Resenha: Tiësto – A Town Called Paradise

Lançamento: 13/06/2014
Gênero: Eletrônica, Dance, Trance
Gravadora: Universal Music
Produtores: Tiësto, John Amatiello, DBX, Dan Book, Firebeatz, Carl Falk, Disco Fries, Dean Gillard, Hardwell, Oscar Holter, Sjoerd Janssen, Wouter Janssen, Kaaze, Karl-Ola Kjellholm, Matthew Koma, Alexei Misoul, Matt Nash, Justin Prime, Sultan Ned Shepard, Dave Silcox, Matt Ward e Rami Yacoub.

“A Town Called Paradise” é o nome do quinto álbum de estúdio do famoso DJ holandês Tiësto. Foi lançado em 13 de junho de 2014 com 14 faixas na versão padrão e precedido por dois singles: “Red Lights” e “Wasted”. Estreou na modesta #18 posição da Billboard 200, com vendas na primeira semana de 15 mil cópias nos Estados Unidos. É um álbum movido por pianos, guitarras e o trance, uma de suas marcas que sempre costuma agradar o público.  Para esse disco, Tiësto trouxe uma linha completa de incríveis artistas, que incluem Ladihawke, Icona Pop, Krewella, Matthew Koma e Zac Barnett (vocalista da banda American Authors).  Em entrevista recente, Tiësto afirmou que metade do disco, “não é trance, mas é influenciado pelo começo da minha carreira. E a outra parte é dance music e baseada na música indie rock”. De acordo com ele, a mudança aconteceu por ser inevitável: “depois de um tempo, eu mudei. Minha vida mudou. Não estamos mais em 2001”.

“(…) Eu gostaria de fazer a música ter a relevância que tinha, mas todo mundo evolui. Seria chato para os meus fãs se eu fizesse a mesma música por 15 ou 20 anos”, finalizou. O título do álbum é inspirado em Las Vegas, onde Tiësto ocupou várias discotecas e festas na piscina de residências ao longo dos últimos anos. Para ele, Vegas é a sua cidade e a chama de paraíso, como ele mesmo disse em um comentário referente ao álbum no YouTube: “Eu acho que, em geral, um monte de gente tem uma cidade no mundo chamada paraíso. Então, eu acho que todo mundo pode se relacionar com ela, que você pode ir para a sua própria cidade que chama de paraíso”. “A Town Called Paradise” é certamente um registro com sons da assinatura de Tiësto que, ao longo dos anos, já passou pelo trance, eletro e house progressivo. Ele tem, por vezes, uma vibe mais suave e, como o próprio já mencionou, algumas das faixas aqui possuem influências do indie-rock.

Tiësto

Os vocais e produção da lenda do trance holandês trouxe a este álbum um som que parece quase ser um desperdício. Tiesto está claramente tentando agradar a multidão mainstream, metade das canções aqui são bem radio-friendly, enquanto as outras já estão esperamos obter o remix que merecem. Os maiores fãs do DJ criticaram essa mudança para um som mais comercial, no entanto, é compreensível que depois de décadas de produção de enchimentos trance e EDM, ele tenha o direito de criar um álbum com outros experimentos e estilos diferentes. O primeiro single, “Red Lights”, abre o disco muito bem e traz vocais sem créditos de Michel Zitron, que co-escreveu a música. Essa canção já mostra uma pequena mudança musical no trabalho de Tiësto. “Red Lights” apresenta o DJ experimentando novas coisas, através da incorporação de elementos acústicos e na tentativa de adaptar-se a expansão do mercado EDM.

É realmente uma canção muito boa, com versos melancólicos que conseguem transmitir bastante emoção. “Footprints” possui uma boa estrutura, além de uma melodia de alta-frequência essencialmente melódica e intercambiável. É inspirada pelas viagens de Tiësto, fala sobre como ele deixou suas impressões nos fãs e em pessoas pelo mundo. “Light Years Away” é uma grande explosão conduzida pelos vocais soulful e estilo rock de DBX. Em alguns momentos essa faixa lembra os anos 1990 e a banda 3 Doors Down. A sua batida principal carrega um eco sutil nos vocais, um toque muito agradável. A faixa-título, “A Town Called Paradise”, com participação de Zac Barnett, do American Authors, é um dos números mais sólidos do álbum. É uma faixa inspirada pelas experiências do DJ em Las Vegas. Ela começa com uma linha de piano que conduz os primeiros vocais de Barnett que, em seguida, cai em um maravilhoso tom melódico.

“Written In Reverse” é uma colaboração profundamente significativa entre Tiësto e o seu ex-pupilo Hardwell, que hoje também é um grande DJ. Essa faixa inclui os vocais de Matthew Koma que, sem dúvida, é um dos melhores vocalistas de música eletrônica. É uma canção comovente e alimentada por uma melodia muito estimulante. A princípio, os vocais de Andreas Moe em “Echoes” são bem assombrados, mas, logo depois, dá lugar a um acúmulo vocal que parece ser influenciado por “Million Voices” do DJ sueco Otto Knows. “Last Train”, por sua vez, acrescenta bons vocais de Ladyhawke, que contribuiu para transformá-la em uma canção bastante comercial. Ao lado do produtor e também holandês Firebeatz, Tiësto criou uma trilha melódica com acúmulos espirituosos. A letra parece contar uma história onde Ladyhawke lamenta que o seu amante está partindo no último trem de volta para casa.

Tiësto

“Wasted”, segundo single, também apresenta vocais de Matthew Koma, que co-escreveu a música com Tiësto e o duo australiano Twice as Nice. Possui uma batida que é agradavelmente diferente e pode ser considerada um dos destaques do registro. É a música mais comercial e não podemos negar que consegue seduzir os novos ouvidos com facilidade. “Let’s Go” também destaca-se, graças a boa colaboração com o duo sueco Icona Pop. Uma canção de alta energia, que faz você querer sair dançando por aí. “The Feeling” começa com uma batida eletropop e possui influências de rock alternativo, enquanto “Shimmer” possui cordas orquestrais e um impressionante vocal em falsete de Christian Burns. “Rocky” é a única faixa do disco totalmente instrumental, o seu título, segundo Tiësto, foi inspirado por uma música dos anos 1980. A penúltima faixa, “Close to Me”, é outro exemplo de influências do rock alternativo. Uma canção com uma queda enorme de energia que apresenta Quilla, artista que já havia aparecido em trabalhos anteriores do DJ, Sultan e Ned Sheppard nos vocais.

“Set Yourself Free”, com Krewella, é uma poderosa música sobre se deixar ser livre e fiel ao seus reais desejos. A fama internacional de Tiësto começou em 2001 e, depois de todos esses anos, ele é conhecido como um dos maiores DJs da atualidade. Em 2012, inclusive, ele foi apontado pela revista Forbes como o mais bem pago do mundo. O EDM mudou a música pop e, agora, o pop está mudando o veterano Tiësto. Ele é um dos líderes da música eletrônica e o “A Town Called Paradise” parece calibrado para mostrar o seu potencial pop. Esse é um caminho que concorrentes, como David Guetta, Calvin Harris e Avicii, também utilizam. O álbum é excelente para tocar em um festival, local onde as pessoas estão lá apenas para curtir um som agitado, dançar e pular. Porém, para ser justo e sincero, o álbum não possui muitas canções memoráveis e apenas será bom, especificamente, para agitar uma boa noitada.

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Favorite Tracks: “Red Lights”, “A Town Called Paradise (feat. Zac Barnett)”, “Wasted (feat. Matthew Koma)”, “Let’s Go (feat. Icona Pop)” e “Set Yourself Free (feat. Krewella)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.