Resenha: The Fray – Helios

Lançamento: 25/02/2014
Gênero: Pop Rock, Rock Alternativo
Gravadora: Epic Recods
Produtores: Stuart Price e Ryan Tedder.

“Helios” é o título do quarto álbum de estúdio do The Fray, banda de pop-rock de Denver, Colorado. Foi lançado em fevereiro de 2014 pela Epic Records e estreou em #8 lugar na parada de álbuns dos Estados Unidos. Formada por Joe King, Isaac Slade, Dace Welsh e Ben Wysocki, The Fray é uma banda famosa mundialmente pelos hits “Over My Head (Cable Car)” e “How to Save a Life”, do seu primeiro álbum de estúdio. É uma banda que sempre equilibrou-se entre o pop e o rock, eles são inegavelmente um grupo muito talentoso. No entanto, o novo trabalho deles é um tanto quanto decepcionante, porque tem poucos momentos de inovação e apresenta um som relativamente genérico. Eles tentaram fazer acontecer uma juventude que não lhes pertence e, como resultado, o disco soa muito artificial. As letras comuns com temas datados continuam presentes, o que só reforça o pensamento de que a banda não evoluiu nos últimos anos.

O uso abusivo de sintetizadores e baterias eletrônicas, em um momento que eles tentam apontar para uma nova direção, é embaraçoso e soa como uma crise de identidade. The Fray já foi muitas vezes rotulados como uma banda de rock alternativo, mas seu som emite uma vibe muito pop para ser classificada como tal. E, claramente, esse quarto álbum deles segue essa mesma linha. Produzido por Ryan Tedder, vocalista da banda OneRepublic, o “Helios” mistura romance, letras retrô e, em certos pontos, consegue ser intenso. A banda até tenta trazer algumas coisas novas nos instrumentais, mas não chegaram a ser eficientes nesse aspecto. Há algumas faixas que se destacam e valem a pena ouvir, entretanto, a maioria aqui não se sobressai. Outra curiosidade é que, diferente dos seus últimos álbuns, aqui o The Fray não foi tão dependente do piano.

Gravado durante o verão de 2013, pode-se dizer que esse é o álbum mais diversificado do quarteto até à data. A síntese de alta energia, as melodias alegres e emocionais, e o estilo profundamente emotivo do vocalista Isaac Slade, são talvez os maiores atrativos do álbum. “Hold My Hand”, faixa de abertura e melhor do álbum, possui um piano e uma bateria bem alinhados junto de um ritmo entusiasmado. O tipo clássico de músicas do The Fray, um hino açucarado com um refrão cativante e uma percussão memorável. A música consegue preparar um bom terreno para o restante do álbum que, infelizmente, não mantém o nível. O primeiro single, “Love Don’t Die”, é um som mais voltado para a guitarra e um dos poucos que impressiona. É uma música bem construída em torno de um riff acústico e um refrão pegajoso pronto para as rádios. “Give It Away” é impulsionada pela guitarra e por uma base suave de piano, que lembra em certos pontos a banda Maroon 5.

The Fray

Liricamente, é uma música genérica sobre o amor, mas que consegue um certo divertimento graças, em grande parte, pela mistura de elementos rock e funky. Enquanto isso, “Closer to Me” figura com suas guitarras e um doce vocal de Isaac Slade, que nos lembra a canção “She Is” do álbum “How to Save a Life”. “Hurricane” também segue um padrão semelhante às faixas anteriores, mas com um sulco eletropop. Possui uma boa estrutura musical e um refrão agressivo que, em certos momentos, soa bem parecido com o som do The Killers. Em “Keep on Wanting” Slade tenta mostrar um falsete junto de um ritmo mais lento. As quebras de guitarras aqui estimulam um gancho poderoso, o que lembra a força de “Munich” do “Scars & Stories”, terceiro álbum de estúdio da banda.

Essa faixa também pisa em um território próximo à banda U2, que pode ser visto como uma coisa boa, dependendo do ponto de vista do ouvinte. Para mim, é uma semelhança demasiadamente gritante. Uma seção de cordas discretas complementam a faixa “Our Last Days”, que ainda possui graciosos e fluídos vocais de Slade. “Break Your Plans”, também escolhida como single, é a que mais lembra a sonoridade dos trabalhos anteriores da banda. Possui um dos refrões mais elegantes do álbum, além de um ambiente silencioso e romântico sobre leves sintetizadores. Já “Wherever This Goes” parece ter sido inspirada no som apaixonante de Bruce Springsteen e Goo Goo Dolls, algo que de fato funciona bem ao estilo do The Fray. Uma experimentação musical que apresenta suaves vocais femininos de apoio e um arranjo minimalista.

“Shadow and Dancer”, por sua vez, é uma faixa que apresenta uma série de efeitos sonoros e elementos synthpop por quase toda sua execução. Um som muito extravagante e exagerado, com uma letra melancólica sobre um amor de verão. Fechando o disco temos “Same as You”, faixa que diversifica o repertório visto que entrega um som mais experimental. Entretanto, não consegue ser bem sucedida em sua proposta, pois as guitarras e letras típicas do The Fray ainda estão presentes, o que faz eles deslizarem de volta para a zona de conforto. O “Helios” não é de todo um projeto ruim, porém, tenho certeza que a banda é capaz de fazer algo muito melhor. Eles até soam confortáveis quando estão fazendo o que fazem e algumas canções do álbum são admiráveis. No entanto, a inovação aparece muito pouco e várias músicas nos remetem à outras bandas conhecidas.

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Favorite Tracks: “Hold My Hand”, “Love Don’t Die” e “Break Your Plans”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.