Resenha: The Cranberries – Something Else

Lançamento: 28/04/2017
Gênero: Rock Alternativo
Gravadora: BMG Rights Management
Produtor: The Cranberries.

“Something Else” é o título do sétimo álbum de estúdio da banda irlandesa The Cranberries. O álbum foi lançado em 28 de abril de 2017 e apresenta versões acústicas e orquestradas de dez singles lançados anteriormente e mais três músicas novas (gravadas com apoio da Irish Chamber Orchestra da University de Limerick). A capa é uma reedição da foto do LP “No Need to Argue” (1994), com os quatro membros exatamente nas mesmas posições. Esse disco, com interpretações re-trabalhadas de seus principais singles de sucesso, foi lançado em comemoração ao 25º aniversário da banda. The Cranberries foi um dos primeiros atos de rock alternativo nos anos 90. A banda surgiu lentamente aos olhos do público no início daquela década, através de músicas como “Linger”, “Dreams” e “Zombie”. Em 2003, o quarteto composto por Dolores O’Riordan, Noel Hogan, Mike Hogan e Fergal Lawler resolveu se separar e partir em carreiras individuais. Felizmente, os quatro voltaram a se reunir em 2009 e, posteriormente, lançaram o sexto álbum da banda em 2012. Nesse novo registro, vocalmente, Dolores O’Riordan desempenha interpretações impecáveis. Os vocais e as músicas se complementam perfeitamente bem. Os aspectos celtas do álbum também são muito interessantes, pois mostram que The Cranberries permanece fiel às suas raízes irlandesas. Musicalmente, a diferença entre as gravações originais e seus relançamentos é bem nítida.

As faixas do “Something Else” são orquestrais e apresentam uma maior maturidade nas performances. O disco abre com uma interpretação mais sombria de “Linger”, a escolha perfeita para tal função. Ela soa ainda mais graciosa e reconfortante por causa do aprimoramento das cordas. Dessa vez, temos uma interpretação mais positiva de “Dreams”, devido ao ritmo empolgante e as cordas de staccato. Mesmo depois de 25 anos a proeza vocal de O’Riordan continua tão poderosa como sempre foi. Logo depois, há uma performance mais fluída de “When You’re Gone”, cuja guitarra foi substituída por uma seção de cordas. O hit “Zombie” foi talvez a música mais alterada, devido à remoção da forte bateria. “Zombie” amadureceu e sente-se mais apaixonada do que angustiada. O sentimentalismo de “Ode to My Family” está mais profundo, por conta do novo arranjo e peso emocional dos tremendos vocais de O’Riordan. “Free to Decide” e “Just My Imagination”, por outro lado, continuam com os mesmos fatores, embora façam um uso mais liberal dos elementos percussivos. Em seguida, apesar da orquestra, a banda mostra que ainda pode agitar com o arranjo de cordas e som up-tempo de “Animal Instinct”. “You & Me” torna-se um destaque a partir do momento que a vibração da guitarra e a exuberante orquestra se complementam perfeitamente bem. Três novas músicas aparecem no álbum: “The Glory”, “Rupture” e “Why”.

Todas elas se misturam muito bem com os clássicos da banda, pois possuem os mesmo temas sentimentais e familiares do The Cranberries. “The Glory” tem uma verdadeira sensação de nostalgia sobre ela, e compartilha dos mesmos aspectos sonoros de “Linger”. “Rupture”, por sua vez, é uma solene balada que transmite uma sensação de ansiedade. Ela começa de forma bastante promissora, possui uma grande vitalidade e oferece vocais assustadores. Liricamente, compartilha da mesma poesia escura da maioria das faixas do álbum. A última faixa, “Why”, mantém o tema de todo o registro e exala um som sombrio e nostálgico. Foi noticiado que essa música foi escrita logo após a morte do pai de Dolores O’Riordan. Portanto, é uma canção profundamente pessoal, emocional e evocativa. Qualquer um que já experimentou o sofrimento que vem com a perda de um ente querido, se conectará com a frustração e profunda tristeza que a música transmite. Ela possui uma aura introspectiva e musicalmente melancólica, cujo padrão de bateria soa como batimentos cardíacos. Seu ritmo é pego no meio do caminho e as harmonias tornam-se cada vez mais eficientes. Das novas faixas esta é, sem dúvida, a minha favorita. “Something Else” é um lembrete para os fãs do passado e presente que The Cranberries ainda pode surpreender. Eles conseguiram nos fazer sentir coisas novas com músicas que permanecem atemporais. Portanto, anime-se e comemore o retorno de uma das melhores bandas da Irlanda.

Favorite Tracks: “Linger (acoustic version)”, “Zombie (acoustic version)” e “Ridiculous Thoughts (acoustic version)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.