Resenha: The National – Sleep Well Beast

Lançamento: 08/09/2017
Gênero: Indie Rock, Art Rock, Post-Punk Revival
Gravadora: 4AD
Produtores: Aaron Dessner, Bryce Dessner, Matt Berninger e Peter Katis.

O esperado sétimo álbum da banda The National foi finalmente lançado em 08 de setembro de 2017. “Sleep Well Beast” presta homenagens ao passado da banda, enquanto apresenta novos elementos. Dez anos já se passaram desde o clássico “Boxer” (2007), consequentemente, o grupo está um pouco diferente. Ao longo do repertório, cada nota, palavra e batida sente-se coesa. The National nunca foi uma grande banda política, mas a eleição de Donald Trump deu a eles uma sacudida necessária para criar algumas músicas temperamentais. “Sleep Well Beast” é talvez o álbum mais atmosférico e auto-indulgente do grupo até à data. Como a maioria das músicas lançadas na sequência das eleições de 2016, o álbum abre espaço para enfrentar o atual clima político norte-americano. Na canção mais estranha do repertório, “Turtleneck”, maníacas guitarras e vocais emotivos quebram a elegância das outras faixas, a fim de apontar o dedo para Trump. Sonoramente, todo o registro possui uma textura rica e vibrante. The National sempre chamou atenção por conta de suas obras-primas minimalistas, mas este álbum os vê experimentando alguns estilos diferentes.

O sucessor do brilhante disco “Trouble Will Find Me” (2013), é um projeto lento com algum experimentalismo eletrônico. Suas músicas realmente possuem laços eletrônicos, embora sejam completamente centradas na guitarra e piano. “Sleep Well Beast” é um registro impressionantemente belo, eufórico e igualmente triste, porém, com uma seda eletrônica em sua volta. A incrível qualidade lírica de Matt Berninger é refletida em cada canção do repertório. Enquanto isso, os excelentes arranjos transcendem da mesma forma que nos dois últimos lançamentos da banda. A única diferença é que “Sleep Well Beast” não é tão concentrado na melancolia, assim como os discos “High Violet” (2010) e “Trouble Will Find Me” (2013). Entretanto, sua audição e complexidade é tão gratificante quanto. O primeiro single, “The System Only Dreams in Total Darkness”, é um verdadeiro destaque e um espetáculo de música. Sinalizando uma mudança de direção de seus discos anteriores, esta canção explora o lado mais escuro da banda e oferece um vislumbre experimental. É uma pista pontuada por um riff de guitarra errático com harmonias e tons de Matt Berninger. Os tambores são classicamente elusivos, enquanto o lirismo é neurótico e melancólico.

Entretanto, o maior componente e peça central da música é a violenta guitarra. As partes mais afiadas de Bryce Dessner prepara o caminho para os belos vocais de Berninger. Essa música parece ter sido montada peça por peça, instrumento por instrumento. O trabalho da percussão de Bryan Devendorf, por sua vez, impulsiona a música para o seu clímax, com um solo de guitarra sem precedentes. “The System Only Dreams in Total Darkness” abre enigmaticamente com sons sintetizados e vocais harmônicos. Alguns segundos depois, o ritmo ancora as coisas. Teclado, violão, guitarra elétrica, baixo e bateria formam o pano de fundo para Berninger. Talvez, ele não seja o melhor barítono de todos, mas o tom de voz se encaixa perfeitamente. No primeiro verso, ele parece desapontado e enganado: “Talvez eu escute mais do que você pensa / Posso dizer que alguém vendeu você / Nós dissemos que nunca deixamos ninguém entrar / Nós dissemos que só morreríamos de segredos solitários”. Da mesma forma, o refrão continua com a mesma narrativa: “O sistema apenas sonha na escuridão total / Por que você está se escondendo de mim? / Estamos em um tipo de coisa diferente agora / Toda a noite você está falando com Deus”.

No último refrão, Berninger estica seus limites vocais e produz um desfecho de grande desempenho. Desde os sombrios acordes de piano da faixa de abertura, “Nobody Else Will Be There”, este álbum prova ser sobre separação, apesar de Berninger ter afirmado que não se trata de um material autobiográfico. “Você disse que não estamos tão amarrados / O que você quis dizer?”, ele suspira nesta canção. As cordas de piano examinam suas letras, enquanto a música cresce suavemente. Outra faixa de destaque, “Empire Line” começa com uma batida eletrônica e vocais em loop. Isto torna-se extremamente infeccioso, conforme Berninger canta: “Estive tentando ver aonde você está indo / Mas você é tão difícil de seguir”. Desde faixas como “Day I Die” até “Guilty Party”, The National nos presenteou com um dos melhores álbuns de 2017. Um pouco diferente, mas com a mesma propensão e qualidade dos melhores registros da banda, “Sleep Well Beast” encontra Berninger e companhia dando uma sacudida artística em suas vidas. The National evoluiu, mas manteve os principais pontos que os tornaram quem são. Em suma, “Sleep Well Beast” é um álbum que afasta qualquer tédio do ouvinte, enquanto é musicalmente cativante.

Favorite Tracks: “The System Only Dreams in Total Darkness”, “Guilty Party” e “Carin at the Liquor Store”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.