Resenha: Tony Bennett & Lady Gaga – Cheek to Cheek

Lançamento: 19/09/2014
Gênero: Jazz, Pop Tradicional
Gravadora: Interscope Records / Columbia Records
Produtores: Dae Bennett e Danny Bennett.

Depois de uma era não muito bem sucedida com o disco “ARTPOP”, Lady Gaga lançou o disco “Cheek to Cheek” em conjunto com Tony Bennett. Foi lançada em 19 de setembro de 2014, através da Interscope e Columbia Records, e conta com 11 faixas na versão padrão. Bennett e Gaga se conheceram em 2011 no evento de gala Robin Hood Foundation, em Nova York. A primeira colaboração entre eles aconteceu naquele mesmo ano, na canção “The Lady Is a Tramp”, que foi lançada no disco “Duets II” de Tony Bennett. Mais tarde ambos começaram a discutir planos para trabalhar em um projeto de jazz. Até que em janeiro de 2013, o álbum foi confirmado por ambos os artistas e a gravação começou após Gaga se recuperar de uma cirurgia no quadril. Nesse meio tempo Lady Gaga lançou o seu terceiro álbum “ARTPOP”, alguns singles e embarcou na turnê ArtRave: The Artpop Ball.

“Cheek to Cheek” fornece canções de compositores populares do jazz, como George Gershwin, Cole Porter, Jerome Kern e Irving Berlin. O material foi inspirado no desejo de Bennett e Gaga em introduzir as músicas para uma geração mais jovem, já que eles acreditavam que as faixas tinham apelo universal. “Cheek to Cheek” estreou em #1 na Billboard 200, vendendo 131 mil cópias em sua primeira semana nos Estados Unidos. De acordo com a Nielsen Soundscan, desde então já vendeu 583 mil cópias em território norte-americano. Acabou tornando-se o terceiro álbum consecutivo de Gaga a estrear em #1 nos Estados Unidos e fazendo Bennett estender seu recorde como pessoa mais velha a colocar um álbum em #1 na parada. Nesse ano, em fevereiro de 2015, o disco ainda foi premiado na categoria de “Melhor Álbum de Pop Tradicional” na 57ª edição do Grammy Awards. Logo, Tony Bennett aumentou seu número para 18 Grammy, enquanto Lady Gaga agora possui um total de 6 gramofones.

Tony Bennett & Lady Gaga

Apesar de suas diferenças, ele um titã do jazz e 60 anos mais velho, e ela uma estrela pop extravagante, percebemos que foi atingido uma química legal com esse disco colaborativo. Afinal, como diz o velho ditado, os opostos de atraem. E os dois criaram um material sóbrio, maduro e que revela toda a profundidade de suas vozes. Não há nenhuma interpretação radical aqui, apenas dois talentosos músicos se divertindo. Realmente não há truques aqui: não há batidas de sintetizador, nada de auto-tune ou outros quaisquer tipos de artifícios. “Cheek to Cheek” não é perfeito, às vezes é um pouco monótomo, mas certamente tem seus bons momentos. “Anything Goes”, faixa de abertura, por exemplo, está entre os momentos mais fortes do álbum, um remate energético e contagiante. O seu final é avassalador, quando ambos cantam os últimos versos em perfeita sintonia e encerram com uma nota nas alturas. Foi escrita por Cole Porter para seu musical de 1934, letra da qual apresenta referências humorísticas a sociedade.

A faixa-título, “Cheek to Cheek”, foi escrita por Irving Berlin em 1931 e é outra canção agradável, embora menos atraente que a anterior. Lady Gaga inicia, ao passo que Bennett assume o comando no segundo verso, quando o baixo e a bateria aparecem. Mas os melhores momentos acontecem mesmo quando as vozes de ambos se misturam. Covers de músicas mais lentas como “Nature Boy”, não oferecem muito coisa, mas, no entanto, não deixam de ser bonitos e envolventes. Escrita por eden ahbez, é uma música tratada com delicadeza, sofisticada e com Gaga assumindo o comando, inicialmente. Ela pode não ter a mesma suavidade de cantores de jazz, mas seu controle vocal é admirável. O solo de flauta colocado no meio da música ficou extremamente elegante e representou a natureza mais refinada de toda canção. Na mesma medida, mas de forma discreta, a letra fala sobre viajar pelo mundo e descobrir que tudo o que você precisa é o amor.

A quarta faixa, “I Can’t Give You Anything But Love”, originalmente de Jimmy McHugh e Dorothy Fields, possui uma instrumentação mais variada, como inclusão de um órgão elétrico e uma linha de baixo conduzindo-a. Nessa canção, mais uma vez, Bennett contrasta bem com o poderoso vocal de Gaga, porém, suas vozes se complementam melhor ainda na faixa seguinte, “I Won’t Dance”. É difícil você não curtir a boa harmonia dessa música, que fornece um balanço muito gostoso. Dessa vez quem ataca primeiro é Bennett, cantando: “Eu não vou dançar, madame, com você / Meu coração não vai deixar meus pés fazer coisas que eles devem fazer”. Mais tarde Gaga também entra na brincadeira e canta, “Quando você dança, você é encantador e é gentil”. A sedutora “Firefly” é a faixa mais curta do álbum, com menos de 2 minutos de duração. Dado o seu ritmo e angularidade é uma das músicas mais difícies de ser interpretada, mesmo sendo curta.

Tony Bennett & Lady Gaga

A sétima faixa é “Lush Life”, música solo de Lady Gaga no álbum. Mesmo sozinha ela conseguiu ser convincente nesse cover de Billy Strayhorn, cantando com uma gama incrível. Foi uma escolha muito ambiciosa interpretar esse clássico, mas sem dúvidas, ela foi particularmente muito bem. Depois do número solo de Gaga, Tony Bennett assume a vez. Ele optou por interpretar sozinho a faixa “Sophisticated Lady” de Duke Ellington, lançada em 1933. De forma elegante, despojada e com um suporte de um simples piano, ele também não fica para trás. Depois de duas baladas solistas, Bennett e Gaga se reúnem para cantarem a agitada “Let’s Face the Music and Dance”. Outro breve número, com pouco mais de dois minutos de duração. É uma canção mais percussiva que as demais, onde os tambores, cornetas e, especialmente, o solo de sax, roubam um pouco dos holofotes.

A penúltima faixa, “But Beautiful”, é um balada exuberante, com um clima mais emocional, doce e cordas acentuadas. Enquanto o fechamento do registro, “It Don’t Mean a Thing (If It Ain’t Got That Swing)”, cover de Duke Ellington, fecha da mesma forma contagiante que o álbum abre. A edição deluxe ainda acrescenta mais quatro canções ao registro, são elas: “Don’t Wait Too Long”, “Goody Goody”, “Ev’ry Time We Say Goodbye” e “They All Laughed”. Em última análise, “Cheek to Cheek” é um disco agradável a que se propõe, não é um material de dueto de alto nível, mas também passa longe de ser ruim. Os vocais, tanto de Lady Gaga como de Tony Bennett, são peças cruciais e estão admiráveis no decorrer de todas as canções. Dada a sua habilidade vocal, Gaga soube abordar com eficácia o jazz e surpreendeu. E dada a idade avançada de Bennett é ainda mais admirável que ele possua vocais tão fortes.

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Favorite Tracks: “Anything Goes”, “Cheek to Cheek”, “Nature Boy”, “I Won’t Dance” e “It Don’t Mean a Thing (If It Ain’t Got That Swing)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.