Resenha: The Weeknd – Starboy

Lançamento: 25/11/2016
Gênero: R&B, Pop
Gravadora: XO / Republic Records
Produtores: Don McKinney, The Weeknd, Ali Payami, Ali Shaheed Muhammad, Ben Billions, Benny Blanco, Bobby Raps, Boaz van de Beatz, Cashmere Cat, Cirkut, Daft Punk, Daniel Wilson, Diplo, Frank Dukes, Jake One, Jr. Blender, King Henry, Labrinth, Mano, Max Martin, Metro Boomin, Prince 85, Sir Dylan e Swish.

“Starboy” é o terceiro álbum de estúdio do cantor The Weeknd, que continua quase na mesma veia do seu antecessor. O canadense sugeriu que iria reinventar-se com este álbum, mas isso acabou não acontecendo. Colaborações com nomes como Daft Punk, Lana Del Rey e Kendrick Lamar são alguns pontos positivos. Cinco anos depois de lançar seu EP de estreia, “House of Balloons”, que explorava o R&B contemporâneo, o cantor de Toronto encontrou uma abordagem singular para seus trabalhos. Hoje em dia, todos estão familiarizados com sua música, que expressa o amor em muitas formas. Seus álbuns costumam mostrar suas incursões atrás de mulheres, enquanto possui batidas sintetizadas que já tornaram-se sua marca registrada. “Starboy” mostra um homem que literalmente não tem nada de novo a dizer, mas que vende uma música muito atraente. The Weeknd conseguiu fazer uma boa transição do R&B contemporâneo para o mundo pop nos últimos anos, quando lançou o disco “Beauty Behind the Madness” (2015).

Para os seus fãs de longa data, “Starboy” pode não parecer o seu melhor trabalho. Afinal, é um disco que progride em uma direção mais eletrônica dos que seus álbuns anteriores. Um dos maiores charmes desse registro é sua ampla gama musical, em comparação com os seus outros álbuns. Em meio as melodias cativantes e grandes produções, “Starboy” é uma trilha sonora muito agradável e nostálgica. Suas letras, marcadas pela insegurança, abuso de drogas e álcool, busca pelo amor, observações afiadas, neuroses juvenis, reflexões misóginas e emoções neuróticas, são mais do mesmo. Entretanto, seu falsete auto-sintonizado e a sensibilidade de sua voz, continuam sendo muito eficazes. Como já mencionado, o álbum explora muito do mesmo território dos discos “Kiss Land” (2013) e “Beauty Behind the Madness” (2015), porém, com uma maior ênfase no romance e uma abordagem menos séria. Felizmente para The Weeknd, profundidade lírica não é algo que as pessoas realmente procuram nele.

A principal falha do álbum está no seu tamanho gigantesco. Há muita variedade em seu interior, mas no decorrer de 68 minutos e 18 faixas, o álbum começa a arrastar-se conforme progride. As últimas canções são muito boas, mas até lá o ouvinte já começa a sentir uma ligeira fadiga e cansaço. A faixa-título, “Starboy”, abre o álbum e é, sem dúvida, a melhor canção encontrada por aqui. Uma música eletropop com letras que abordam as extravagâncias da vida de um famoso. É uma canção que define de forma elegante o tom para o que está por vir. É uma mistura perfeita do seus trabalhos mais comerciais com a borda escura de suas mixtapes. Isso é, em grande parte, devido a colaboração com Daft Punk. The Weeknd uniu o seu escuro R&B com o som nu-disco dos franceses, a fim de criar um eletropop muito viciante. Além de “Starboy”, o duo Daft Punk também é creditado na excelente “I Feel It Coming”, última faixa do álbum. Uma atraente canção com influências que tentam capturar a nostalgia dos anos 80.

Sua melodia é muito atraente e reminiscente de alguns trabalhos de Michael Jackson. Há uma grande exibição de estilos nesse álbum, desde o R&B alternativo de “Party Monster” para a psicodelia da ótima “Secrets”. “Party Monster” não é necessariamente ruim, mas não faz uso de uma grande produção e lirismo. Em vez disso, The Weeknd optou por uma batida de sintetizador mais genérica. Liricamente, Abel mostra mais uma vez o quanto aprecia as mulheres e drogas em excesso. “Secrets”, por sua vez, é cantada em um registro vocal mais baixo e fala sobre o que está na mente de uma garota. É uma peça de new wave e synthpop, onde Abel incluiu algumas amostras de “Talking in Your Sleep” da banda The Romantics. The Weeknd brinca com o seu falsete usual nessa canção, mas cantando de um jeito muito mais profundo. O dance-punk “False Alarm” foi lançado como single promocional em 29 de setembro de 2016. Aqui, temos The Weeknd gritando durante o refrão e um experimento agressivo de EDM.

É uma tentativa interessante, embora não tenha me agradado tanto. Liricamente, é uma canção que também gira em torno das drogas, relações amorosas e materialismo. Na agradável “Reminder”, The Weeknd fornece algumas introspecções sobre sua fama e sucesso. Ele inclusive menciona um show de prêmios da qual ele ganhou com “Can’t Feel My Face”: “Ganhei um troféu de uma premiação infantil / Falando sobre o meu rosto numa mochila cheia de drogas / Caramba, não sou um exemplo para os adolescentes”. A próxima faixa, “Rockin'”, tenta claramente recapturar o som disco de “Can’t Feel My Face”. É uma canção up-tempo dançante muito atraente, mas quase uma cópia do single citado. Na encantadora “True Colors” The Weeknd canta sobre intimidade e tenta injetar alguma emoção real no álbum. O cantor implora para sua nova paixão revelar seus segredos mais profundos para ele.

“Stargirl Interlude”, com Lana Del Rey, é um complemento perfeito para “Starboy”. Uma canção adorável, porém, curta demais para criar alguma emoção real. A maravilhosa “Sidewalks”, com Kendrick Lamar, possui boas camadas de auto-tune emparelhadas com um rap brilhante e um fluxo lírico incrível. Após o apreciável refrão de “Six Feet Under”, boa parte do álbum torna-se um pouco esquecível por conta de uma sequência de faixas mais simples. “Love To Lay” contém boas batidas de tambor, um sintetizador atraente e um refrão contagiante e “A Lonely Night” mostra um lado eletro-funk. Enquanto isso, Abel confessa o seu amor em “Nothing Without You” e capta nossa atenção com “Attencion”, uma balada EDM com boas melodias e letra simplista. No mesmo lugar ouvimos tons de arrependimento em “Ordinary Life” e uma colaboração decepcionante com Future em “All I Know”.

No entanto, nenhuma dessas últimas faixas destacam-se mais do que a excelente “Die For You”. Nesta canção, percebemos o quanto The Weeknd sabe como escrever e produzir hits em potencial. É uma música muito diferente do que os fãs estão acostumados a ouvir do canadense. Com “Starboy”, The Weeknd se aventurou muito mais no universo pop. Enquanto os fãs poderiam esperar algo mais clássico de Abel Tesfaye, semelhante ao “Trilogy” (2012) ou “Kiss Land” (2013), o artista mergulhou de vez no pop. Sua voz única, falsetes e inspirações continuam sendo um ponto forte. “Starboy” continua demonstrando o quanto The Weeknd é um artista talentoso, isso é inegável. Entretanto, o principal erro de Abel não foi mergulhar no pop, mas sim decidir criar um projeto tão longo e cansativo. O álbum teria uma recepção muito melhor caso ele tivesse mantido uma tracklist com onze ou doze faixas. Eu gostei de várias músicas do álbum, mas, para mim, “Starboy” não superou seu antecessor.

Favorite Tracks: “Starboy (feat. Daft Punk)”, “Die for You” e “I Feel It Coming (feat. Daft Punk)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.