Resenha: The Flaming Lips – Oczy Mlody

Lançamento: 13/01/2017
Gênero: Neo-Psicodelia, Eletrônica, Rock Experimental, Dream Pop
Gravadora: Warner Bros.
Produtores: The Flaming Lips, Dave Fridmann e Scott Booker.

A banda The Flaming Lips está de volta com seu 14º álbum de estúdio, intitulado “Oczy Mlody”. Segundo o vocalista Wayne Coyne o título é uma frase polonesa que significa “olhos dos jovens”. Aparentemente, antes de conhecer o significado, Coyne sentiu-se atraído pela forma como as palavras soavam. The Flaming Lips é bem conhecido por seus shows ao vivo visualmente estimulantes e seus álbuns psicodélicos sonoramente exuberantes. Com esse álbum, eles continuam explorando e construindo uma paisagem sonora bem experimental. A música dessa banda, que está na estrada há pelo menos 24 anos, pode ser considerada uma verdadeira viagem. Dentro desses 24 anos eles conseguiram fazer um grande impacto. É justo dizer que The Flaming Lips chegaram a um nível onde eles têm pouco a provar. Cada banda da atualidade que explora a música psicodélica em seu som, possui uma certa dívida com Wayne Coyne e companhia. Porque The Flaming Lips está, sem dúvida, na vanguarda absoluta deste gênero musical. Durante os últimos anos, a discografida da banda tornou-se cada vez mais estranha. “Oczy Mlody”, entretanto, foi comercializado como um retorno à sua verdadeira forma, um álbum sério e apropriado que não se esconde atrás de algum conceito bizarro. Esse novo registro é funky, psicodélico, nostálgico e cheio de novas ideias. Com alguns sintetizadores interessantes, o álbum sente-se, em determinados pontos, similar aos clássicos “The Soft Bulletin” (1999) e “Yoshimi Battles the Pink Robots” (2002). É um disco experimental que faz o ouvinte sempre reavaliar o conceito por trás de cada canção.

Se você é uma pessoa que acha que uma música precisa ter um início, meio e fim, provavelmente não vai gostar deste álbum. Uma vez que o The Flaming Lips é conhecido por reunir pedaços de sons que, muitas vezes, sentem-se incompletos. Um dos maiores apelo do “Oczy Mlody” vem dos membros Michael Ivins e Steven Drozd. Por causa dos instrumentais que ambos fornecem, o álbum sente-se bem menos robótico. Entretanto, apesar de toda força deste registro, eu tive um pouco de dificuldade para me conectar com ele. Isso não quer dizer que seja um projeto necessariamente ruim. Uma coisa que não me agradou foram seus vários momentos sinuosos que poderiam ter sido cortados. O álbum começa com a faixa-título “Oczy Mlody”, que é um instrumental delicado e ambiente com algumas batidas interessantes. Em seguida, “How??” mostra o líder Wayne Coyne meditando de uma forma tipicamente abstrata. É uma faixa que brilha especialmente pela sua simplicidade e estranheza. Canções fortemente sintetizadas, como “There Should Be Unicorns” não são inovadoras, porém, agradam por serem cativantes. Enquanto isso, “Sunrise (Eyes of the Young)” é um óbvio destaque por conta de sua estrutura cinematográfica. O trabalho de guitarra de Steven Drozd durante esta faixa, não poderia soar melhor. “Nigdy Nie (Never No)”, por sua vez, mostra o falsete de Wayne cantando sobre um ritmo funk e pesadas batidas. A próxima faixa, “Galaxy I Sink”, é uma canção tão repetitiva e minimalista que parece até inacabada. Possui uma instrumentação meio incoerente, no entanto, a guitarra de Drozd acrescenta um peso muito emocional.

“One Night While Hunting for Faeries and Witches and Wizards to Kill”, por outro lado, é uma canção surpreendentemente melodiosa que, após longos 6 minutos, dá lugar a despercebida faixa “Do Glowy”. Em seguida, a insanamente intitulada “Listening to the Frogs with Demon Eyes” proporciona alguns momentos realmente divertidos através de sua guitarra. “The Castle”, primeiro single do álbum, é uma balada bastante coerente, porém, com letras quase indecifráveis: “Os cogumelos e as abelhas / Disseram às flores como aconteceu”. Infelizmente, o álbum também possui algumas faixas que utilizam fórmulas que simplesmente não funcionam. Em “Almost Home (Blisko Domu)”, por exemplo, Wayne Coyne lamenta sobre um instrumental que soa como uma trilha sonora inacabada de Gameboy. Outro destaque do álbum, além de “Sunrise (Eyes of the Young)”, é a música mais tradicional, “We a Family” com a mais recente colaboradora do The Flaming Lips, Miley Cyrus. A voz de Cyrus é doce e acrescenta uma camada inocente sobre a melodia obscura. Sua adição dá um toque agradável para a última faixa do álbum, deixando o ouvinte com uma sensação coesa. “Oczy Mlody” é uma declaração um tanto quanto artística. É um grande disco com paisagens sonoras exuberantes, direcionado para aqueles que querem se desligar do mundo real por alguns instantes. Um dos problemas que persistem ao longo do disco é a total confiança da banda na instrumentação eletrônica. Podemos notar que os tambores e sintetizadores são todos programados e, até mesmo os vocais de Coyne, estão exageradamente ajustados. Mas, no geral, enquanto alguns fãs podem ter ficado desapontados com este álbum, sua escuta vale a pena.

Favorite Tracks: “Sunrise (Eyes of the Young)”, “The Castle” e “We a Famly (feat. Miley Cyrus)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.