Resenha: The Veronicas – The Veronicas

Lançamento: 21/11/2014
Gênero: Pop Rock, Pop
Gravadora: Sony Music
Produtores: Alex Shield, Chris Loco, DNA, Dreamlab, Martin Hansen, Nellee Hooper, Roger Alan Nichols, Ruffian, Sandy Chila e Toby Gad.

Para quem não conhece, The Veronicas é um duo de pop-rock de Brisbane, Austrália, formado em 2005 pelas irmãs gêmeas Lisa Origliasso e Jessica Origliasso. Ano passado elas quebraram um hiato de 7 anos com o lançamento do seu terceiro auto-intitulado álbum de estúdio. Foi emitido em 21 de novembro pela Sony Music Austrália, após a sua saída da gravadora Warner Bros Records. O álbum veio para suceder o disco “Hook Me Up” lançado em 2007 e foi produzido no período de 2010-2014, contando com colaborações de Butch Vig, Nellee Hooper, Daniel Johns e o colaborador de longa data Toby Gad. A sua sonoridade é um pouco diferente do pop-rock e eletrônico de seus álbuns anteriores, com um som mais pop e inspirado por outros gêneros como o blues, trip hop, rock, grunge e rap. Em sua semana de lançamento estreou em #2 na Austrália, enquanto o primeiro single “You Ruin Me” estreou em #1 na parada de singles, onde permaneceu por três semanas. As Veronicas conseguiram amadurecer ao longo dos últimos anos, não apenas verbalmente, mas também estilisticamente. Isso após percorreram um longo caminho desde que surgiram há exatamente 10 anos e desfrutarem de uma quantidade moderada de sucesso comercial. A dupla, geralmente, faz performances ao vivo inesperadamente teatrais e criativas, e prometeram, antes lançar esse disco, retornarem com um som “pop progressivo” sem serem previsíveis. O registro é realmente experimental em alguns aspectos e vai desde baladas de coração partido, até agitadas faixas pop-rock e músicas eletrônicas minimalistas.

O material também apresenta ótimos vocais e belas harmonias na maioria de seu repertório. A faixa de abertura, “Sanctified”, é temperamental e deve ter assustado seus maiores fãs na primeira escuta, visto que a canção leva as garotas para um novo território artístico. Em vez de um divertido pop-rock, com vibrações otimistas, The Veronicas mergulha no blues com ênfase em intrigantes instrumentais e baixas performances vocais. Musicalmente, é apoiada por guitarras elétricas, sintetizadores, um baixo pesado e vocais de apoio tingido de gospel, além de apresentar letras melancólicas. “Sanctified” é definitivamente diferente de qualquer coisa que elas fizeram antes. É uma opção forte e muito incomum para abrir o álbum, em comparação com as canções habituais que a dupla produz. Em seguida, elas voltam para um território mais familiar em “Did You Miss Me (I’m a Veronica)”, que traz uma batida eletrônica atrevida. É o tipo de música que, provavelmente, seus fãs estavam esperando para ouvir há sete anos. Ela reforça a reinvenção das irmãs com a criação de músicas inspiradas por EDM e rap, com uma mensagem cheia de atitude e feroz (“Então, querido, me diga, você sentiu minha falta? / Você realmente achou que eu tinha ido embora?”). Além da ligeira batida, sintetizadores pesados e do refrão matador, a canção ainda entrega um poderoso solo de guitarra. Começando com um riff bacana e uma batida cativante, a up-tempo “Cruel” é, sem dúvida, uma das músicas mais comerciais do disco.

Os vocais das irmãs realmente tomam o centro das atenções aqui, especialmente, no contagiante refrão empurrado por um pesado sintetizador. Lançada como single promocional antes da estreia oficial do álbum, “Line of Fire” parece ter sido escrita e gravada durante as fases iniciais do desenvolvimento do registro. As letras vulneráveis serviram para desabafar uma frustração causada por um relacionamento conturbado, onde as garotas observam todos os sinais que apontam para o fim de uma paixão. Sonoramente, é um pouco mais escura do que as demais, incorporando guitarra elétrica, baixo, sintetizador e batidas industriais que cooperaram para a formação de um som mais maduro e sexy para o álbum. “Teenage Millionaire”, quinta faixa, é uma alegre canção de amor, com acordes fáceis, eufóricos e descontraídos. Pela primeira vez no repertório, The Veronicas parecem estar realmente felizes. “Nós não precisamos de nenhum avião a jato / Nós não precisamos de nenhum veículo / Baby, quando você me beija / Sinto como se eu pudesse voar”, elas cantam. Com essa faixa o duo entra em um território oitentista, com batidas dance progressistas e disco, com elas lindamente harmonizando suas vozes por toda parte. “Teenage Millionaire” é tão cativante e jovial que, inclusive, não soaria fora do lugar, se estivesse presente no álbum “Teenage Dream” da Katy Perry. Logo em seguida, o registro dá mais uma reviravolta com a primeira balada, intitulada “Born Bob Dylan”. É uma música que tem uma canalização emocional, com um som acústico do violão mantendo as coisas otimistas.

Seu conceito é muito simplista, mas as letras são fortes e sentimentais, com a dupla entrando em uma exploração profunda sobre coisas que muitas vezes percorrem na vida, como o amor e a perda. Não há nenhuma produção inesperada ou escandalosa, apenas vocais honestos apoiados por cordas, batidas reluzentes e um ligeiro aceno para o country-pop. “Always”, por sua vez, é uma canção emocionante conduzida por uma batida simples de tambor, acordes de piano e uma seção de cordas ocasional. Dificilmente The Veronicas cantam alguma música que não foram escritas por elas, mas composta pela talentosa Emeli Sandé, essa foi uma das exceções. Graças a produção mais suave e minimal, a dupla teve oportunidade de mostrar mais de sua forte capacidade vocal, atingindo, algumas vezes, notas bem altas. Contagiante, atrativa, bonita e totalmente pop, isso define a oitava faixa do repertório: “Mad Love”. Outra canção de amor conduzida de forma otimista, que está longe de ser inovadora, mas possui uma fórmula muito eficaz. Abrindo com batidas eletrônicas e seguindo com uma linha de sintetizador, essa faixa explora o conceito de uma relação disfuncional com raps brincalhões, ritmos cativantes e um refrão irresistível. O primeiro single do álbum, “You Ruin Me”, é certamente um dos destaques. Uma balada incrivelmente crua, dramática, acompanhada por algumas seções de cordas e um triste piano. A beleza dessa canção encontra-se, principalmente, na emoção pura, honesta, pessoal e na brilhante entrega vocal das irmãs Veronicas.

“More Like Me” é outra canção bastante agradável e explosiva, com um kit de bateria, guitarra e teclado, sendo tocados com uma gama incrível. Sua ótima vibe pop-rock e as raízes eletrônicas do duo são entregues a todo vapor aqui. Mesmo não possuindo um conteúdo lírico excepcional, é interpretada com uma enorme confiança vocal. O segundo single “If You Love Someone” é uma faixa divertida, up-tempo, muito radio-friendly e simplesmente irradia positividade, com mensagens inspiradoras sobre amor e aceitação. Aqui, as gêmeas aconselham durante o contagiante refrão que, “se você ama alguém, diga-lhe agora mesmo, se você ama alguém, você tem que fazer um som”. O uso de riffs progressivos de guitarra acústica, as simples batidas de tambor e os ganchos pop, conseguiram criar harmonias muito doces. Na faixa doze, “Cold”, encontramos as garotas lidando com erros nos relacionamentos e traumas emocionais. Elas conseguem elevar seu nível de vulnerabilidade e autenticidade com essa canção, que é tanto implacável como inflexível. O desempenho vocal dela é emocionalmente carregado e dependente de palavras faladas, que deram um charme muito maior para a mesma. Enquanto o refrão a transforma em uma poderosa balada pop impulsionada pelo piano e com vocais crescentes. “E estou morrendo aqui / E estou chorando por você e eu lembro / Mas agora você me faz arrepiar, você é tão frio”, elas cantam sobre um esforço sombrio. Chegando perto do fim do disco temos outra suave balada, sob o título “Let Me Out”É uma canção muito suave, acústica, com versos sólidos, harmonias bonitas e foco nos vocais das garotas.

Mas o álbum termina com a também acústica “You and Me”, uma bela canção que simboliza o incrível vínculo e amor que Lisa e Jessica sentem uma pela outra. Embora possa não ser a canção mais forte para se terminar o álbum, há definitivamente uma verdadeira honestidade e seriedade aqui, com elas cantando juntas em perfeita sintonia. Esse auto-intitulado álbum era para ter sido lançado originalmente em 2012, sob o título “Life On Mars”, mas as irmãs enfrentaram alguns problemas com sua antiga etiqueta e o projeto foi descartado completamente. Demorou algum tempo, mas The Veronicas foram capazes de escapar do antigo contrato com a Warner e re-assinar com a Sony Music, afim de terminar a gravação do seu mais recente esforço. Mas qual seria a melhor maneira para fazer um retorno, seu não fosse tão cheio de atitude e estilo? The Veronicas certamente conseguiu isso com esse registro, que possui uma produção sólida e algo para cada fã de música pop. Se você está à procura de baladas, canções de sucesso em potencial, melodias viciantes, letras relacionáveis ou apenas algo para dançar, eu posso afirmar que você encontrará aqui neste álbum. As faixas dele se equilibram exatamente entre o som antigo da dupla e novas influências progressivas. Em vez de um pop-rock nervoso, as irmãs experimentaram sons intrigantes e diferentes gêneros. Sete anos é muito tempo para esperar por qualquer projeto, muitos dos fãs das The Veronicas podem ter cansado, mas esse álbum ficou forte e agradável o suficiente, mesmo após tanto tempo de preparo.

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Favorite Tracks: “Cruel”, “Line of Fire”, “Born Bob Dylan”, “You Ruin Me” e “Cold”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.