um artista talentoso. Poucas pessoas podem cantar, fazer rap e escrever sua própria música como ele. No seu disco de estreia, Tory Lanez nos dá um vislumbre de sua vida desde quando tinha dezesseis anos de idade. O álbum inclui 28 faixas, dois quais 14 são apenas esquetes. Embora tenha bons momentos, o registro possui suas falhas. As excessivas esquetes, por exemplo, são bastante perturbadoras e irritantes. Se você é alguém que não se importa com esquetes, é melhor ignorá-las. Em um álbum com 14 faixas onde a maioria das canções possuem mais de 5 minutos, as esquetes ocupam muito espaço. Além disso, elas não acrescentam muito para o álbum como um todo. Claro, elas existem com a intenção de contar uma história e produzir uma narrativa. Mas, em vez disso, elas acabaram aumentando drasticamente a duração do LP.

Entretanto, para aqueles que querem obter uma compreensão mais aprofundada do disco, eu sugiro ouvir ouvi-lo inteiro. Outro ponto fraco do álbum é a sua repetição e singularidade. “I Told You” não é um registro necessariamente ruim para um material de estreia, mas algumas falhas poderiam ter sido evitadas. Aqui, Lanez flerta com um R&B popularizado por The Weeknd, e fornece melodias quentes que enfatizam histórias de amor e sexo. Riffs eletrônicos e um estilo vocal excêntrico escorregam em tendências atuais de produção, que vão desde o hip-hop até o dancehall. Lanez também prega um surrealismo em momentos autobiográficos, que detalham sua juventude nas ruas até o sonho de fazer música. De forma excessivamente dramática, ele transmite histórias de um homem que esteve numa vida de crime e lutou para tornar seus sonhos em realidade. Algumas letras são banais, porém, a estética sonora refrescante compensa as histórias obsoletas. Tory Lanez está no seu melhor quando canaliza um R&B inspirado nos clássicos anos 90. Ele se sai muito bem quando transforma batidas dos anos 90 e 2000 em possíveis hits contemporâneos. Ele consegue manter o charme dessa batidas, através de um rap eficiente e tom cru. O álbum começa com “I Told You / Another One”, onde vemos Lanez sendo expulso da manjedoura de sua avó.

Ele se abre para o mundo e diz que dormia em porões, banco traseiro de carros e em qualquer outro lugar. O álbum é uma linha do tempo desde sua vida aos dezesseis anos de idade. Ele conta todas as experiências que passou, quando trata-se de crimes, sexo, tragédias e sucesso. A batida contundente, fornecida por Play Picasso, é uma ótima plataforma para o rapper mostrar suas capacidades líricas. Faixas como “Guns and Roses”, “Flex”, “4am Flex” e “Dirty Money” capturam a gama de Tory, quando trata-se de amor, mulheres e seu estilo de vida. Entre as quatro, a que mais destaca-se é “4am Flex”, onde Tory compartilha um tema muito comum dentro do hip-hop. Quando trata-se de conteúdo, algumas faixas podem fazer o ouvinte se lembrar do disco “Good Kid, M.A.A.D City” de Kendrick Lamar. Algumas faixas mais fracas surgem pelo caminho, como “To D.R.E.A.M.”, que parece ter sido influenciada por Fetty Wap. Canções como “Friends with Benefits”, “Cold Hard Love”, “High” e “All the Girls” abordam todos os erros que ele já cometeu com as mulheres. Enquanto “Cold Hard Love” e “All the Girls” são faixas mais up-tempo, “Friends with Benefits” e “High” levam o ouvinte para um passeio mais libidinoso. “Question Is” e “Loners Blvd” tentam explorar seus limites mais profundos. A primeira explora a paternidade em sua vida, enquanto a segunda a sua viagem através da indústria da música.

Além de todas essas canções, o álbum é composto pelos notáveis singles “Say It” e “Luv”. Ambas canções possuem arranjos texturizados e prepararam o ouvinte para a natureza atmosférica e provocativa do álbum. “Say It” é um número de hip-hop e R&B potencialmente arejado, com um refrão muito grudento. Ela é encontrada em algum lugar entre o som noturno de The Weeknd e Future. É uma canção enigmática e envolvente por si só, por isso é tão infecciosa. Utilizando interpolações de “Everyone Falls in Love” (Tanto Metro and Devonte), “Luv” permitiu Tory Lanez explorar influências tropicais que estão em alta no mainstream“Luv” é um dancehall no seu melhor e, por incrível que pareça, sente-se muito autêntica e natural. Este álbum é uma estreia sólida para Tory Lanez. Ele tem um som próprio, mesmo que influenciado por outros artistas. Suas letras falam sobre experiências que o ajudaram a crescer profissionalmente. Como já mencionado, uma de suas falhas são as esquetes. Pois, apesar de bem-produzidas, são infelizmente genéricas e esquecíveis. As esquetes pesaram o álbum e sua abordagem, conforme esticou a duração do repertório. A narrativa do registro poderia ter sido tratada com uma maior sutileza. Felizmente, os pontos positivos se sobressaem. Em suma, Tory Lanez conseguiu construir um disco coeso, com qualidades infecciosas e bem trabalhadas.

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Favorite Tracks: “Guns and Roses”, “4 am Flex”, “Cold Hard Love”, “Loners Blvd” e “Say It” e “Luv”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.