Resenha: The Chainsmokers – Collage (EP)

Lançamento: 04/11/2016
Gênero: EDM, Trap, Future Bass
Gravadora: Columbia Records
Produtores: The Chainsmokers.

O duo americano The Chainsmokers surgiu na cena pop no início de 2014 com o hit viral satírico “#Selfie”. Ao chegar à fama na internet, Drew Taggart e Alex Pall começaram a lançar single após single. Isso acabou transformando-se no que viria a ser o seu EP de estreia “Bouquet”. Entretanto, foi em 2016 que eles conseguiram seu maior hit até então. “Closer” tornou-se um enorme sucesso e chegou a ficar 12 semanas consecutivas no topo da Billboard Hot 100. Em seu mais novo esforço, “Collage”, The Chainsmokers compilou alguns singles de sucesso. Sem dúvida, o duo americano tem um talento muito especial para fazer músicas pegajosas. “Collage” exibe o potencial da dupla colocando todo o seu EDM e drops evocativos no mesmo lugar. O problema é que esse EP nada mais é que uma coleção de tendências do atual mercado fonográfico. The Chainsmokers pouco mostra originalidade no decorrer dessas canções.

Os singles são instantaneamente familiares, pois apelam para uma massa que compartilha de um desejo comum: ser jovem, despreocupado e se divertir. Ao combinar seu dinâmico EDM com ganchos pop, The Chainsmokers encontrou uma fórmula ideal para ganhar os holofotes nas paradas musicais. Em comparação com “Bouquet”, que inclui o hit “Roses”, o duo mostra uma maior direção pop, embora permaneça no espectro EDM. Não dá para negar que com o “Collage”, eles deram um grande passo em direção ao mainstream. A faixa de abertura, “Setting Fires”, com a dupla XYLØ, é uma canção dance-pop com um instrumental decorrente do Oriente. A música começa com um estrondo através de uma linha de baixo arejada e alguns elementos de hip-hop. Sobre o instrumental temos um desempenho atraente da vocalista Paige Duddy. Seus vocais são limpos, hipnóticos e expressivos, mesmo que os sintetizadores façam o suficiente por conta própria. A segunda faixa, “All We Know”, com Phoebe Ryan, contém um drop bem insatisfatório.

É uma música otimista de future-bass que mistura riffs de guitarra com padrões de bateria. Phoebe assume os vocais, enquanto Taggart junta-se com algumas harmonias. Sua voz é muito leve e suave, e a melodia um tanto quanto cativante. Entretanto, nada é bom suficiente para fazer dessa música algo memorável. O refrão não tem forças necessárias para construir um drop realmente poderoso. Um destaque incontestável do EP é o smash-hit “Closer”, em colaboração com a cantora Halsey. Uma música que captura a nostalgia da juventude, sob um ritmo muito contagiante. Sintetizadores intensos e simples progressões de acordes criam um ritmo muito infeccioso. “Closer” começa suave e desenvolve-se lentamente à medida que progride. Mais tarde, torna-se uma música incrivelmente energética, com sintetizadores nervosos e uma grande batida tomando conta. É uma pista conduzida por uma eficaz e simples progressão de acordes, derivada do hit “Over My Head” da banda The Fray.

Da mesma forma, seu lirismo conta uma história simples de um relacionamento, possivelmente um primeiro amor, que chegou ao fim. A letra consegue deixar um gosto agridoce de amor, paixão e nostalgia. Inesperadamente, os vocais de Halsey misturam-se muito bem com os de Andrew Taggart. Enquanto ela canta suavemente, Taggart fornece vocais baixos e esfumaçados ideais para a canção. O único problema de “Closer” é que parece pouco inspirada e torna-se um pouco repetitiva. A progressão de acordes é muito familiar e a melodia carece de uma maior diversidade. Entretanto, isso não tira o charme de toda música que é realmente irresistível, radio-friendly e acessível. Ou seja, um hit perfeito para o mainstream. Em outras palavras, “Closer” é um EDM poderosamente cativante, doce e viciante. Outra falha dentro desse EP é a faixa “Inside Out”, que fornece uma vibe semelhante a de “All We Know”. Apesar de seu bom lirismo, o refrão, vocais e melodia repetitiva não conseguem cativar ou emitir qualquer emoção.

Seu drop soa semelhante ao do hit “Roses” do EP “Bouquet”, porém, com um bassline mais pesado. Os versos e acúmulo possuem suaves guitarras e riffs de piano, mas nada que consiga surpreender. Em “Don’t Let Me Down”, a dupla de DJs atrelou um dance-pop poderoso com uma infusão trap muito viciante. É uma canção um pouco diferente do que estamos acostumados a ouvir do duo, porém, uma mudança muito bem-vinda, visto que tem uma rotação progressiva bem definida. Além de ser estruturada com vocais poderosos de Daya, a música também possui um grande apelo pop. Ela começa de forma típica, com vocais suaves e delicados, antes de apresentar um acúmulo durante o pré-refrão e entrar fortemente com o refrão. Inicialmente, a faixa concentra-se nos vocais de Daya que, inclusive, toma todos os holofotes para si. “Eu digo o seu nome, mas você não está por perto / Eu preciso de você, eu preciso de você, eu preciso de você agora / Sim, eu preciso de você agora / Então não me, não me, não me desaponte”, ela canta em um dos versos.

Em seguida, a música pega um bom ritmo e, mais tarde, apresenta um drop incrível. O dedilhado melódico de uma guitarra elétrica e um sintetizador reluzente conduzem a música e permitem Daya destacar-se. A partir daí, a percussão começa a crescer devagar, enquanto palmas são adicionadas à mistura. A instrumentação nos leva diretamente para o poderoso drop, que cai diretamente no território trap. A composição geral é muito cativante, convincente e interessante. E, mesmo que o trap marque presença, está longe de ser algo pesado. O seu final é espetacular e vai te induzir a repetir a música várias e várias vezes. The Chainsmokers é, sem dúvida, uma dupla cheia de cinismo e ambição. Sua música explora muitas tendências do mercado, e é embalada por um pacote de pretensiosismo. Em seu EP eles alimentam-se da energia e suavidade de uma série de vocalistas femininas. Essa abordagem, misturada com o talento para produção da dupla, dá um rosto adequado para o EP. A ambição deles, provavelmente, será um fator decisivo para fazê-los sobreviver na indústria.

Favorite Track: “Closer (feat. Halsey)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.