Resenha: Tokio Hotel – Dream Machine

Lançamento: 03/03/2017
Gênero: Synthpop, Eletropop, EDM, Rock Alternativo
Gravadora: Starwatch Music
Produtores: Bill Kaulitz, Tom Kaulitz e Devon Culiner.

Depois de um breve trabalho solo do vocalista Bill Kaulitz no ano passado, a banda alemã Tokio Hotel lançou o seu esperado quarto álbum em inglês, “Dream Machine”. Lançado em 03 de março de 2017, esse disco é o sucessor do “Kings of Suburbia” (2014). Tokio Hotel chegou à fama mundial com o lançamento do seu álbum de estreia, “Schrei”, em 2005. Nos anos seguintes, a banda trocou seu rock alternativo por influências eletrônicas e roupas extravagantes. Bill Kaulitz, Tom Kaulitz, Gustav Schäfer e Georg Listing invadiram a cena alternativa com os singles “Monsoon” e “Schrei”. No geral, “Dream Machine” é inspirado sonicamente pelo seu antecessor, porém, com uma maior vibe eletrônica dos anos 90. Precedido pelos singles “Something New” e “What If”, o álbum se afasta de mensagens sexuais e foca em relacionamentos pelos quais os membros já passaram. Musicalmente, tudo aqui é apoiado por sons synthpop e eletropop. A faixa de abertura, “Something New”, é um número calmo e hipnótico ao mesmo tempo. Ela possui uma grande introdução, antes de Bill Kaulitz começar a cantar. Sua voz é encoberta por um eco e letras que expressam o desejo de procurar algo novo. Depois do primeiro refrão, temos uma pequena ponte instrumental seguida pelo segundo verso.

A música mantém sua atmosfera por todo o comprimento, até explodir no último minuto com um som crescente de sintetizadores, efeitos, instrumentos eletrônicos e uma batida convidativa. Na temperamental “Boy Don’t Cry” Kaulitz continua sua busca por um novo começo. Sonoramente, essa faixa é formada por uma estrutura melódica, batida obsessiva e alguns sintetizadores. “Oh garota solitária, não deixe ir, espere / Para outra aventura / Fique comigo / Agora coloque suas mãos no meu bolso / Enquanto nós estamos dançando através da fria Berlim”, ele canta aqui. Em seguida, “Easy” mostra Bill cantando sobre uma amizade perdida e pensando em todos os bons velhos tempos. Ele é um vocalista que nunca teve medo de expressar sua vulnerabilidade. “Easy” é uma balada mid-tempo com uma melodia que reflete todos os seus pensamentos. Na sequência, a banda detalha emoções iniciais de um relacionamento na faixa “What If”. Uma canção significativamente influenciada por um som dance e disco dos anos 80. É um número bem cativante emparelhado por batidas infecciosas e vibrações a la Daft Punk. “Elysa” contém um refrão eficiente, uma balada onde Kaulitz canta sobre um amor perdido. Ela começa com uma série de perguntas, harmonizadas pelo piano, enquanto sintetizadores aparecem na parte central.

O piano flui sem problemas, mas os vocais excessivamente produzidos deixam um gosto um pouco amargo. Na faixa-título, “Dream Machine”, temos mais uma vez um relacionamento deteriorado como tema principal. O assunto sombrio emparelhado com a produção eletrônica, cria uma mistura interessante de emoções. Um tambor e cordas sintéticas deixam um espaço apropriado para a voz de Bill. “Cotton Candy Sky”, por sua vez, é uma canção mid-tempo com uma introdução que lembra a segunda faixa. Nessa canção, podemos perceber algumas referências sutis a bissexualidade de Bill Kaulitz. A oitava faixa, “Better”, é muito limitada em termos de contexto e composição, uma vez que é extremamente repetitiva e boring. Dessa vez, as letras mostram uma conversa entre duas pessoas que se amam. Em “As Young as We Are” encontramos o vocalista pronto para dar uma nova chance ao amor. Embora seja otimista nas palavras, a produção dessa faixa cria um ambiente cheio de incertezas. Possui uma estrutura melódica interessante e uma atmosfera inicialmente escura. Por fim, “Stop, Babe” fecha o repertório. Esta canção expressa a sensação de que às vezes, mesmo que você ame alguém, você tem que terminar porque provavelmente não é o momento certo para os dois ficarem juntos.

Não tem letras longas, mas cada palavra conta muito em cada verso. Você tem que seguir em frente mesmo que isso seja doloroso. “Querida, eu não estou pronto para amar você / Porque eu não estou completamente curado / Pare, pare / Querida, eu vou deixar a Califórnia / Sim, eu estou deixando por você / Porque tudo o que eu faço / Eu faço por você”, Bill Kaulitz canta. O nível de produção desse álbum é alto, aparentemente mais do que o “Kings of Suburbia”. É um disco que a banda provavelmente sempre quis gravar e lançar. Para os fãs que estavam esperando um retorno ao som rock alternativo, pode ter sido uma decepção. O desejo de deixar para trás suas raízes rock, para expandir seus horizontes, é algo apreciado e soa como uma progressão natural. Em “Dream Machine” eles olharam para si mesmos e revelaram um novo lado da banda. É um trabalho de auto-exame e mais maduro, provavelmente devido à sua idade. O álbum fornece 10 faixas caracterizadas por vocais exageradamente auto-sintonizados de Bill Kaulitz, canções pouco estruturadas e forte sons eletrônicos. Muito diferente de sua música de 12 anos atrás, “Dream Machine” é um projeto pouco sedutor. Não é inovador e muito menos perfeito. Pelo contrário, possui falhas e um repertório, muitas vezes, de difícil digestão.

Favorite Tracks: “Easy”, “What If” e “Stop, Babe”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.