Resenha: The Black Keys – Turn Blue

Lançamento: 12/05/2014
Gênero: Rock, Blues Rock, Rock Psicodélico
Gravadora: Nonesuch Records
Produtores: Danger Mouse, Dan Auerbach e Patrick Carney.

A dupla americana The Black Keys, formada pelo vocalista/guitarrista Dan Auerbach e pelo baterista/produtor Patrick Carney, lançou em 2014 o seu oitavo álbum de estúdio. Intitulado “Turn Blue”, o disco foi co-produzido por Danger Mouse, que está com a banda desde “Attack & Release” de 2008, e gravado em Hollywood, Califórnia. Possui um ritmo melancólico e mais lento do que as músicas up-tempo presentes no álbum “El Camino”. Apresenta influências de rock psicodélico e soul, e afasta-se ainda mais do som cru presente nos primeiros trabalhos do duo. Estreou em #1 na Austrália, Canadá e Estados Unidos, onde vendeu 164 mil cópias na primeira semana, reafirmando o tamanho do fenônemo que o The Black Keys tornou-se nos últimos anos. Vencedores de 7 prêmios Grammy, eles estão ficando melhores a cada álbum, graças ao atraente rock, soul e blues que estão produzindo.

“Turn Blue” é um disco maravilhoso, riquíssimo em seus detalhes, com solos psicodélicos, timbres experimentais, excelentes falsetes e uma ótima produção. Eles escreveram cerca de 30 músicas durante o processo de gravação, mas para compor o disco foram escolhidas apenas 11 faixas. O “Turn Blue” chegou com a missão de suceder um dos maiores sucessos do rock atual, o disco “El Camino”. A expectativa para o álbum era enorme, visto que sua fã base cresceu consideravelmente nos últimos anos. A faixa de abertura é “Weight of Love”, canção que inicia com uma guitarra acústica e uma suave brisa que lembra o som psicodélico do Pink Floyd. Mas logo cai em uma guitarra bem reflexiva, que lembra a canção “Crazy Horse” de Neil Young. É bem descontraída, excêntrica e ainda possui sete minutos de duração.

A próxima faixa é a excelente “In Time”, uma memorável canção que contém vocais em falsete e uma batida contagiante. O bom clima continua com o ritmo orquestral da faixa-título (“Turn Blue”), outra que possui bons números de falsete. “Fever” foi o primeiro single e é o grande destaque do registro. Sua melodia é loucamente viciante, impulsionado por uma guitarra e um baixo hipnótico. Além disso, ela ainda apresenta mais do ótimo falsete de Auerbach. Tem um ritmo extremamente cativante ​​e um refrão muito pegajoso, do qual dificilmente você irá conseguirá parar de ouvir tão cedo. Assegurada pela boa guitarra de Auerbach, “Fever” soa como um porto seguro, uma sonoridade na qual a banda se apoia para fazer jus ao seu grande sucesso. “Year in Review”, quarta faixa, é mais simples, mas possui vocais de apoio angelicais que criam uma exuberante textura para o ouvinte.

The Black Keys

“Bullet in the Brain” dá um toque mais pesado ao repertório por conta de seus nervosos teclados e solos de guitarra. É praticamente um rock dos anos 1970, que posteriormente transforma-se em algo mais eletrônico. “It’s Up to You Now” é talvez a única canção do “Turn Blue” que mostra um pouco da agressividade comum nos primeiros álbuns do duo. Por outro lado, “Waiting on Words” possui um riff de guitarra simples e interessantes toques acústicos. Sua letra admite a fragilidade diante de uma separação iminente, esse embargo conjugal é sentido pelo ouvinte através do seguinte lamento: “Não vou tentar mudar sua mente / Mente Adeus, não sei onde você está indo / A única coisa que eu realmente sei / Meu amor por você é real”. É melosa, emocional e, sem dúvida, a minha favorita ao lado de “Fever”.

Posso dizer que ao escutar essa linda balada, cheguei a lembrar até do som do Bee Gees. “10 Lovers” é outro ponto alto, um soul melancólico que faz Auerbach usar, novamente e em grande quantidade, o seu belo falsete. “In Our Prime” está um pouco abaixo das demais, mas não é necessariamente uma faixa ruim, pois fornece um belo piano contornado por uma dor reflexiva em sua letra. A faixa de encerramento e também terceiro single é “Gotta Get Away”, canção que prova que o álbum não poderia terminar de uma forma melhor. Um rock clássico, comercial e brilhante, que oferece um refrão que é a cara do verão. Como músicos, o duo Black Keys realmente impressiona, mas como compositores, talvez nem tanto. Na verdade, suas letras nunca chegaram a ser um ponto forte, principalmente em seus trabalhos mais recentes.

De qualquer forma, há um humor melancólico nas suas melodias que contrasta bem com o otimismo das faixas. O cantor e guitarrista Dan Auerbach passou, recentemente, por um divórcio e suas letras são como esboços do rescaldo de um mal relacionamento. Por conta disso, ele e Carney acabaram oferecendo um material verdadeiramente emocionante. A presença, mais uma vez, nos bastidores do produtor Brian Burton, conhecido como Danger Mouse, é claramente vital, pois ele deu um brilho extra a instrumentação. Juntando isso aos vocais de Auerbach e a beleza adicional das músicas, foi possível criar o “Turn Blue”, mais um trunfo para a carreira do Black Keys. Não é um álbum instantaneamente clássico, mas é um material bastante válido e um passo importante para a carreira de uma banda que é, atualmente, muito relevante na indústria musical.

78

Favorite Tracks: “Turn Blue”, “Fever”, “Year In Review”, “Bullet In the Brain” e “Waiting On Words”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.