Resenha: The War on Drugs – A Deeper Understanding

Lançamento: 25/08/2017
Gênero: Heartland Rock, Synthpop, Americana, Neo-Psicodelia
Gravadora: Atlantic Records
Produtor: Adam Granduciel.

Após lançar o maravilhoso e épico “Lost in the Dream” (2014), para aclamação generalizada da crítica, a banda The War on Drugs divulgou recentemente o seu quarto álbum, “A Deeper Understanding”. Sem dúvida, a banda atingiu a estratosfera com o seu último álbum lançado sob um rótulo independente. Agora a banda faz parte de uma grande gravadora, “A Deeper Understanding” é o seu primeiro lançamento pela Atlantic Records. As dez faixas do álbum nos fornecem letras necessárias para decodificar algumas coisas sobre o estado de espírito do talentoso Adam Granduciel. As letras e os vocais de Granduciel, ao lado da instrumentação e arranjos, são o maior foco deste álbum. Enquanto os mesmos instrumentos são utilizados, as combinações mudam em cada música. Todas as músicas, exceto uma, possuem mais de 5 minutos de duração, com uma delas ultrapassando a marca de 11 minutos. Não há como negar que o líder Adam Granduciel é essencial para a banda, afinal ele escreve e produz todas as músicas. Ele domina o álbum e toca a maior parte dos instrumentos. Ao produzir e escrever todo o repertório, Granduciel criou solos exuberantes, graves acúmulos instrumentais, fortes tons de guitarras e deslizantes camadas de teclados. Liricamente, “A Deeper Understanding” gira em torno da solidão, alienação e sofrimento pessoal, embora cada música seja incrivelmente acolhedora. O trabalho de Granduciel serve para ele encontrar significado na totalidade das paisagens sonoras que ele mesmo criou.

Este registro possui clássicos hinos de rock que nos relembram as antigas canções de Bruce Springsteen e U2. Entretanto, The War on Drugs ainda soa fresca em grande parte por causa dos exuberantes sintetizadores e produção impecável. Como já sabemos, a banda sabe como aproveitar ao máximo as faixas mais longas. Consequentemente, eles permitem que músicas como “Up All Night” e “Nothing to Find” sejam desenvolvidas por completo. Começando com um toque familiar, “Up All Night” abre o álbum acompanhada de riffs de teclado, sintetizadores, percussão e camadas de instrumentos. Os vocais de Granduciel estão muito consistentes e ganham maior impulso à medida que a música progride. Na próxima faixa, “Pain”, a banda diminui o ritmo, mas ainda apresenta arranjos em camadas e excelente instrumentação. É uma música mais lenta com boas paisagens sonoras e solos de guitarra crescentes. O ritmo lembra o Fleetwood Mac, enquanto o baixo e bateria se movem completamente juntos. Todos os membros do The War on Drugs possuem um amor mútuo por Bob Dylan, e esse amor é evidente durante a faixa “Strangest Thing”. “Eu não tenho tudo o que preciso / Se estou apenas vivendo no espaço entre a beleza e a dor”, Granduciel canta aqui. Provavelmente, a melhor faixa de todo o álbum é a espetacular “Holding On”.

Essa canção abraça de forma mais consistente o gênero heartland-rock do seu último álbum, à medida que dirige-se com linhas de baixo, guitarras revigorantes e acordes de piano submersos. Essa pista tem um vigor que nos faz lembrar o quão bom é o disco “Lost in the Dream”. Inicialmente, ela começa com um sintetizador incrivelmente rítmico e distinto. Posteriormente, estabelece sua identidade com bateria, guitarra e teclados. Como de costume, Adam Granduciel soa excelente vocalmente, principalmente por mostrar mais dos seus tons exuberantes. Logo no primeiro verso, ele relembra: “Uma vez que eu estava vivo e eu podia sentir / Eu estava segurando você / E eu redefini o jeito que eu olhei para o amanhecer dentro de você / Eu desci uma estrada torta / Eu fui todo para fora da linha / Eu fui rejeitado, agora a luz girou e estou sem tempo”. Mais tarde, ele pergunta: “Podemos caminhar lado a lado? / É um membro antigo, apenas outra maneira de dizer adeus?”. Algumas perguntas vão surgindo à medida que suas emoções aparecem cada vez mais fortes durante o refrão. As letras possuem uma natureza poética e honesta, pois retrata a impulsividade e o amor. Os sintetizadores, às vezes, parecem um xilofone, mas são as guitarras e tambores que produzem o ritmo. Em alguns momentos, Granduciel parece o Bob Dylan, enquanto o ambiente urbano e pós-industrial nos fazem lembrar da força de Bruce Springsteen.

Todo o registro pinta um quadro incrivelmente positivo ao longo dos seus 66 minutos de execução. Mesmo em seus momentos mais suaves, como a sombria “Knocked Down”, há uma apreciação entusiasmada pelo universo. Aqui, linhas de guitarra arrebatadoras e adoráveis riffs de sintetizadores tecem sobre os nossos ouvidos. Melhor ainda é a épica “Thinking of a Place”, canção que possui mais de 11 minutos de duração. Esta faixa mostra que The War on Drugs não tem medo de explorar os seus limites criativos. A música serpenteia através de um incrível solo de guitarra, além dos ágeis vocais de Adam Granduciel. É um passeio de rock clássico que nos lembra alguns sons dos anos 80, especialmente o de Tom Petty e Don Henley. Além disso, é uma faixa particularmente linda que usa fortes vibrações de sintetizadores. Numa época em que as músicas dificilmente excedem os quatro minutos de duração, é bom ver The War on Drugs ir contra tal tendência. No melhor estilo Pink Floyd, Adam Granduciel e companhia criaram uma canção com grande potencial. O som etéreo do violão de Granduciel, combinado com a atmosfera sonhadora e percussão constante, é nada menos que brilhante. E, quando você acha que a música vai acabar, ela simplesmente continua. Isso pode dividir a opinião dos ouvintes, mas, para aqueles que gostam de se perder nos tons desta banda, certamente vão adorar.

Embora haja um brilho radio-friendly, “Thinking of a Place” é um trabalho expansivo que leva o seu tempo com solos de guitarra melódicos e mágicos interlúdios de sintetizadores. As letras e instrumentação desta canção nunca deixam ela perder o seu impulso. Dito isto, a eficácia de “Thinking of a Place”, assim como tantas outras faixas da banda, é a sua natureza discreta de construir tal poder cumulativamente. Nunca há uma explosão de energia, mas também não há qualquer pausa. Consequentemente, ela proporciona uma grande sensação de equilíbrio e coesão. Mais tarde, o álbum surge com uma música chamada “Clean Living”, a única faixa dominada pelo piano em vez da guitarra. Uma canção leve e encantadora com o selo de assinatura da banda The War on Drugs. Por fim, a lenta “You Don’t Have to Go” fecha o registro com uma combinação de guitarras, grandes vocais e ambiente nebuloso. Na mesma veia espiritual e mágica de Bruce Springsteen, The War on Drugs criou outra uma coleção encantadora. Apesar do enorme tempo de execução do álbum, a banda possui a grande capacidade de cativar o ouvinte e manter sua atenção. “A Deeper Understanding” realmente nos leva para um novo lugar através de suas contínuas camadas sonoras. Em suma, além de ser um dos melhores lançamentos de 2017, esse álbum também solidifica The War on Drugs como uma das melhores bandas de rock da atualidade.

Favorite Tracks: “Holding On”, “Strangest Thing” e “Thinking of a Place”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.