Resenha: The Beatles – Live at the Hollywood Bowl

Lançamento: 09/09/2016
Gênero: Rock
Gravadora: Universal Music / Apple Records
Produtor: Giles Martin.

“Live at the Hollywood Bowl” é uma versão remixada e remasterizada do disco lançado originalmente em 1977. O registro, de duas apresentações dos Beatles no famoso anfiteatro de Hollywood, em 1964 e 1965, mostra como o quarteto inglês levava os adolescentes da época à histeria. Esta nova versão do LP foi lançada para acompanhar o documentário “The Beatles: Eight Days a Week”, do cineasta Ron Howard sobre a Beatlemania. Ela inclui quatro músicas adicionais não encontradas na versão original e foi produzido por Giles Martin, filho do produtor braço-direito dos Beatles, George Martin. “A Capitol Studios disse que descobriu algumas fitas de Hollywood Bowl em seu arquivo. Nós os transferimos e percebemos uma melhora em relação às fitas que mantivemos no arquivo de Londres”, disse Giles sobre o processo de produção. Essa reedição deu a chance de novos ouvintes possuir e ouvir o LP de 1977.

Curiosamente, o apelo do “Live at the Hollywood Bowl” não é visto nas canções, pois você pode escutá-las em suas versões de estúdio em outros álbuns. A razão pela qual esse disco chama atenção é o alvoroço causado pela platéia. Uma vitrine do grande poder cultural que os Beatles tinham naqueles picos de turnês entre 1964 e 1965. No “Live at the Hollywood Bowl” de 1977, as meninas da platéia gritavam tanto que a música era quase inaudível. Entre outras razões, os gritos impossibilitavam ouvir as próprias vozes e instrumentos da banda. Felizmente, o maravilhoso trabalho de produção de Giles Martin fez possível filtrar a gritaria para que afinal se ouvissem os Beatles. Uma atualização remodelada e reconfigurada daquelas gravações de Los Angeles, trouxe a música para o primeiro plano. Aqui, podemos encontrar canções consagradas como “Ticket to Ride”, “Can’t Buy Me Love”, “Help!” e “She Loves You”. Hits originais como esses são reproduzidos com grande eficiência, vitalidade e inocência pura.

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Além disso, temos alguns covers muito energéticos, como “Dizzy Miss Lizzy”, “Twist and Shout”, “Long Tall Sally” e até mesmo Ringo Starr assumindo a frente em “Boys”. Todas as performances conseguem superar as expectativas graças a energia lançada pela platéia. As quatro faixas bônus são bem sólidas, no entanto, um pouco desnecessárias, porque o principal recurso do disco não são as músicas. As quatro faixas que ficaram de fora da edição de 1977 são “You Can’t Do That”, “I Want to Hold You Hand”, “Everybody’s Trying to Be My Baby” e “Baby’s in Black”. Faixas menos desalinhadas, como a valsa elétrica de “Baby’s in Black” e a exuberância de “You Can’t Do That”, ainda exibem um pulso selvagem não encontrado em versões anteriores. A maior surpresa do “Live at the Hollywood Bowl” é a sua atualização sônica. Agora você pode realmente ouvir os Beatles sobre os gritos da audiência. É talvez a melhor apresentação ao vivo da banda, por isso devemos agradecer Giles Martin por ter essas fitas de 50 anos de idade em forma audível.

É incrível como “Live at the Hollywood Bowl” consegue capturar momentos gloriosos de uma era perdida do pop. A gente consegue sentir a euforia e alegria da massa que se reuniu há mais de 50 anos para testemunhar essa apresentação. No repertório a banda toca algumas músicas realmente clássicas que fizeram dos Beatles uma banda tão inspiradora. Naquela época, eles já eram titãs da música popular e verdadeiros artesões do rock and roll. Através de tudo aquilo, a emoção da Beatlemania soa perfeitamente bem ao longo de 45 minutos de duração. Enquanto John Lennon e Paul McCartney introduzem as músicas afogados pelos gritos agudos da multidão, você sente como se estivesse junto deles. “Live at the Hollywood Bowl” não vai lhe convencer de que é o seu melhor trabalho em cima do palco. No entanto, lhe dá uma ideia do tamanho da força que a Beatlemania tinha nos anos 1960. Ademais, é sempre bom ouvir a melhor banda da história cantando alguns dos seus maiores clássicos.

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Favorite Tracks: “Can’t Buy Me Love (Live)”, “A Hard Day’s Night (Live)” e “Help! (Live)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.

  • Hugo Kochenborger da Rosa

    Na verdade quem fez o milagre de reduzir a gritaria dos fãs foi o George Martin. Quando comparado o LP de 1977 e o CD de 2016, percebemos nesse sentido, que o filho de George, Giles, obteve apenas uma melhora adicional, mas nada comparável ao milagre de George Martiin, que com a tecnologia de 1977 conseguiu lapidar esse maravilhoso documento sonoro, trazendo-o pela primeira vez “à luz do dia”.

    • Leo

      Obrigado pelas informações Hugo! George Martin foi um produtor fora de série, o verdadeiro “quinto Beatle”.