Resenha: The Drums – Abysmal Thoughts

Lançamento: 16/06/2017
Gênero: Indie Pop, Surf Rock
Gravadora: ANTI-
Produtor: Jonathan Pierce.

Muitas vezes, quando vários músicos saem de uma banda, o membro restante vê um grande desafio a sua frente. Sozinho, ele tem que aprimorar seu som e identidade. No entanto, não vimos isso acontecer com a banda The Drums e o vocalista Jonny Pierce. O membro restante e fundador da banda de Nova York escreveu e produziu sozinho o álbum “Abysmal Thoughts”. Agora, com apenas Pierce no poder do The Drums, a banda mistura elementos de synthpop dos anos 80 com aspectos obscuros e influências de grupos como The Cure e The Smiths. Tudo isso resultou num álbum muito polido, interessante e único. Apoiado por uma série de secessionistas, Jonny Pierce retornou revigorado e com pensamentos abismais. Este LP é um registro encantador, cheio de melodias introspectivas, som distinto e focado numa produção cintilante que esteve ausente nos seus discos anteriores. “Abysmal Thoughts” é um nome bastante incomum para um álbum. É um título que sugere solidão e tristeza, mas de uma forma muito natural. Embora os fãs de longa data do The Drums possam se sentir maus por causa da saída de todos os outros membros originais da banda, eles devem ter adorado esse novo disco. “Abysmal Thoughts” abre com o ritmo doo-wop de “Mirror”, um reflexo atual da música indie-pop, que homenageia e reúne referências do gênero nas últimas décadas.

É um destaque do registro que fornece claras referências de Morrissey. Além da linha de baixo, a música apresenta falsetes clássicos de Pierce, cantos de fundo e um suave desempenho vocal. “Eu não precisava de outro impulso para o final / Mas você o fez com uma postura casual”, ele canta na introdução. Ademais, o refrão apresenta vocais femininos que enfatizam o tema geral da música. E, grande parte da força de Pierce, vem do fato dele conseguir ficar obscuro e sombrio sem soar deprimente (uma marca registrada das melhores músicas do The Drums). A segunda faixa, “I’ll Fight for Your Life”, traça o seu caminho através de um som synthpop e zumbido eletrônico, antes de saltar para um fluxo acelerado cheio de emoção. Logo depois, o single “Blood Under My Belt” traz um maior peso emocional, além de um excelente refrão pop. Aqui, Pierce captura um sentimento comum, mas de uma maneira muito profunda. “O que é necessário, para você acreditar que eu mudei?”, ele pergunta. O cantor reconhece feridas do passado e a sua capacidade de mudar e crescer. Entre as faixas mais estelares da primeira metade do álbum temos “Heart Basel”, cujo vocais em falsete nos lembram o Foster the People. Essa música permite um humor diferente, enquanto joga com conceitos melódicos similares.

Em “Shoot the Sun Down”, a banda se move para novos territórios, com uma mistura agradável de sintetizadores, baixo e guitarras. Uma canção que estabelece harmonias e melodias vocais confortáveis, mas viciantes e igualmente emocionantes. A lenta “Head of the Horse”, por outro lado, fornece tons psicodélicos e folk diretamente dos anos 60. Aqui, Pierce apresenta o conteúdo lírico e narrativo à medida que se concentra nas guitarras. Furtivamente, uma linha de sintetizador e baixo satisfazem todo o espectro da música. Liricamente, essa canção fala sobre a reação do pai de Jonny Pierce ao saber que ele é gay. Apesar de atingir uma nota suavemente repetitiva, “Under The Ice” possui um som implacável, grande senso de diversão e experimentação sonora. Suas linhas de sintetizadores flutuantes, juntamente com as seções mais abertas, a transformou numa música revigorante e cheia de vida. “Are U Fucked” prepara o cenário de uma festa moderna onde realmente não há nada para falar. Ela diminui o ritmo através de um rastejamento mais escuro e percussão funky. Um número hipnótico e psicodélico, elevado por suas trombetas e notas elegantes. Em seguida, há o adorável suft-rock “Your Tenderness”. Um número que oferece tons nostálgicos, influências dos anos 60, sintetizadores espaciais e saxofone. “Rich Kids” emana um ritmo abundante e serve como outro lembrete do som de marca registrada do The Drums.

É uma pequena crítica social com versos rápidos e uma vibração rock que lembra a banda MGMT. Suas letras são um pouco planas, mas provavelmente você vai se distrair com o seu ritmo balançante. Próximo do final do álbum, The Drums fornece ao ouvinte uma balada folk rústica chamada “If All We Share (Means Nothing)”. Guiada por uma guitarra, sons de flauta, assobios, sinos e handclaps, é uma música ridiculamente sentimental e despojada, focada numa melodia que mostra os pontos fortes da banda. Finalmente, Pierce envolve pensamentos abismais com os tons lúdicos da faixa-título, “Abysmal Thoughts”. Ele deixa o ouvinte suspenso em uma conclusão bastante otimista. Como um todo, esse álbum mostra o poder de Jonathan Pierce como vocalista, letrista e instrumentista. The Drums finalmente atingiu um poderoso pico em sua escrita, graças a sua atitude. Esta evolução intensa encontra-se de muitas maneiras no álbum, pois sua constante composição faz qualquer música tornar-se palpável. Aqui, os tambores estão incríveis, as letras simples e poderosas, e os riffs familiares e, ao mesmo tempo, futuristas. Apesar de manter as sensibilidades cativantes do indie-pop pela qual a música do The Drums tornou-se conhecida, Pierce amadureceu musicalmente. Agora, com um alcance mais amplo, ele parece estar apenas começando. Certamente, sua música ficará cada vez mais atraente.

Favorite Tracks: “Mirror”, “Blood Under My Belt” e “Heart Basel”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.