Resenha: Tinashe – Aquarius

Lançamento: 03/10/2014
Gênero: PBR&B, R&B e Pop
Gravadora: RCA Records
Produtores: Tinashe, Tim Blacksmith, Mike Nazzaro, Danny D., Ritz Reynolds, DJ Dahi, Blood Diamonds, Boi-1da, SykSense, Sango, DJ Mustard, Redwine, DJ Marley Waters, Jasper Cameron, Detail, The Order, Stargate, Cashmere Cat, Evian Christ, Osinachi Nwaneri, Mike Will Made It e Michel Heyaca.

Tinashe começou sua carreira no mundo do entretenimento aos 3 anos de idade, quando passou a modelar e atuar. Como atriz ela fez sua estreia em 2000 no filme “Cora Unashamed”, e apareceu no sucesso de bilheteria “O Expresso Polar” ao lado do ator Tom Hanks. De 2008 a 2009, Tinashe também teve um papel recorrente na comédia americana “Dois Homens e Meio”, como Celeste, a namorada de Jake. Posteriormente, em 2012, lançou duas aclamadas mixtapes, “In Case We Die” e “Reverie”, e assinou contrato com a gravadora RCA Records. Em novembro de 2013 lançou mais uma mixtape, “Black Water”, enquanto em janeiro de 2014, começou a fazer sucesso com o single “2 On” em parceria com o rapper ScHoolboy Q. Antes disso, também fez parte do grupo feminino The Stunners, ao lado das amigas Marisol Esparza, Allie Gonino, Hayley Kiyoko e Kelsey Sanders, que chegou a abrir shows da turnê de Justin Bieber.

O grupo chegou a assinar com a Columbia Records e lançar um EP, entretanto, se desfez em 2011, ano do qual Tinashe já começou a sua carreira solo. O seu primeiro álbum de estúdio é o “Aquarius”, lançado em 03 de outubro de 2014 e de significado astrológico em homenagem ao signo da cantora. É um álbum de PBR&B (termo usado por especialistas para descrever um som alternativo de R&B contemporâneo), R&B e Pop. A sua produção foi caracterizado como sendo sintético, com batidas minimalistas e eletrônicas. A composição do álbum atraiu comparações com uma variedade de artistas, incluindo The Weeknd, Aaliyah, Cassie e Ciara. A maioria das canções foram escritas por Tinashe, que também serviu como produtora executiva, ao lado de Tim Blacksmith, Mike Nazzaro e Danny D. Tanto sua produção, como letras e temas, também foram bastante elogiados pela mídia internacional, que as comparou com o trabalho de Janet Jackson.

Em sua semana de lançamento, “Aquarius” estreou em #17 na Billboard Hot 100, vendendo 18 mil cópias em sua primeira semana nos Estados Unidos. Possui um total de 18 faixas (doze canções e seis interlúdios) e realmente oferece um som experimental maravilhoso. O seu time de produtores também é de alto nível, com nomes populares como Stargate, Boi-1da, Mike Made Will It, Detail, DJ Mustard, entre outros. Tinashe está inclusa nessa onda de talentosas e excêntricas artistas de R&B que surgiram nos últimos anos, como FKA twigs, Jhené Aiko, BANKS e K. Michelle. Ela é uma cantora jovem, muito atraente, tem uma bonita voz, amplo alcance vocal e o seu promissor primeiro álbum demostra que ela pode ser capaz de se manter firme na indústria musical. “Aquarius” conseguiu mostrar o melhor de sua bela voz, sendo uma amplificação do potencial de suas mixtapes, mas sem sacrificar a sua alma introspectiva que a fez tão especial.

Tinashe

Os interlúdios ambientes oferecem pouca coisa, mas o restante das canções compensam essa falha. A primeira delas é a faixa título, “Aquarius”, onde encontramos Tinashe com vocais irresistíveis, despretensiosos e confortáveis. No final da música, quase sussurrando, ela cumprimenta o ouvinte – “bem-vindo ao meu mundo” – apropriadamente dando o tom e a estética que caracteriza grande parte do álbum. A segunda canção, “Bet”, é um destaque. Sua produção, encomendada por DJ Dahi e Blood Diamonds, se aproxima dos níveis de ambição de Kanye West. Ela possui vocais arrojados, uma batida viciante e um bom solo de guitarra de cortesia de Dev Hynes (também conhecido como Blood Orange). A letra é uma declaração ousada de que ela vai ficar por aqui, quer você goste ou não (“I’mm be around forever, always you can bet on it”).

“Cold Sweat”, por sua vez, é uma das faixas mais dinâmicas do álbum, onde no decorrer de cinco minutos você percebe o quão versátil seu vocal pode ser. “Não pense que eu esqueci que estava sempre aqui”, diz ela sobre a batida encomendada por Boi-1da, que logo evolui para um pêndulo de sintetizadores. “Cold Sweat” é, sem dúvida, Tinashe em seu lado mais amargo, tenso e ao mesmo tempo glorioso, intercalando sussurrados que relembram Janet Jackson e falsetes do mesmo naipe de FKA twigs. Após o interlúdio “Nightfall”, de apenas 6 segundos, temos o primeiro single “2 On”, que é definitivamente um dos pontos altos do registro. A produção dessa espetacular e sensual música ficou por conta do onipresente DJ Mustard, ou seja, nela encontramos os “hey” em excesso, sintetizadores e a linha de baixo viciante, que já viraram marca registrada dele.

Para completar, a canção ainda conta com versos do ótimo rapper ScHoolboy Q, que faz o seu melhor para flexionar-se junto de Tinashe. Outra música incrível é “How Many Times”, sexta faixa, um congestionamento sexual atrevido e viciante. Falar de sexo é comum em qualquer registro de R&B com influência do hip hop, e no “Aquarius” não foi diferente. Aqui ouvimos Tinashe falando sobre ter sexo várias vezes em uma mesma noite (“How many times can we make love in one night”). A cantora alonga seus vocais de uma maneira muito sensual, que ainda lembra bastante o timbre de Rihanna. A música ainda conta com a participação do rapper Future, que me pareceu um pouco deslocado por conta do seu fluxo gaguejado, mas nada que tire o brilho de “How Many Times”. O segundo interlúdio, de 30 segundos, é chamado “What Is There to Lose”, onde Tinashe faz referências sobre o poder do amor.

Ele antecede o segundo single “Pretend”, que foi produzido por Detail e tem a boa participação do rapper A$AP Rocky. Com um ritmo mais lento, a canção tem um contexto mais obscuro e possui uma silenciosa e sinuosa linha de baixo. Essa música é realmente um destaque total, uma fantasia doce e viciante que explora mentiras que contamos a nós mesmos em nome do amor e da paixão. Mas também descreve um relacionamento frágil e dissimulado, que inclui luxúria e negação, como ouvimos Tinashe admitindo: “Vamos fingir que você nunca mentiu / Para que eu possa me entregar à noite toda (…) / Fingir que eu te dou tudo o que tenho / Fingir que eu estou lá quando eu não estiver / Fingir que eu me importo quando eu não me importo”. A boa sequência não para e, logo em seguida, temos o terceiro single “All Hands On Deck”, produzido por Stargate e Cashmere Cat.

Tinashe

É um crunk&b frenético onde encontramos Tinashe à procura de alguém para preencher um vazio em sua vida. Enquanto no instrumental temos uma flauta grudenta, uma linha de baixo ousada e uma batida que lembra as produções de Mustard. Em “Indigo Child” temos um estonteante e sombrio experimentalismo dirigido por Evian Christ, onde a voz de Tinhase está totalmente distorcida e sobre uma paisagem esparsa. Essa faixa prepara o ouvinte para “Far Side of the Moon”, outra boa mistura de R&B e hip-hop. Sua produção está no ponto, conduzida por uma percussão experimental, meio metálica e funky, que realmente consegue seduzir. Liricamente, é um dos momentos mais sinceros do álbum, onde ela canta: “Talvez apenas talvez eu estava enganado / Talvez pudéssemos ser perfeito”.

Passando pelo quarto interlúdio, “The Calm”, chegamos na faixa “Feels Like Vegas”É uma música crescente, polida, com batidas chicletes e um cativante refrão. Também produzida por Stargate, ela oferece um dos seus melhores desempenhos vocais do disco, com a cantora tomando uma rota minimalista de forma sensual guiada por um ótimo sintetizador. Ja na ótima “Thug Cry” Tinashe ostenta alguns doces falsetes, canção esta que foi produzida por Mike Will Made It. O cara combinou acordes de piano com uma boa dose de tambor, que deu uma atmosfera muito agradável para essa cativante canção de amor. No último interlúdio, “Deep In the Night”, ouvimos uma jovem (provavelmente a própria Tinashe) cantando sobre um piano ao vivo em pouco menos de 1 minuto. Sucedendo-o temos a balada “Bated Breath”, que mostra um pouco mais da versatilidade da cantora. Aqui, de forma emocional, profunda e com auxílio de um piano, Tinashe coloca toda a sua voz para fora.

Em “Wildfire”, novamente, o seu timbre está bem parecido com o de Rihanna, uma canção forte, potente, viciante e que, liricamente, marca a conclusão de um romance ruim que a cantora teve. Finalizando o registro temos a faixa “The Storm (Outro)”, que sendo fiel ao seu título, possui sons de trovões e chuva, simulando, dessa forma, uma tempestade. Em sua composição ainda encontramos baixos acordes de piano, que transmitem uma ideia de tristeza e lamentação. Concluindo, Tinashe definitivamente fez uma estreia maravilhosa com o lançamento desse álbum. Embora ela ainda não seja uma letrista substancial e os interlúdios em alguns momentos quebrem o seu fluxo, não há como negar que produção do “Aquarius” está vislumbrante. A habilidade vocal de Tinashe foi outro ponto crucial para a entrega de um ótimo material, que já está marcado como o espetacular começo da jornada musical da cantora. Super recomendo a todos escutarem esse disco e aproveitar para ouvir também a mais nova mixtape dela, “Amethyst”, que foi lançada, recentemente, em março deste ano.

Favorite Tracks: “2 On (feat. ScHoolboy Q)”, “How Many Times (feat. Future)” e “Pretend (feat. A$AP Rocky)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.