Resenha: The xx – I See You

Lançamento: 13/01/2017
Gênero: Indie Rock, Dream Pop, Dance Alternativo
Gravadora: Young Turks
Produtores: Jamie Smith e Rodaidh McDonald.

Com “I See You”, a banda inglesa The xx lançou o seu primeiro álbum em quase cinco anos. A estreia da banda aconteceu em 2009 e foi um divisor de águas para o indie-rock. Oito anos depois, muita coisa mudou. A própria banda fragmentou-se em diferentes direções. O surgimento de Jamie xx como produtor solo no ano passado, aumentou ainda mais o interesse do público para o “I See You”. De qualquer forma, o trio permaneceu em grande parte num território familiar com este novo álbum. The xx parece muito confortável em todo o repertório, e joga com as forças individuais de cada membro. Este é um grupo que assumiu uma pressão para permanecer fiel às suas raízes. A principal diferença entre este projeto e os outros dois, é a forma como a banda abraçou amostras e áudios. Isto é muito evidente, algo que nasceu a partir do amor de Jamie xx por um som dance. O minimalismo pelo qual eles são conhecidos ainda é uma grande força, mesmo que os vocais tenham ganhado o centro do palco. É uma nova façanha para um trio assumidamente tímido.

Nos álbuns “xx” (2009) e “Coexist” (2012), suas vozes eram mergulhadas na música como uma névoa densa. Porém, agora os vocais estão no centro, com bordas mais nítidas e claras. O primeiro single, “On Hold”, é talvez o melhor exemplo do som otimista da banda. Uma música indietronica composta por bateria e refrão fantástico, que faz qualquer um dançar. A faixa de abertura, “Dangerous”, começa com um alto toque de trompas, antes de fornecer um sulco excitante. É uma das músicas mais dançantes já criadas pela banda. Sem dúvida, é uma nova e ousada experimentação para eles. O refrão central, cantado por Romy Madley Croft e Oliver Sim, soa tão verdadeiro quanto qualquer coisa que eles já escreveram antes. Nos álbuns anteriores, The xx foi impulsionado pela delicadeza de seus arranjos e poder emocional. “Dangerous” mostra vislumbres de um trio que sacrificou isso em troca de uma nova energia. A faixa seguinte, “Say Something Loving”, mostra a capacidade da banda de entregar emoções complexas de forma simples e direta.

É uma balada efusiva, tranquila e confiante, que mostra o quanto o trio aprimorou seus talentos. Essa música traz à tona o estilo mais tradicional deles, com brilhantes tons de R&B e vocais angelicais. “Lips”, por sua vez, acena mais para o hip-hop, enquanto vocais etéreos preenchem qualquer lacuna que possa surgir. Aqui, a percussão decora o arranjo de forma incrivelmente evocativa. Em seguida, o ritmo cai ligeiramente à medida que somos deslumbrados com o suave desempenho de “A Violent Noise”. Um pulso de teclas distorcidas e bateria sincopada cooperam para fornecer uma das melhores composições do álbum até agora. Com certeza, a forma mais tradicional do The xx ainda está presente nesse álbum. “Performance”, por exemplo, é uma canção sombria que está cheia de emoção e incríveis vocais. Nessa música, a voz de Romy Madley Croft está poderosamente dolorosa e deprimente. Sua voz está alinhada entre um drone de guitarra e cintilantes cordas, que resultam em algo bem mais tradicional.

A excelente sexta faixa, “Replica”, tem uma maior influência pop distintamente dos anos 80, enquanto “Brave for You” possui uma vibe mais futurista. “I Dare You”, por outro lado, é mais vintage e recicla algumas ideias antigas da banda. É uma música muito forte, bem executada e grudenta. A última faixa, “Test Me”, foi a escolha perfeita para encerrar o repertório, pois é muito mais vanguardista do que o resto do álbum. The xx é realmente um trio maravilhoso. A impressionante produção de Jamie xx e a escrita poderosa de Oliver Sim e Romy Madley Croft resultaram num trabalho incrível. Este álbum encarnou tudo que a banda representa. Aqui, ao lado de um risco criativo, temos um conteúdo lírico brutalmente honesto e vulnerável. Sem ficar preso no passado ou avançar bastante, The xx conseguiu provar o seu valor com outro lançamento excepcional. “I See You” é, sem dúvida, um dos melhores álbuns do ano, até o presente momento.

Favorite Tracks: “A Violent Noise”, “Replica” e “On Hold”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.