Resenha: The Ready Set – I Will Be Nothing Without Your Love

Lançamento: 08/04/2016
Gênero: Eletropop
Gravadora: Hopeless Records
Produtor: Jordan Witzigreuter.

Sete anos se passaram desde que Jordan Witzigreuter, também conhecido como The Ready Set, compartilhou o seu primeiro álbum com o público. Com o lançamento da música “Love Like Woe”, Witzigreuter conseguiu o seu primeiro hit top 40 nos Estados Unidos e atraiu atenção para o seu projeto. Tanto que ele chegou a ser contratado da gravadora de Pete Wentz, baixista do Fall Out Boy. Witzigreuter criou o The Ready Set no porão de sua casa em Indiana e é o único membro do ato, enquanto utiliza uma banda de apoio durante a turnê. O seu mais novo álbum, “I Will Be Nothing Without Your Love”, foi lançado em 08 de abril de 2016. Apesar do título cheio de angústia, esse novo registro mantém toda a essência açucarada e juvenil dos álbuns anteriores. Grande parte do repertório, composto por doze faixas, toma uma direção reminiscente do “Purpose” de Justin Bieber, enquanto são afogadas por sintetizadores eletrônicos a todo momento.

O ritmo eletropop é definido por uma atmosfera confortável e familiar para The Ready Set. Ele também não tem medo de adicionar alguns versos de rap para esquentar as coisas, embora não seja a melhor opção. As letras não possuem nada de especial, além de compartilharem histórias casuais de amor adolescente. Apesar de ser o seu disco mais maduro, ele continua a explorar histórias clichês que carecem de qualquer coesão. Enquanto as músicas são acessíveis, a natureza juvenil das letras não fazem grandes coisas para destacarem-se. Os sete anos que se passaram desde a sua estreia pouco fizeram para moldar ou alterar a atitude de sua música. Ao remover os poucos elementos de rock presentes no álbum “The Bad & The Better”, Witzigreuter deu maior holofote para os elementos pop surgirem com vigor. O tom de sua voz também continua sendo o principal retrocesso para os seus discos.

The Ready Set

Alguns infelizes deslizes como este e a grande falta de coesão, faz deste um verdadeiro álbum de The Ready Set. Mas, independente disso, não posso negar que há algumas canções muito cativantes escondidas dentro dele. Por qualquer meio, não é um grande registro, mas, em contrapartida, consegue entreter. “Disappearing Act”, faixa de abertura, por exemplo, é cativante e apresenta alguns bons licks de guitarra e cintilantes sintetizadores. É um ótimo divertimento e boa adição, sem grandes esforços, para o catálogo de The Ready Set. A letra, aparentemente, fala sobre se redescobrir e não ter medo de suas próprias ambições. “Being Afraid”, em seguida, faz utilização de amostras vocais, um baixo funky e uma boa percussão. As batidas eletrônicas conseguem manter o ouvinte conectado, enquanto as letras falam de superação. É outra faixa otimista e divertida, que faz uso de uma melodia bem catchy.

Em outros lugares, “Good Enough” pisa em um território tropical, com um clima refrigerado e uma vibe que lembra “What Do You Mean?” de Justin Bieber. Lançada como primeiro single, esta canção pode ser considerada o momento de maior impacto no álbum, pois sua melodia e batida tropical agarram a atenção com facilidade. Ela começa com uma introdução no piano, antes de fazer a transição para as batidas de tambor techno. Aqui, ele fala sobre ser a melhor versão de si mesmo para alguém que ama. “Tudo o que eu quero fazer / É apenas ser bom o suficiente / Bom o suficiente, bom o suficiente para você”, ele canta no refrão. “Concrete” é colocada no lado mais suave de The Ready Set, uma vez que apresenta vocais mais leves juntos de esperadas batidas techno. A letra é muito Jordan Witzigreuter, pois claramente percorre a gama do seu jogo rápido de palavras. Utilizando um sintetizador inflável e sons etéreos em sua base, a faixa “I Will Be Nothing Without Your Love” começa lenta e rítmica.

Após ganhar velocidade, conforme progride, apresenta um padrão eletrônico hipnotizante e uma seção de rap. A mesma batida techo das faixas anteriores marca presença, enquanto injeta uma maior riqueza e textura à composição. Liricamente, Jordan fala da ilusão de não conseguir ser tão grande quanto seus sonhos. Mantendo uma vibração semelhante a da faixa anterior, “Run with Me” ruge através de tambores e arejados sintetizadores. Embora seja uma canção de amor clichê, é incrivelmente envolvente, agradável e convidativa. Mudando um pouco o tom do álbum, “Should We Go Downtown” mostra um lado diferente de The Ready Set. Possui um ritmo moderado, coincidindo com os vocais leves e suave instrumentação de fundo. Sua natureza global é um pouco superficial, embora seja doce e um pouco melancólica. De acordo com o próprio Jordan, “Swim” é a segunda parte da faixa anterior. Por este motivo, ela compartilha um ritmo e alguns mecanismo semelhantes.

The Ready Set

É uma faixa atraente e um pouco narcótica sobre assumir novos desafios. Apesar de ser pouco memorável, possui letras convincentes, um adorável piano, viciantes batidas e consegue ficar melhor a cada escuta. “No Love”, com Ansley Newman, apresenta uma batida e vibração reggae, e acaba adicionando uma nova textura ao álbum. Enquanto pega um maior ritmo durante o refrão, o restante da faixa é bem descontraída e despojada. É uma canção divertida, que fala sobre os perigos da indústria musical. “First” mantém todo o aspecto do álbum, ao oferecer vibrações bem positivas e ensolaradas. Seu ritmo constante e contagiante refrão são um charme à parte, embora como um todo não seja um destaque. Incrivelmente otimista e entusiasmada, a faixa “Fire in the Sky” percorre através de dinâmicos vocais e um ritmo synthpop. É uma canção muito arejada, audaciosa e com claras influências oitentistas. Aqui, Jordan exibe seu falsete e fala sobre sua auto-descoberta.

A lenta e sóbria balada “See You” nos mostra um lado mais triste do cantor e encerra o álbum. Em seu conteúdo lírico a música carrega o mesmo tema de “Disappearing Act”, porém, com um significado ainda mais claro. É uma canção sobre a perda, salpicada com tons melancólicos e agridoces. A escolha de mudança de tom torna essa pista mais leve e suave que as demais, entretanto, a deixa fora do contexto da maioria. No seu auge, “I Will Be Nothing Without Your Love” cairia bem durante o verão, pois a maioria de suas canções irradiam uma beleza ensolarada e charmosa. Elas oferecem um eletropop demasiadamente bubblegum e são inegavelmente inocentes e cativantes. É um disco divertido, alegre e otimista o suficiente, como poderíamos esperar de The Ready Set. É um pouco melhor e mais convincente que o seu último álbum, porém, longe de apresentar qualquer evolução artística. Jordan Witzigreuter não cresceu como artista, no entanto, mais uma vez, criou um ótimo entretenimento para o público mais jovem.

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Favorite Tracks: “Disappearing Act”, “Being Afraid”, “Good Enough”, “I Will Be Nothing Without Your Love” e “Run with Me”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.