Resenha: Tinashe – Nightride

Lançamento: 04/11/2016
Gênero: R&B Alternativo
Gravadora: RCA Records
Produtores: Allen Ritter, Atu, Boi-1da, Brent Reynolds, Joel Compass, Devonte Hynes, Dpat, Illangelo, King Kachingwe, Metro Boomin, Sango, Stephen Spencer, The Beat Bully, The-Dream e Vinylz.

Durante os últimos anos, Tinashe construiu discretamente um bom currículo na música. Suas mixtapes e seu álbum de estreia, “Aquarius”, possuem uma sensação semelhante, mas claramente diferentes em sua forma total. Tinashe é conhecida por explorar um som escuro por trás de vocais suaves e sensuais. “Aquarius” ofereceu uma escapada atmosférica e coesa com um grande apelo pop. Com “Nightride”, Tinashe segue por um caminho parecido, porém, incorporando algumas coisas novas. Esta mixtape tem uma vibração sombria e sensual que permeia por todo o repertório. As linhas de baixo invertidas e as letras combinam muito bem com a imagem psicodélica da capa do álbum. Apesar do sucesso crítico de seu disco de estreia, muito elogiado pela coesão, maturidade e atmosfera ambiente, por algum motivo Tinashe não conseguiu passar uma impressão duradoura. Para piorar as coisas, sua gravadora continuou adiando o lançamento do seu segundo álbum, “Joyride”. Essa ideia foi reforçada após o single “Superlove” fracassar e não atingir o resultado esperado. Entretanto, após lançar sua nova mixtape, “Nightride”, Tinashe prova que possui um potencial muitas vezes desperdiçado. Ela é uma das artistas mais provocativas e subestimadas de R&B da atualidade. Em muitos aspectos, essa mixtape é uma continuação dos sons mais experimentais de sua estreia.

A empolgação de “2 On” e “All Hands on Deck” não aparecem com frequência, porém, no geral, “Nightride” lembra o “Aquarius”. É um registro que está repleto de músicas sensuais, lentas e profundas de R&B. O clima do repertório é tão escuro quanto o título sugere. A mixtape começa com a introspectiva e alucinante “Lucid Dreaming”, uma faixa que proporciona uma sensualidade bem equilibrada. Sua letra é repleta de reflexões: “Eu fui pega no momento / Estive movendo de estado para estado / Não tenho certeza do que é mais pesado / O que está na minha mente ou no meu prato”. A faixa seguinte, “C’est La Vie”, também é uma canção de auto-empoderamento, com lentas batidas e um temperamento febril. “Sunburn”, por sua vez, é uma faixa sólida onde Tinashe começa a experimentar um ambiente bem-aventurado de R&B moderno e sombrio. Em seguida, ela dissipa as coisas com o interlúdio “Binaural Test”. Uma maneira leve de atrair a atenção do ouvinte para o impulso sonoro de “Sacrifices”. Essa canção, produzida por Metro Boomin, tem um verdadeiro potencial crossover. Possui uma batida poderosa, uma textura apropriada, ritmo trap e um refrão bem atrativo. Em seguida, uma energia temperamental pode ser encontrada no single “Company”. Produzida por The-Dream, essa canção traz um efeito juvenil, sintetizadores nos versos e uma batida constante.

É um número de R&B alternativo e soul, com vocais sensuais e harmonias bem lisas. Sobre o conceito da música, Tinashe descreveu como “não ser comprometida com alguém, mas ainda assim ser feliz”. Diferente das músicas anteriores, a sétima faixa, “Soul Glitch”, é um pouco sem inspiração e vocalmente fraca. Antes da hipnótica “Spacetime”, Tinashe usa tons meticulosos para pintar um romance jovem adulto em “You Don’t Know Me”. Uma música que se esforça para ser experimental. Não possui o mesmo apelo de “2 On”, no entanto, tem sua própria substância. O fluxo já conhecido de “Party Favors”, produzida pelo trio Illangelo, Vinylz e Boi-1da, é uma das melhores músicas de todo o álbum. Da mesma forma, “Touch Pass” é uma das canções mais radio-friendly e de maior potencial para single. Não é um poderoso banger, em vez disso tem seus pés fincados no R&B do passado, com um ambiente meticulosamente melódico, lúdico e soulful. Da mesma forma, “Ghetto Boy” faz o final do álbum soar ainda melhor. Produzida por Dev Hynes e co-escrita por Nicola Roberts (ex-Girls Aloud) e Babydaddy (Scissor Sisters), é uma música romântica e totalmente requintada em sua musicalidade. Em suma, os pontos fortes do “Nightride” superam facilmente os pontos fracos. Tinashe explora um bom conceito, mantém um repertório coeso e faz uso de boas experimentações sonoras. A estética utilizada pela cantora só deve ter feito a expectativa para o seu próximo álbum aumentar.

Favorite Tracks: “Sacrifices”, “Company” e “Party Favors”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.