Resenha: The Game – 1992

Lançamento: 14/10/2016
Gênero: West Coast Hip Hop, Gangsta Rap
Gravadora: Blood Money / eOne Music
Produtores: Bongo, Cool & Dre, JP Did This 1, Phonix, Sap, Scott Storch, Terrace Martin, The Chemists Create e Tycoon.

Depois de algumas expectativas, The Game lançou o seu oitavo álbum de estúdio, intitulado “1992”. Esse é o seu terceiro material de estúdio num período de 1 ano, sucedendo os discos de 2015 “The Documentary 2” e “The Documentary 2.5”. Um artista lançar tantos álbuns assim em um curto espaço de tempo pode ser preocupante. Mas dado a qualidade dos discos do The Game, ele pode realmente ficar tranquilo. Enquanto “1992” não possui tantas faixas memoráveis como seus discos de 2015, ele ainda contém muita coisa boa. É um álbum sólido e honesto, onde The Game relembra algumas memórias do passado, como um adolescente que cresceu no início dos anos 90 em Los Angeles. “Eu não posso esperar para as pessoas ouvirem como eu sobrevivi e as histórias que eu tenho pra dizer”, afirmou The Game em uma entrevista recente. Com uma produção reminiscente da época, o registro é conduzido por clássicas e poderosas batidas. Não é um álbum com apenas reciclagens do hip-hop da década de 90. Muito pelo contrário, ele apresenta produções contemporâneas a partir de produtores como Terrace Martin, Scott Storch e Cool & Dre.

A arte da capa parece ser um aceno óbvio para o “Doggystyle” (1993), clássico álbum de Snoop Dogg. Aparentemente, a capa retrata uma série de eventos que ocorriam em Los Angeles na época. O projeto com 12 faixas apresenta uma série de sons inspirado em alguns artistas lendários do hip-hop, como 2Pac, Ice-T e Wu-Tang Clan. No decorrer de 53 minutos, The Game fala sobre sua infância, cultura de gangues e deficiências do governo. O repertório abre com “Savage Lifestyle”, canção que define o tema para todo o álbum, conforme The Game recita versos inspirados por sua vida em 1992. Um repórter de notícias, relatando sobre distúrbios de 1992 abre a faixa de forma brutal. Letras como – “É uma armadilha / Por que eles não nos dizem que o vermelho e o azul não importam quando você é preto” – são claras referências aos Bloods e Crips, as gangues rivais de Compton. É uma faixa que surpreende pela batida, letra e fluxo supérfluo de The Game. “True Colors / It’s On”, segundo single, continua a narrativa do álbum falando sobre as cores que definem as vidas dos jovens negros.

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The Game joga amostras de “Colors” de Ice-T em cima do seu fluxo, e fala sobre alguns acontecimentos de sua infância. Aqui, o rapper aborda alguns dramas familiares horríveis, como o de seu pai estuprando sua irmã mais nova. A produção do nigeriano Bongo é lisa e contundente, com uma série de amostras old-school, fortes batidas de tambor e um verso característico de Osbe Chill na segunda metade da canção. “Bompton” possui uma sensação atualizada do rap gangsta da velha escola, quando ele lança uma batida nostálgica e um fluxo throwback. Liricamente, o rapper detalha a vida cotidiana de policiais, gangues rivais e sobrevivência. A curta “Fuck Orange Juice”, que aparece na sequência, é basicamente um remix de “The Message” de Grandmaster Flash and the Furious Five. A viciante “The Juice” redefine o ritmo do álbum, conforme The Game relembra: “meu primeiro álbum foi cinco vezes platina”. O seu fluxo é muito bem acompanhado por sensuais vocais de uma mulher, que diz: “Você tem o suco agora, baby”. Outra forte vibe old-school pode ser sentida em “Young Niggas”, sexta faixa do álbum.

Sob uma amostra de piano melódico e interessantes tambores, The Game recorda algumas histórias sobre amizades do passado. “The Soundtrack”, por sua vez, pinta um retrato para os dias mais jovens de The Game no gueto. Em sua composição temos amostras de “I’m God” do músico Clams Casino. “I Grew Up on Wu-Tang”, um dos destaques do álbum, é um forte lembrete das principais influências musicais de The Game, no caso o grupo Wu-Tang Clan nos anos 90. Sobre amostras de “C.R.E.A.M.” do Wu-Tang Clan e produção de Bongo, The Game nos fala sobre algumas tristes verdades da vida. “Baby You”, com Jason Derülo, é outra uma canção muito decente. Além de sua inspiração R&B, a faixa dispõe de um instrumental incrivelmente agradável. “92 Bars” é outra completa faixa e, possivelmente, uma das melhores. É um clássico número de The Game e uma verdadeira viagem para os anos 90. No geral, The Game nos leva de volta para o auge do hip-hop west coast. Enquanto “1992” não é o seu melhor álbum ou oferta mais original, ele definitivamente atinge sua marca. É um grande álbum que evita clichês encontrados na maioria dos discos de hip-hip moderno.

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Favorite Tracks: “The Juice (feat. Lorine Chia)”, “Baby You (feat. Jason Derülo)” e “92 Bars”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.