Resenha: The Killers – Wonderful Wonderful

Lançamento: 22/09/2017
Gênero: Rock Alternativo, Post-Punk Revival, Indie Pop, Heartland Rock, New Wave
Gravadora: Island Records
Produtores: Erol Alkan, The Killers, Jacknife Lee e Stuart Price.

Mesmo depois de treze anos do seu disco de estreia, The Killers ainda possui muitos fãs ao redor do mundo. Com o seu novo álbum, “Wonderland Wonderland”, a banda retorna depois de um hiato de cinco anos. Este registro não parece ser uma tentativa de expandir o repertório da banda. Um pouco semelhante ao “Battle Born” (2012), este álbum até mostra alguma evolução através da variação de estilo do grupo. “Wonderland Wonderland” consegue encantar com o mesmo clamor absorto dos sintetizadores e guitarras proeminentes da banda. As músicas são mais silenciosas e deixam espaço para reflexão, enquanto as mais animadas sentem-se inspiradoras. O registro apenas tropeça em algumas faixas fillers que, felizmente, não apagam o brilho das melhores. No geral, como já mencionado, parece uma reminiscência do seu último álbum, porém, com uma maior carga de drama e textura. A faixa-título, “Wonderful Wonderful”, abre com um canto pulsante e linhas de baixo em looping. É uma canção post-punk sombria que apresenta poderosos tambores, confiantes guitarras e um refrão fascinante. Há muitos ecos em torno dos vocais de Brandon Flowers, enquanto a letra faz algumas referências religiosas. O primeiro single, “The Man”, é uma canção new-wave dançante que fornece um lado diferente do The Killers. A instrumentação funky e alegre evoca imediatamente uma atmosfera disco à la Daft Punk. Liricamente, possui uma mensagem auto-confiante que sente-se apropriada para alguém como Brandon Flowers.

As próximas duas faixas diminuem o ritmo e fornecem algo mais introspectivo. “Rut”, uma faixa particularmente pessoal sobre a depressão da esposa de Flowers, é uma balada mais lenta e robótica. Menos experimental do que de costume, esta canção incorpora delicados acordes de piano e uma base de sintetizadores. “Life to Come”, por sua vez, é o tipo de balada inspirada pelos anos 80, com sintetizadores e guitarras que evocam a banda U2. Após uma delicada e esperançosa introdução na guitarra, Flowers pede no refrão: “Deixe de lado a culpa / Tenha um pouco de fé em mim, garota”. O segundo single, “Run for Cover”, canaliza mais o punk do que o funk ao lado de efetivas camadas vocais. É uma canção new-wave e post-punk revival clássica do The Killers com toda a energia pop que esperamos deles. Nesta música percebemos uma clara influência do álbum “Sam’s Town” (2006), afinal ela possui as mesmas guitarras atmosféricas e batidas constantes do mesmo. Em seguida, a banda usa uma anedota improvável na faixa intitulada “Tyson vs Douglas”. Aqui, Flowers e companhia fazem referências a famosa luta de 90, onde o boxeador Mike Tyson perdeu sua primeira partida. Sobre toques oitentistas, uma das marcadas do The Killers, a faixa é construída por um refrão verdadeiramente grande que detalha os próprios medos de Brandon Flowers. A próxima faixa, “Some Kind of Love”, é uma balada synthpop sonoramente brilhante emparelhada por uma lenta batida e riffs despreocupados.

É outra canção liricamente dedicada à esposa de Flowers, uma declaração simples, delicada e efetiva. A partir daqui, o álbum começa a decair ao apresentar duas faixas fillers menos interessantes. A primeira delas, “Out of My Mind”, é uma canção confusa com diferentes pulsos energéticos em torno de alguns riffs de guitarra, baixo, sintetizadores e letras repetitivas. Ela possui um toque muito mundano, além de ser previsível e facilmente esquecível. “The Calling”, no que lhe diz respeito, abre com uma passagem da Bíblia, provando que a banda sempre foi religiosa e dramática. É, sem dúvida, a faixa mais abertamente espiritual do registro, com letras como: “Você ouviu que o mestre estava de passagem / Mas o que você faria se ele entrasse no seu quarto?”. Mesmo com a sua percussão minimalista, guitarras e riff de sintetizador, é uma música sonoramente difícil de apreciar. O registro termina com “Have All the Songs Been Written?”, outra faixa com harmonias e produção similar ao U2. É um final sonicamente espaçoso que vê o vocalista inspirado por acordes gospel e alguns tambores ao fundo. É uma canção melodramática que faz várias perguntas antes de oferecer um solo de guitarra e desfecho abrupto. “Wonderful Wonderful” possui letras menos previsíveis recheadas por diferentes sentimentos e emoções. Além disso, contém faixas muito mais apertadas e musicalmente diversas. Provavelmente, a banda nunca vai criar outro “Hot Fuss” (2004), porém, podemos apreciar algo mais profundamente pessoal e habilmente executado como o “Wonderful Wonderful”.

Favorite Tracks: “The Man”, “Tyson vs. Douglas” e “Some Kind of Love”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.