Resenha: The Kooks – Listen

Lançamento: 08/09/2014
Gênero: Indie Rock, Indie Pop, Rock Alternativo, Funky
Gravadora: Virgin EMI
Produtores: Luke Pritchard, Inflo e Fraser T Smith.

Formada em Brighton, East Sussex, em 2004, a banda The Kooks é composta por Luke Pritchard (vocal/guitarra), Hugh Harris (guitarra/sintetizador), Alexis Nuñez (bateria) e Peter Denton (guitarra/baixo). A formação da banda manteve-se constante até a saída de Max Rafferty em 2008, quando Dan Logan serviu como substituto temporário, até Peter Denton se juntar à banda permanentemente em outubro de 2008. No início de 2010, Pritchard também anunciou a saída do baterista Paul Garred, devido a um problema no nervo em seu braço, sendo substituído em 2012 por Alexis Nuñez, da banda Golden Silvers, que, eventualmente, se juntou à banda em tempo integral. Musicalmente, o The Koos é muito influenciado pelos movimentos da invasão britânica da década de 1960, bem como pelo post-punk revival do novo milênio.

Com canções descritas por muitos como “catchy as hell”, eles já fizeram experiências com vários gêneros, incluindo, rock & roll, britpop, pop, reggae, ska e, recentemente, funky e hip-hop. Contratados da Virgin Records desde 2006, o The Kooks já lançou quatro álbuns de estúdio, sendo o “Listen” o mais recente deles. Lançado em 08 de setembro de 2014, o álbum é formado por 11 faixas e, diferentemente do trabalho anterior, inclui elementos de jazz, gospel e R&B. “Listen” é o primeiro álbum a apresentar o novo baterista Alexis Nuñez e também marca a primeira vez que Tony Hoffer não produz um trabalho da banda. Em vez disso, The Kooks trabalhou com Inflo e Fraser T Smith. Gravado em Los Angeles e Londres, foi o primeiro álbum da banda depois três anos, o último (“Junk of the Heart”) foi lançado em 2011.

Após seu lançamento, “Listen” estreou no número #16 da parada de álbuns do Reino Unido e, infelizmente, não conseguiu atender às expectativas comerciais estabelecidas pela banda com seus discos anteriores. The Kooks já percorreu um longo caminho desde a sua formação há 10 anos, agora, com a mudança de produtores, a banda conseguiu, mais uma vez, fazer uma coleção envolvente que se recusa a ser restrita ao som indie rock. O som presente no “Listen” é mais dançante, muito leve e tem uma energia brilhante e infecciosa. Além disso, as letras parecem ser mais pessoais do que antes, com o homem de frente e principal compositor, Luke Pritchard, refletindo sobre questões que vem de dentro do coração.

The Kooks

Sua voz, levemente melódica, consegue alcançar uma expressão autenticamente soulful. Definitivamente, The Kooks dá um passo em direção a uma música mais fresca e moderna. Classicistas do jeito que são, é claro que eles não necessariamente soam futuristas ao expandir seus horizontes, porque sua música ainda possui uma boa onda retrô. “Listen” é muito divertido de se ouvir e não é apenas sonoramente que parece retrô, mas na atitude da banda também. De acordo com o líder, Pritchard, esse disco é um resultado do tédio da banda com o seu próprio som indie rock, um pretexto para eles experimentarem influências inesperadas, como jazz e gospel, e saírem em busca de uma reinvenção. Abrindo o caminho temos a faixa “Around Town”, uma música extremamente cativante, escrita por Pritchard quando estava viajando.

Os seus vocais de apoio, tingidos de gospel, acompanhados de sutis licks de guitarra funky e da boa bateria, grudam na cabeça imediatamente. Na letra o vocalista se mostra inseguro emocionalmente, fazendo questões sobre a necessidade de saber se será amado: “Você vai me amar quando as coisas estiverem mal? / (…) Você me amaria enquanto o mundo estivesse desmoronando ao redor?”. “Forgive & Forget” continua com essa direção funky, mas com uma produção mais inflada e dançante. Ela começa apenas com vocais e acordes acústicos, antes de surgir com uma melodia deslumbrante e um grande refrão, onde Pritchard canta: “Garota, você diz que você precisa de alguém para te amar / Mas não sou eu”. Apesar de discreto, “Westside” é outro número incontestavelmente cativante.

É uma música conduzida por sintetizadores elegantes e acordes simplistas. Em contraste com a canção anterior, essa fala sobre a vida de dois amigos que embarcam na vida de casados. “See Me Now”, por sua vez, é essencialmente uma balada de piano sincera, dirigida ao falecido pai de Luke Pritchard, que morreu quando ele tinha 3 anos de idade. “Eu estive em situações difíceis”, lamenta Pritchard. “Eu aprendi a dar o nó na minha própria gravata”, ele ostenta com uma ingenuidade infantil, antes de perguntar: “Se você pudesse me ver agora / (…) Ver o seu garotinho / Oh, você estaria orgulhoso?”. É uma canção realmente muito linda, que revela a vulnerabilidade de Pritchard com um sentimentalismo comovente. O tema autobiográfico, em seguida, é trocado por comentários sociais na canção “It Was London”.

Liricamente, é uma tentativa de contextualizar os motins que aconteceram em Londres em 2011. Na letra eles entregam versos como, “Foi em Londres / Onde ouvimos a revolução”, “Foi em Tottenham / Homem foi baleado por um policial” e “Na televisão / É claro que culparam os jovens pelos distúrbios”. Sonoramente, abre com uma boa bateria e alguns ruídos, que tentam criar um cenário que lembre a agitada cidade em questão, e depois segue com riffs de guitarra funky e repetitivos acordes. É uma faixa certamente mais crua, barulhenta e entusiasmada que as demais, que deve ficar mais interessante sendo performada ao vivo. Uma frustração sexual é expressada na faixa “Bad Habit”, uma das minhas canções favoritas de todo o disco.

The Kooks

Essa é amarrada por uma percussão proeminente, muitas palmas e um ótimo número de guitarra. Os vocais de apoio também foram peças fundamentais (com os seus “Ooh, ooh, ooh, ooh!”) para deixar essa música bastante hipnótica. O primeiro single “Down” é a faixa mais óbvia a ser influenciada pelo produtor de hip-hop, Inflo. Essa música excede o espectro de ser cativante, sem dúvida a mais divertida do disco. Com influências da soul music e R&B, a música dispõe de uma percussão envolvente, versos afiados e ainda é explicitamente sexual. O refrão, embora seja repetitivo, traz o melhor do anasalado vocal de Pritchard. É um refrão muito gostoso que fica na cabeça, por isso, provavelmente, quando menos esperar você vai estar cantando junto: “Down down diggy di down down diggy diggy / Down down diggy di down down diggy diggy (…)”.

Como o próprio título sugere, “Dreams” é uma faixa nebulosa, surrealista e com uma letra estranha (“Onde você estava ontem à noite / Ela disse / Eu estava tocando flauta / Em frente à Torre Eiffel com um homem em um terno luz das estrelas”). Com um sabor de jazz, violão e uma linha de sintetizador distorcida, é uma canção interessante e bem distinta. Em seguida, a diversificada “Are We Electric” abre com um falsete e traz elementos de euro-disco e jazz. É uma música muito elegante, atmosférica, sendo apoiada por sintetizadores e uma discreta melodia. “Sunrise”, por sua vez, abre com palmas antes de desenvolver um ritmo up-tempo com ritmos latinos. “Todo mundo ama um nascer do sol”, canta Pritchard em um dos versos. Eu particularmente gostei de grande parte da experimentação dessa música, ficou realmente bacana.

O álbum termina com a sedutora “Sweet Emotion”, uma declaração singela de afeto conduzida por um baixo funky. “Ela está sempre na minha mente”, Pritchard canta com um tom sussurrante que evoca uma verdadeira paixão. Posteriormente, ainda fornece um piano tingido de jazz que leva a música para outra atmosfera. Com uma variada gama de influências, é inevitável que o disco não seja tão coeso e possa não ter despertado tanto a atenção dos fãs mais antigos da banda. Eles tentaram seguir uma nova direção e buscar outra identidade, provando que o The Kooks realmente ama mudar o seu som. Mesmo após quase uma década do seu auge, a banda ainda se mostra muito interessada em buscar novas sonoridades. Isso é algo admirável. “Listen” é, sem dúvida, uma coleção muito divertida e viciante, que conseguiu prender minha atenção. O fato deles reformarem o seu som foi gratificante em vários pontos e assim entregaram outro exuberante álbum.

69

Favorite Tracks: “Around Town”, “Forgive & Forget”, “Westside”, “Bad Habit” e “Down”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.