Resenha: The Chainsmokers – Memories…Do Not Open

Lançamento: 07/04/2017
Gênero: EDM, Pop
Gravadora: Columbia Records
Produtores: The Chainsmokers, DJ Swivel, KIN, Mac & Phil e Captain Cuts.

O ano de 2016 foi impressionante para o The Chainsmokers. O single “Closer” tornou-se uma das maiores músicas e permaneceu por 12 semanas consecutivas em #1 na Billboard Hot 100. O duo então começou a promoção do seu primeiro álbum de estúdio, intitulado “Memories…Do Not Open”. Ao longo dos últimos anos, Andrew Taggart e Alex Pall realmente empurraram os limites quando se tratava de música EDM. “#Selfie” foi um dos singles mais bizarros lançados nessa década, enquanto “Roses” e “Don’t Let Me Down” foram números refrescantes. No entanto, depois do enorme sucesso de “Closer”, a dupla parece sempre querer criar uma cópia dela. “Memories…Do Not Open” possui singles em potencial, porém, se você analisá-lo como uma coleção, as músicas seguem a mesma receita. Por isso, como um álbum completo, ele se torna muito previsível e chato de se escutar. Enquanto cada faixa conta uma história diferente liricamente, todas foram criadas seguindo a mesma fórmula. A sequência é quase sempre a mesma: um verso curto, um pré-refrão cativante e um drop servindo como refrão. No quesito criatividade, The Chainsmokers parece estar preso numa mesma rotina. “Memories…Do Not Open” é um registro extremamente superficial sem qualquer direção ou profundidade. O álbum é composto por 12 faixas e muito duetos, incluindo a colaboração com Coldplay na faixa “Something Just Like This”.

O duo é conhecido por fazer uma mistura de pop e dance, com sutis elementos de hip-hop espalhados por toda parte. Uma combinação que parece única, mas desaparece quando você percebe que cada faixa parece ser a mesma coisa. Em suma, “Memories…Do Not Open” é um conjunto de músicas eletrônicas banais, com uma série de artistas convidados incapazes de dar vida ao repertório. Dito isto, The Chainsmokers pode ser considerada uma dupla de DJs que muitos adolescentes ouvem para fins de festa. Apesar de ser atualmente o ato eletrônico mais popular, seu álbum sente-se gravemente mal-desenvolvido e preguiçoso. Eles simplesmente não se atrevem a variar sua fórmula de criar músicas, instantaneamente descartáveis que não possuem qualquer tipo de personalidade. Liricamente, eles estão cada vez piores, porque parece que estão ficando sem opções de músicas boas. O LP abre com a genericamente intitulada “The One”, faixa que define o tom do álbum. Inspirado por perder o casamento de um amigo próximo, Andrew Taggart escava algumas emoções. Essa faixa não é uma música EDM típica do duo. Sua natureza atmosférica, com acordes de piano, batidas simplistas e pontapés pesados, oferece um sopro de ar mais fresco. Cantada por Drew Taggart, é uma faixa que começa como uma balada pop-rock, mas depois cai ligeiramente no território EDM.

Mas, enquanto “The One” não é ruim, os vocais de Taggart soam terríveis e as letras imediatamente esquecíveis. As duas primeiras faixas do álbum (“The One” e “Break Up Every Night”) são mais desviadas em termos de produção, enquanto ainda permanecem no território EDM. Embora The Chainsmokers seja um duo talentoso, essas canções deixam de cativar os ouvintes devido aos monótonos vocais e ritmos repetitivos. “Break Up Every Night” é a que mais destoa de tudo que você já ouviu da dupla. Entretanto, sua letra tenta capturar uma história de amor adolescente, através de letras ruins e sem imaginação. Em seguida, o humor do álbum diminui com a balada de piano “Bloodstream”, que acumula-se num som orquestrado. É uma faixa que encapsula melhor o vazio espiritual do álbum, apesar da abertura chata e sem brilho. Entretanto, ela soa como uma versão mais lenta de “Closer”, com letras boring e superficiais. Liricamente, mais uma vez, Taggart tenta retratar a vida noturna como um jovem universitário. Ademais, eu particularmente não gosto dele cantando, visto que sua voz é muito limitada. Entre as faixas de destaque temos “Don’t Say” com a presença de Emily Warren. Ela destaca-se devido à atmosfera criada pela combinação de vocais calmantes, instrumentos acústicos e sintetizadores reverberantes. É uma canção mid-tempo com vibrações agradáveis e atmosfera sonhadora.

Enquanto “Don’t Say” não possui uma das melhores letras, vemos um pouco mais de criatividade na produção. “My Type”, que também possui vocais de Emily Warren, poderia atingir o mainstream, visto que a cantora adiciona um gancho simples sobre uma base noturna. A composição soa minimalista e lenta, com piano e acordes de sintetizador a cobrindo. Warren faz um esforço admirável nessa faixa, com seus vocais trabalhando muito bem. No entanto, seus esforços são desperdiçados, pois a música é muito leve para fornecer a força e impacto que as letras procuram. O refrão também soa um pouco preguiçoso, mas é algo que você esperaria ouvir do The Chainsmokers. Apesar de atraentes, nenhuma das duas músicas com Warren possuem algo de promissor e, francamente, soam bem parecidas. Essas faixas também têm uma ligeira semelhança com “Closer”, sensação essa que surge freqüentemente no álbum. Apesar da semelhança com “Roses”, a faixa de maior destaque do álbum, provavelmente, é “Something Just Like This” com a banda Coldplay. Co-escrita por Chris Martin, a música tenta transmitir a mensagem de que os relacionamentos não precisam ser perfeitos. É uma canção eletropop cativante, que floresce com piano e um típico acúmulo instrumental e rítmico. Coldplay faz uma sólida exibição, embora sua aparição não consiga cobrir totalmente as letras fracas.

“It Won’t Kill Ya”, com a cantora francesa Louane, parece uma nova versão de “Don’t Let Me Down”. Porém, deixando isso de lado, é uma música que dá um vislumbre de esperança para o álbum. É uma canção soulful, com elementos de R&B e hip-hop, que oferece um bom riff de abertura, piano profundo e bons vocais. Liricamente, o seu tema é bastante leve em comparação com o restante do repertório. O primeiro single, “Paris”, é uma faixa EDM e synthpop que oferece sons de guitarras e sintetizadores sedosos. Vocalmente, “Paris” demonstra que Taggart é um vocalista muito abaixo da média, sem qualquer alcance real. Um fato que nem mesmo a grande quantidade de auto-tune de “Honest” consegue esconder. “Wake Up Alone”, com Jhené Aiko, fala sobre uma pessoa famosa à procura de alguém. Questionando a superficialidade dos relacionamentos, a canção possui um som bem familiar. Felizmente, a característica de Aiko fez sentido, pois sonoramente a música adota uma batida e estética urbana. A penúltima faixa, “Young”, é um número eletrônico com alguns elementos de rock. Começando com um trabalho de guitarra, ela logo percorre através de rápidos movimentos. A letra combina bem com o título, visto que é esperançosa, sentimental e jovial. Vocalmente, é uma das poucas vezes que Drew Taggart não soa tão ruim. Quando você acha que as coisas não podem ficar piores, The Chainsmokers convoca Florida Georgia Line para a faixa “Last Day Alive”.

Com a dupla de bro-country, eles criaram uma música que sinaliza o fim de um álbum incrivelmente decepcionante. Co-escrito por Dan Reynolds da Imagine Dragons, esta música conta a história de viver como se fosse o último dia para se estar vivo. Quando convocou Florida Georgia Line para essa faixa, parecia que Taggart e Pall sabiam que era uma má ideia, visto que eles esconderam suas vozes por trás da produção. Nem mesmo as melodias simples e a produção ultra-polida conseguiram esconder a péssima contribuição do Florida Georgia Line. Como já mencionado, todo o álbum segue por uma fórmula similar. Enquanto os acordes de piano e pesados sintetizadores tentam salvar as músicas, as letras recicladas então por toda parte. “Memories… Do Not Open” é um desastre lírico sem nada verdadeiramente emocionante. Certamente, não é o pior álbum de estreia de todos os tempos, há alguns bons momentos para tal consideração. Porém, esses bons momentos não são suficientes para ficar na memória. The Chainsmokers já conseguiu entregar um bom EP antes do seu álbum de estréia. Não há como negar que eles são um dupla talentosa. Entretanto, a qualidade das músicas oferecidas neste álbum é muito insatisfatória. Aliás, Drew Taggart deveria reconsiderar o canto como uma de suas habilidades atuais. Apesar dos hits que o duo já teve, “Memories… Do Not Open” o coloca numa caixa e, honestamente, não tenho certeza se eles vão durar muito nesta indústria. Infelizmente, este álbum já pode ser considerado um dos maiores desapontamentos de 2017.

Favorite Tracks: “Don’t Say (feat. Emily Warren)”, “Something Just Like This (feat. Coldplay)” e “Paris”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.