Resenha: The Script – No Sound Without Silence

Lançamento: 12/09/2014
Gênero: Pop Rock
Gravadora: Columbia Records
Produtores: James Barry, Andrew Frampton, Steve Kipner, Danny O’Donoghue e Mark Sheehan.

A banda irlandesa The Script é composta pelo vocalista/pianista Danny O’Donoghue, o guitarrista Mark Sheehan e o baterista Glen Power. Foi formada em 2001 e atualmente tem sede em Londres, Inglaterra. Em setembro de 2014 eles lançaram o seu quarto álbum de estúdio, intitulado “No Sound Without Silence”. É o primeiro trabalho deles lançado através da Columbia Records e possui um total de 11 faixas. Em sua primeira semana de lançamento estreou no número #1 em quatro países, incluindo Reino Unido e Irlanda. The Script é uma das bandas irlandesas de maior sucesso dos últimos anos, com singles bem sucedido nas paradas musicais, como “The Man Who Can’t Be Moved”, “Breakeven (Falling to Pieces)”, “For the First Time” e Hall of Fame”.

Nesse álbum percebemos o trio irlandês se afastando um pouco da produção R&B do disco “#3” de 2012 e voltando a focar no pop rock melódico dos seus dois primeiros álbuns. Para a sua produção eles trabalharam, novamente, com o colaborador de longa data Andrew Frampton, que já havia ajudado na produção dos discos antecessores. Em grande parte escrito e gravado durante a turnê do disco anterior, “No Sound Without Silence” tem um som mais orgânico e uma tentativa de não perder a identidade da banda. O que acabou resultando em uma sonoridade bem óbvia. Danny O’Donoghue o descreveu, durante uma entrevista, como “uma prequela para o primeiro álbum. Um álbum que deveria ter saído antes do primeiro do The Script”. Os membros da banda também têm afirmado em várias entrevistas que estavam frequentemente gravando logo após os shows, porque o seu principal objetivo era transmitir a energia dos palcos para suas canções.

Para esse quarto álbum, como mencionado, eles optaram por jogar pelo lado seguro, e já percebemos logo na primeira faixa: “No Good in Goodbye”. Ela começa com um rosnado de guitarra e, em seguida, entrega letras carregadas de emoções sobre o amor e separações dolorosas (os principais temas em muitas das canções da banda). É uma canção sintética, com sons ambientes e vocais profundos, que assemelha-se, em alguns aspectos, as músicas do Coldplay. Aqui, o vocalista Danny O’Donoghue se pergunta em meio a uma progressão de piano inspiradora: “Onde está o lado bom em dizer adeus? / Onde está o lado bom em boa tentativa? / Onde está o “nós” na confiança perdida? / Onde está a “alma” no soldado?”. O resto do álbum segue esse mesmo padrão. Na verdade, em alguns momentos as músicas soam extremamente similar. A segunda faixa é “Superheroes”, canção lançada como carro-chefe do disco. Sua letra elogia os “heróis anônimos” e sua mensagem sobre não desistir é dirigida a eles.

The Script

O seu vídeo, inclusive, foi gravado em Joanesburgo, África do Sul, a fim de capturar a vida de pessoas normais que vivem em situação de pobreza e os que lutam a fim de sobreviver e superar os desafios da vida (“Quando você vem lutando por isso a vida toda / Você vem dando duro dia e noite / É assim que um super herói aprende a voar / A cada dia, a cada hora / Transforme a dor em energia”). Musicalmente, começa com uma breve introdução com instrumentos de corda e um riff de piano. É algo realmente pronto para tocar em arenas lotadas, pois é uma canção cativante, com um bom refrão e com o melhor do pop rock do The Script. Isso é seguido por “Man on a Wire”, uma canção pop rock agradável sobre amor e saudade, que consegue estimular o ouvinte. Lançada como terceiro single, ela descreve a obtenção sobre um relacionamento fracassado e compara isso com andar numa corda bamba (“Não, eu não posso olhar para baixo / Eu estou tentando lutar contra o sentimento / Vou cair no chão / Se eu nunca ver você / Porque eu sinto que estou andando em uma corda bamba”).

“It’s Not Right for You”, faixa quatro, traz uma boa melodia, frases inspiradoras, um coro ao fundo e uma forte batida de apoio para os vocais de Danny. Aqui, a banda incentiva as pessoas a fazerem o que gostam, porque eles tem apenas uma vida (“Antes que seja tarde demais e está matando você / Temos apenas uma vida para viver / Então, ame o que faz”). “The Energy Never Dies” segue, tanto liricamente como sonoramente, o mesmo caminho da faixa anterior. Desta vez eles falam sobre a transitoriedade do corpo humano e da imortalidade da alma. As percussões fazem a música soar muito otimista e esperançosa, ajudando assim, a transmitir o seu significado. A melodia relaxante da guitarra e as batidas contundentes fazem dessa uma canção bem digerível, mas não é necessariamente uma das mais memoráveis do álbum. Já em “Flares”, co-escrita por Ryan Tedder do OneRepublic, temos uma balada suave no piano com uma grande profundidade emocional.

The Script

Embora o refrão não seja tão excitante, é um rumo diferente concebido para o registro, visto que entrega algo diferente da sonoridade habitual do The Script. Outra mensagem de amor é apresentada em “Army of Angels”, uma canção pop-rock com sabor de R&B. “Se o ódio é veneno então o amor é a cura”, Danny canta. Aqui ele utiliza uma grande carga de metáforas para ilustrar as batalhas do seu coração. A oitava faixa, “Never Seen Anything ‘Quite Like You'”, é conduzida por um piano e violão, e consegue atingir um bom equilíbrio entre instrumentação elétrica e acústica. Seu conteúdo lírico e traz algo que toda mulher gostaria de escutar de alguém, entretanto, também é repleto de clichês. Tentando voltar às suas raízes irlandesas a banda traz a faixa “Paint the Town Green”, uma música muito otimista dedicada à nação de seu país de origem. É uma canção bem polida, estimulante, inspirada pelo punk-rock, música folk, além de ritmos tradicionais da Irlanda.

Logo em seguida, temos “Without Those Songs”, mais uma canção de amor. Nesse tipo de música eles, geralmente, são bons no que fazem, logo percebemos o quanto é uma música agradável. Acompanhada por instrumentos de corda e uma batida rítmica, é uma música com uma harmonização excelente para ouvir na praia ou numa noite ao redor de uma fogueira. Assim como em “Paint the Town Green”, a faixa de encerramento “Hail Rain or Sunshine” também se aprofunda de suas raízes irlandesas. Uma canção otimista sobre celebrar a vida, que inclui em sua composição ritmos tradicionais, violinos exuberantes e uma agitada percussão. Por fim, “No Sound Without Silence” é um álbum que toca em letras sobre o amor, desgosto, lutas, viver a vida em plenitude e mensagens de perseverança contra adversidades. Todas as guitarras, pianos, sintetizadores batalham para criar progressões interessantes em todo o funcionamento do álbum.

Danny O’Donoghue tem uma boa voz e seu canto é muito bom, mas no geral, o disco não é grande coisa, especialmente, na fraca segunda metade. Na verdade, para ser mais justo, somente as três primeiras músicas conseguem realmente algum destaque. Isso porque “No Sound Without Silence” é um album que não possui nada além do som típico do The Script e ainda peca em vários pontos, possui momentos superficiais e não é capaz de envolver o ouvinte a um determinado nível. O trio brilha em termos de entrega e produção, mas não conseguem a todo momento aprofundarem-se no significado de suas letras e não traz nada de novo ao repertório já conhecido deles. The Script é uma banda talentosa e bem sucedida comercialmente, mas a maior parte desse registro, é carente de criatividade e pouquíssimo variado sonoramente.

59

Favorite Tracks: “No Good in Goodbye”, “Superheroes”, “Man on a Wire” e “Without Those Songs”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.