Resenha: The Script – Freedom Child

Lançamento: 01/09/2017
Gênero: Pop Rock, Rock Eletrônico, Dance
Gravadora: Columbia Records / Sony Music
Produtores: Oscar Görres, Danny O’Donoghue, James “Jimbo” Barton, Mark Sheehan, The Messengers, Andrew Frampton, Steve Kipner, Max Farrar e Toby Gad.

Depois de quase três anos sem lançar nada, The Script retornou com o seu quinto álbum de estúdio, intitulado “Freedom Child”. Surgindo na cena musical em 2008 com o auto-intitulado “The Script”, Danny O’Donoghue, Mark Sheehan e Glen Power conseguiram um bom sucesso inicial no Reino Unido. Depois de um breve hiato, a banda optou por lançar um álbum com quatorze faixas. Cada material do The Script possui um som que reflete a cena musical atual. E, com “Freedom Child”, não foi diferente. É um material politicamente carregado inspirado por uma pergunta feita pelo filho de Mark Sheehan: “Pai, o que é terrorismo?”. Entretanto, embora possua uma premissa interessante, o registro fornece uma estética cansativa, previsível e um pouco banal. Nem todo o álbum fala sobre política, em vez disso The Script optou por incluir várias canções sobre o amor e não afastou-se de sua fórmula básica. Enquanto a banda adere um estilo habitual, tenta irradiar honestidade, otimismo e positividade. A faixa de abertura, “No Man Is an Island”, possui uma batida inspirada pelo reggae ao lado de letras totalmente familiares. Basicamente, é uma história otimista de alguém dizendo à banda que eles não estão sozinhos. Ponto positivo para a voz de O’Donoghue, que soa mais amadurecida em comparação com o antigo material da banda. O primeiro single, “Rain”, permite uma mudança de ritmo com teclados preenchendo-a.

O tom exala um pouco de mágoa, algo amplificado pela guitarra acústica e o baixo. Ademais, é outra canção onde o trio exibe o seu estilo de assinatura. A única verdadeira balada do álbum, “Arms Open”, é amplamente acústica e permite que os emotivos vocais de O’Donoghue fiquem no centro do palco. É uma canção despojada, reconfortante e emocionante sobre estar ao lado de quem você ama, independente de ser uma namorada, amigo ou parente. A sexta faixa, “Deliverance”, é provavelmente uma das mais cativantes, seja pelo som pesado ou ritmo acelerado. Ademais, possui um tom refrescante e relaxado emparelhado com algumas melodias temperamentais. The Script nunca foi uma banda politicamente carregada, no entanto, na faixa “Divided States of America”, o trio tentou fazer uma declaração consciente e mostrar sua visão sobre o estado atual do mundo. Nesta canção, o grupo canta linhas como: “Estados divididos da América / Estados divididos do mundo / Se não todos estivermos juntos / Vamos cair / Porque eles construíram essas paredes tão altas / Vamos alcançar essa grande divisão”. Os tambores parecem uma marcha mid-tempo, enquanto O’Donoghue canta sobre violência, ódio e discriminação. Produzida por Toby Gad, “Wonders” fala sobre abandonar o seu emprego e esquecer a vida cotidiana. Aqui, ele canta sobre fazer coisas que nunca fez, como dançar sob o sol do Rio de Janeiro, divertir-se em Las Vegas e andar pela Muralha da China.

Todos os três membros do grupo já têm mais de 30 anos de idade, entretanto, isso não os impede de fazer referências ao Tinder e pessoas solteiras em “Love Not Lovers”. Uma música que foca sua atenção aos relacionamentos fracassados pelos quais tantas pessoas passam. Sobre uma atmosfera inspiradora, “Written in the Scars” faz uma combinação consistente de tambores, chimbais e guitarras, enquanto o instrumental “Awakening” antecipa a última faixa, “Freedom Child”. Um bom encerramento sobre amar a vida em geral e não permitir que alguém controle você. Enquanto fornece um som familiar, é uma canção animadora e edificante. É uma das faixas mais liricamente simplistas do repertório, porém, com um maior impacto do que a maior parte do álbum. Segundo a próprio grupo, o título é uma descrição da sociedade de hoje, após os ataques terroristas de Manchester. Assim como as palavras da própria banda: “Não deixe que eles tomem sua liberdade, criança”. Com “Freedom Child”, The Script permaneceu em sua zona de conforto e segurança, para melhor ou pior. A banda tentou erguer um espírito otimista, entretanto, em muitos momentos, ofereceu um som plano demais. Enquanto inspiração e positividade irradiam o álbum, cerca da metade dele é sonoramente decepcionante. Algumas letras são admiráveis, porém, no aspecto composição algumas faixas deixam muito a desejar. Quando atingimos a metade do álbum, rapidamente ficamos entediados com o som pop exageradamente polido.

Favorite Tracks: “Arms Open”, “Deliverance” e “Freedom Child”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.