Resenha: The Pretty Reckless – Going to Hell

Lançamento: 12/03/2014
Gênero: Hard Rock, Rock Alternativo
Gravadora: Razor & Tie
Produtores: Kato Khandwala.

Formada por Taylor Momsen, Ben Phillips, Mark Damon e Jamie Perkins, a banda novaiorquina The Pretty Reckless lançou no ano passado o seu segundo álbum de estúdio, sob o título “Going to Hell”. É o sucessor do “Light Me Up”, que foi lançado em 2010 e conseguiu ser um sucesso moderado. “Going to Hell” foi lançado em 12 de março de 2014 pela gravadora Razor & Tie e estreou em #5 na Billboard 200, com vendas de 35 mil cópias em sua primeira semana nos Estados Unidos. Acabou tornando-se o primeiro álbum da banda a entrar no Top 10 dos discos mais vendidos em território norte-americano. É sempre difícil manter duas carreiras paralelas, mas Taylor Momsen faz isso com eficácia. Ela é conhecida não só pelos vocais crus e poderosos do The Pretty Reckless, mas também por seus papéis na televisão, especialmente, em Gossip Girl. Os temas presentes em “Going Hell” são bem ousados, começando por seu título (“Indo Para o Inferno”) e capa, onde Momsen exibe uma tatuagem em suas costas com um crucifixo e uma seta apontando para sua bunda.

O tom do registro é quase tão nu quanto sua capa. A banda assume uma identidade meio fabricada em cima do blues e country, além do rock alternativo e hard rock já apresentado anteriormente. Com um total de 12 faixas, “Going to Hell” parece ser um confessionário legítimo com todas as canções escritas por Taylor Momsen e Ben Phillips. Momsen, quando perguntada sobre sua escrita, respondeu que escreve canções que têm múltiplos significados mesmo incorporando a verdadeira inspiração, de tal forma, que os ouvintes nunca vão saber a faísca que criou determinada música. Enquanto “Light Me Up” foi formado principalmente por letras sobre sexo, drogas e estar fora de si, “Going to Hell” é baseado, em sua maior parte, em torno de situações desesperadoras, que nós nos encontramos enfrentando, seja através de nossos próprios erros ou circunstâncias além do nosso controle. Isso fica ainda melhor quando emparelhado com grandes guitarras.

É uma coleção que se move de forma dura e ás vezes irregular, com faixas mais pesadas e outras composições acústicas. Mas por incrível que pareça, ambas formas se movem de forma genuína com o trabalho vocal de Taylor. A guitarra e vocal de apoio de Ben Phillips também foi essencial para o disco, acrescentando bons riffs e um acentuado contraste vocalmente. Enquanto o baixo de Mark Damon e a bateria de Jamie Perkins foram capazes de flexionar bem o músculo musical do repertório. A primeira faixa é a sexualmente provocante “Follow Me Down”, que começa com som de chuva, sirenes, respiração profunda e gemidos que simulam um orgasmo. Essa música foi uma boa escolha para a abertura do disco, porque imediatamente define o tom para todo o registro. É uma boa faixa, que fornece acordes pesados, arranjos de impacto e mostra que o The Pretty Reckless pode entregar um hard rock potente.

The Pretty Reckless

A faixa-título, “Going to Hell”, vem logo em seguida. É um número com uma percussão bem orientada, um sintetizador temperamental e ancorado por um riff de guitarra excepcional e afiado. Taylor Momsen trabalhou habilmente o seu vocal para transformar essa canção em um verdadeiro grito de guerra. “Por favor padre, me perdoe / Eu não queria te incomodar / O demônio está em mim padre / Ele esta em tudo o que faço”, ela canta com ironia. Outro grande destaque do repertório é a faixa “Heaven Knows”, que foi lançada como primeiro single. Aqui, encontramos Taylor performando, juntamente com um coral de crianças, acompanhada por uma guitarra e uma ótima seção rítmica. Enquanto na letra percebemos a entrega de uma mensagem desafiante e um verdadeiro comentário social.

Na faixa quatro, “House on a Hill” temos a voz de Momsen flutuando naturalmente sobre uma melodia incrível. É uma música que começa com um violão e, sem dúvida, dá um toque mais suave para o álbum. O hard rock “Sweet Things”, por sua vez, é a faixa mais longa do registro e onde a banda trabalha com uma dinâmica vocal entre Momsen e o guitarrista Phillips. É certamente mais pesada que a canção anterior, no entanto, o que realmente deu uma gama a mais para ela foram os vocais melódicos da dupla. No extremo oposto a faixa seguinte, “Dear Sister”, é a mais curta, não ultrapassando sequer 1 minuto de duração. É basicamente apenas uma guitarra acústica e a voz de Taylor Momsen. “Absolution” é outra boa vitrine para o vocal dinâmico da vocalista, mas sem enfraquecer a força da mesma. Começa com um blues acústico, mas depois se move para fornecer vocais exuberantes, guitarras pesadas e interessantes arranjos.

The Pretty Reckless

Por ser mais leve, o rock alternativo de “Blame Me” parece que tenta levar o repertório para outro direção. Não é uma coisa ruim, até porque é uma boa canção, mas você consegue sentir que ela leva o álbum para outro rumo. O mesmo podemos dizer sobre “Burn”, uma curta balada acústica que se afasta das raízes hard rock do disco. No começo, inclusive, temos quase uma amostra de country, com um violão e alguns vocais em linha reta. Não me agradou tanto, mas não deixa de ser uma canção equilibrada, que mostra as habilidades vocais de Momsen em um nível muito mais limpo. Logo em seguida, o som da banda volta para números mais familiares como “Why’d You Bring a Shotgun to the Party”. Uma faixa mais pesada, que começa com o som de uma espingarda sendo engatilhada.

Essa possui um ambiente muito interessante, usando estilos vocais variados de Momsen, além de fornecer letras sarcásticas (“Porque você trouxe uma espingarda para a festa? / Todo mundo tem uma, não há nada de novo sobre isso / Quer fazer uma declaração? / Você deveria ter vindo sem ela”). “Fucked Up World” é empurrada principalmente pela percussão e, por incrível que pareça, também combina um pandeiro com elementos pop para criar uma música decididamente divertida. Mas o álbum fecha com a faixa “Waiting for a Friend”, canção com influências do country e folk, e conduzida por um dedilhado de violão. É, talvez, a música que mais se desvia do som pré-concebido pela banda. Aqui, o vocal de Taylor está totalmente doce e ainda têm aparições de uma gaita. O The Pretty Reckless tenta aliviar um pouco a dominação de bandas liderados por homens dentro do cenário rock.

E esse trabalho, cheio de atitude, rebeldia e coragem, é um registro feroz, divertido e determinado, que desafia em seu conteúdo lírico. É um álbum que demonstrou, mais uma vez, o verdadeiro talento do The Pretty Reckless. “Going to Hell” pode não ser um dos melhores discos de 2014, mas não deixa de ser uma coleção refrescante. Ainda há espaço para eles crescerem e, apesar de suas deficiências, as 12 faixas detém de alguns momentos muito poderosos. Praticamente todas as músicas são estruturadas com força, com bons solos de guitarra e vocais quentes da bela Taylor Momsen. Na mesma medida, liricamente o registro tem um sentido familiar em combinação com uma fachada de hard rock. Esta sonoridade hard rock intercala com sua essência, porém, nunca se afastando muito longe da fórmula que eles vinham trabalhando anteriormente. Se esse gênero está à procura de um rosto para preencher sua escassez no mainstream, certamente Taylor Momsen seria uma ótima opção para ocupar esta lacuna.

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Favorite Tracks: “Follow Me Down”, “Going to Hell”, “Heaven Knows”, “House on a Hill” e “Sweet Things”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.