Resenha: Tokio Hotel – Kings of Suburbia

Lançamento: 03/10/2014
Gênero: Synthpop, EDM, Pop Rock, Rock Alternativo
Gravadora: Island Records / Polydor Records
Produtores: Bill Kaulitz, Tom Kaulitz, David Jost, David Roth, Patrick Benzner, Peter Hoffmann e Rock Mafia.

Formada em 2001, Tokio Hotel é uma banda alemã de pop-rock composta pelo vocalista Bill Kaulitz, guitarrista Tom Kaulitz, baixista Georg Listing e o baterista Gustav Schäfer. O quarteto lançou, recentemente, em 03 de outubro de 2014, o “Kings of Suburbia”, seu quinto álbum de estúdio. Tokio Hotel alcançou notoriedade mundial em 2007, com o lançamento do seu primeiro álbum em inglês, “Scream”. Após o sucesso deste disco, a banda ganhou milhares de fãs, se tornou bastante popular e recebeu vários prêmios, incluindo MTV Video Music Awards e MTV Europe Music Awards. “King of Suburbia”, ao contrário do disco anterior, que foi lançado de forma bilíngue, é somente em inglês. É formado por 11 faixas (na versão padrão) e traz uma mistura de diferente gêneros, como rock alternativo, pop-rock e música eletrônica. Sua sonoridade é realmente um pouco diferente de seus álbuns anteriores e é o primeiro disco da banda em 5 anos, o que deu a oportunidade para eles experimentarem novos gêneros no decorrer desses anos.

Como Bill e Tom passaram estes anos em Los Angeles, a principal influência lírica para o álbum foi a vida noturna da agitada cidade da Califórnia. A maioria das canções foram co-escritas pelo próprio quarteto, enquanto o álbum todo foi mixado e produzido por Tom Kaulitz. E segundo ele, a maioria das músicas teve instrumentos ao vivo adicionados para obter o som que eles realmente queriam. Percebe-se que para esse disco a banda decidiu entrar em uma direção completamente diferente, explorando novos temas e aparentando estarem mais maduros. Lançada como quarto single e faixa de abertura, “Feel It All” é uma boa introdução para o álbum. Uma música mid-tempo, crescente, com uma batida lenta, que abre com um sintetizador feroz e é ideal para clubes noturnos (especialmente suas versões remixadas).

Desde o seu primeiro segundo, o ouvinte já percebe que o antigo som da banda foi deixado de lado, pois os instrumentos reais foram substituídos por padrões e batidas eletrônicas. Os seus versos constroem uma espécie de tensão antes de chegar no explosivo refrão, onde Bill canta: “Um novo dia está chegando / A hora é agora”. A faixa seguinte, “Stormy Weather”, é um pouco mais pesada que a faixa anterior, porém, com os mesmos elementos EDM incorporados. Sua escrita é meio sem graça e preguiçosa, mas ao menos tem um sintetizador monstruoso e é uma canção cativante. A primeira música liberada antes do lançamento do álbum foi “Run, Run, Run”, que serviu como single promocional. Uma balada no piano, que consegue transmitir uma certa dose de profundidade e maturidade.

Tokio Hotel

Bill entrega alguns falsetes aqui e tenta emocionar com a vulnerabilidade da letra, entretanto, sua voz está em um tom muito baixo, caótico e meio esganiçado, algo que definitivamente não ficou agradável. O seu maior ponto positivo é que permitiu o álbum dar uma pausa dos sintetizadores pesados das duas primeiras faixas. Uma curiosidade é que “Run, Run, Run” também foi gravada por Kelly Clarkson, com John Legend, e está presente no seu álbum “Piece by Piece”. Já o primeiro single, “Love Who Loves You Back”, é uma música up-tempo pop-rock e eletrônica, com uma guitarra dedilhada adicionada à uma batida de sintetizador. Suas letras são meio desconfortáveis e sexuais demais, mas no geral a canção é bem produzida. As risadas que aparecem discretamente durante o refrão, inclusive, deram um tom divertido e brincalhão para ela.

Apresentando um piano eletrônico, a faixa “Covered In Gold” é outra bem produzida, no entanto, ao mesmo tempo soa um pouco repetitiva e forçada. Além do excesso de sons eletrônicos, a mesma ainda possui utilização de auto-tune. “Girl Got a Gun”, sexta faixa, é outra grande experiência para o Tokio Hotel, pois é completamente diferente de tudo que a banda já lançou. Entretanto, eu particularmente, achei que eles foram longe demais nesse experimentalismo. É uma canção muito estranha, confusa e com um refrão um tanto quanto irritante. Seus riffs de guitarra são muito apressados e o dubstep na ponte não funcionou. O seu conteúdo lírico ainda é menos impressionante, mostrando que a banda não fez nenhuma tentativa série em sua composição. O refrão é basicamente formado pelo verso: “A garota tem uma arma, garota tem uma arma, arma, arma”.

Tokio Hotel

Por outro lado, a próxima faixa, “Kings of Suburbia”, que dá título ao álbum, é certamente a mais cativante. É talvez a música que mais lembra os antigos trabalhos do Tokio Hotel, fornecendo uma batida de tambor contundente, uma boa guitarra elétrica e um som de baixo profundo, além claro dos bons vocais de Bill e o apoio vocal de toda a banda. A letra parece ter um grande significado, falando sobre liberdade e amor, mas que também pode ser interpretada de outras maneiras (“Nós somos os reis e rainhas de subúrbio / Em algum lugar no tempo que não sabemos onde estamos”). A oitava faixa, “We Found Us”, aparentemente foi inspirada pelas cenas de boates e noites a fora em Los Angeles. Bill gosta de falar sobre o amor em todas as suas formas, não importando o sexo. “Encontramos-nos, nós / Neste clube, clube / Encontramos-nos, nós / Dói, mas nos sentimos bem”, ele canta. Sonoramente é bem contagiante, uma música mid-tempo e synthpop, que mistura as guitarras e bateria para criar uma batida ideal para si.

“Invaded” é a segunda balada do álbum e, por sinal, melhor que a primeira. É conduzida no piano, mas que consegue ser mais simplista, emocional e comovente que “Run, Run, Run”, graças a letra e maior entrega vocal de Bill. Ela fala sobre como o amor puro pode lhe dar tudo, escrita para um parente dos irmãos Kaulitz, que faleceu. “Never Let You Down”, penúltima faixa, é outro número que não me agradou tanto. Mesmo com a guitarra remixada de Tom Kaulitz, a bateria de Gustav Schäfer e teclados tocados por Dave Roth e Patrick Benzner, é uma música que não chega a impressionar em nada. A voz de Bill está muito mais alta e com efeitos desnecessários, enquanto canta sobre sua experiência com pessoas falsas dentro da indústria do entretenimento. Fechando a versão padrão do álbum temos “Louder Than Love”, uma canção que carece de uma maior amplitude e profundidade. O seu som é outra experimentação, que resultou dos 4 anos de tempo que os rapazes passaram no estúdio. Sua mensagem é clara e simples, e apesar de bastante clichê, é de fácil entendimento: “Nada é mais alto que o amor”.

Para este álbum, a banda liderada pelos irmãos Kaulitz planejaram algo novo, tanto estilisticamente como musicalmente, para o seu retorno após 5 anos. A imagem deles agora é uma reminiscência dos anos de Depeche Mode e Pet Shop Boys, assim como o som é influenciado pelas ondas britânicas da década de 1980. Podemos admirar o Tokio Hotel pela coragem de explorar novos sons, porém, em muitos momentos eles parecem desajeitados, especialmente, Bill Kaulitz. Eles terminaram por entregar um disco muito aquém do esperado. As letras também possuem um vocabulário muito pobre, fazendo o álbum tropeçar em vários outros aspectos. A tentativa de oferecer um material com diversas insinuações sexuais em combinação com EDM, definitivamente não convenceu. Os integrantes da banda são jovens e ainda têm muitos anos pela frente, só não podem continuar adiando por tanto anos assim um novo lançamento, porque se não correm o risco de perderem seu fiel público.

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Favorite Tracks: “Feel It All”, “Stormy Weather”, “Love Who Loves You Back”, “Kings of Suburbia” e “We Found Us”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.