Resenha: Thalía – Latina

Lançamento: 06/05/2016
Gênero: Pop Latino, Reggaeton, Dance-pop, Pop Rock, Salsa, Cumbia
Gravadora: Sony Music Latin
Produtores: Sergio George, Thalía, Tommy Mottola, Armando Avila, Cory Rooney, Mauricio Rengifo, Andres Torres, Khateeb M. Muhammad, Chris Grayson e Isaac Delgado Jr.

“Latina”, o décimo terceiro álbum de estúdio da mexicana Thalía, é uma verdadeira viagem pelos gêneros que mais representam a América Latina. Neste disco você encontra uma combinação de diversos estilos musicais latinos, entre eles, o pop, reggaeton, salsa, cumbia, vallenato e o bolero. Foi a partir deste conceito que o apropriado nome do álbum surgiu. Para este projeto, pela primeira vez Thalía trabalhou com o americano Sergio George, enquanto serviu como produtora executiva. E novamente trabalhou com Cory Rooney, produtor responsável por algumas faixas dos auto-intitulados discos de 2002 e 2003. “Latina” inclui colaborações com alguns nomes conhecidos, tais como Maluma e OMI. Ele também conta com a participação de compositores como Marcela De La Garza e Mauricio Rengifo.

O álbum é muito bem produzido e marcado pelo excesso de confiança artística e boas performances vocais de Thalía. A cantora é multifacetada e vai além de seus hits e novelas da década de 1990. Ela é um verdadeiro ícone da cultura latina. Sua vontade em experimentar novos gêneros e moldá-los ao seu jeito é admirável. Ouvindo todo o álbum você pode perceber a boa capacidade de Thalía em misturar tantos gêneros e estilos latinos. A maneira como ela compilou todos eles funcionou bem. Incorporar tantos gêneros assim em um único álbum, não é uma tarefa fácil. “Latina” foi muito bem produzido por Sergio George e começa justamente de onde “Amore Mío” parou em 2014. Ele resume todas as tradições latinas no mesmo projeto.

A faixa de abertura e primeiro single, “Desde Esa Noche”, apresenta como convidado o cantor colombiano Maluma. É uma cativante canção reggaeton com um toque muito urbano, que representa perfeitamente o título do álbum. Aqui, o reggaeton é colocado de frente a metais, ritmo mariachi e um viciante acordeão. A batida é extremamente grudenta e desliza com facilidade sob uma pulsante linha de baixo. É muito interessante ouvi-la sob uma perspectiva mais animada e sensual, após alguns discos mais graves. “Desde Esa Noche” é uma canção bastante comercial e uma colaboração que funcionou muito bem. “La Movidita” continua com um tema animado e explora a salsa através de algumas trombetas. Thalía sente-se confortável e apresenta outro ritmo classicamente latino.

Thalía

“De Ti”, com o cantor de vallenato Silvestre Dangond, não é a música mais original de Thalía, porém, bem animada e cativante. A cantora tenta mostrar alguma reinvenção, através de um som muito popular na Colômbia. “Vuélveme a Querer”, por sua vez, muda o tom do registro ao se apresentar como a primeira balada do álbum. Lançada como segundo single, esta canção explora algo mais emocional e mostra a maturidade da cantora. Liricamente, a mexicana se mostra arrependida e tenta recuperar a paixão do seu amado: “Volte a me querer / Entende que já sei pedir perdão / Perdoa-me que tudo vai ficar bem / E eu vou curar seu coração”. Nos últimos anos, Thalía provou o quanto se sente confortável cantando baladas como essa. Logo depois, ela retorna para o reggaeton em “Todavía Te Quiero”, ao lado do porto-riquenho De La Ghetto.

É uma música que funciona no contexto do álbum e tem, como principal intenção, fazer o ouvinte dançar. Seu som é old-school, diversificado e definido pelos gêneros reggaeton e cumbia. Para mim, é uma das canções mais infecciosas do registro, principalmente por causa da excelente melodia. “Frutas”, com Chiky Bom Bom “La Pantera”, é uma salsa semelhante a algo que já ouvimos em discos passados da cantora. A canção foi co-escrita por seu marido Tommy Mottola, o magnata musical responsável por gerenciar diversos talentos, como Diana Ross, Mariah Carey, Gloria Estefan, Shakira e Jennifer Lopez. “Frutas” é uma salsa cheia de atitude, com um baixo funky, acordeão, saxofone, conga, timbales e bongôs. Apesar da boa instrumentação, a música é um pouco repetitiva e longa demais para tal.

Fãs mais antigos de Thalía, provavelmente, devem ter gostado bastante de “Pena Negra”. Pois é uma faixa apaixonada e sensual que explora o melhor dos sons cubanos. Sob um acordeão, percussão e metais, Thalía entrega uma ótima interpretação vocal. Aqui, todos os instrumentos conseguem dar algum toque sedutor para sua performance. A oitava faixa, “Tiki Tiki Ta (Uno Momento)”, é uma cumbia modernizada e muito aguçada, que nos traz um som diferente das músicas anteriores. É um número bastante cativante, com um refrão simples, porém, muito eficiente. Em momento algum se torna maçante e, mesmo oferecendo algo diferente, contém a mesma essência das outras faixas. Em seguida, o álbum muda de gênero novamente ao apresentar a canção “Todo (Poso Se Thelo)”.

Thalía

É uma música puramente dançante em parceria com OMI e Jacob Forever. Ela possui batidas profundas e sincopadas preenchidas por um toque urbano. Apesar de possuir um auto-sintonizado, repetitivo e distorcido refrão, contém uma poderosa linha de baixo. Outra música que poderá ser facilmente desfrutada por seus fãs de longa data é “Te Encontraré”. Uma canção com uma sonoridade old-school e fortes raízes em ritmos sul-americanos. Produzido por Cory Rooney, é um pop latino no seu melhor estado, pois é dançante e muito sensual. A elegante balada mid-tempo “Poquita Fe” leva Thalía de volta para o México, através de gêneros como mariachi e bolero. Sem dúvida, são estilos musicais que funcionam bem com a voz da cantora. Contém arranjos jazzísticos, violão de nylon e trombetas, que dão uma aura muito especial à música. É uma faixa mais intimista, porém, não deixa de ser comercial.

“Enemigos” é um número lento, sensual e uma salsa cheia de contraste. Mais uma vez, Thalía nos mostra mais dos sons latinos que permeiam por todo o álbum. Não é uma música necessariamente ruim, no entanto, possui uma natureza muito semelhante as faixas anteriores. Consequentemente, não oferece nada de diferente ou especial, que faça ficar presa em sua cabeça. O álbum termina com a faixa “Vivir Junto a Ti”, um número clássico da Thalía. Uma balada pop reminiscente dos dois últimos discos da cantora. Essa canção permite que você perceba as belas nuances de sua voz. É uma linda música e uma boa maneira de encerrar o registro. A maioria das faixas do álbum ficaram a cargo de Sergio George, produtor que costuma concentra-se em músicas e arranjos do gênero salsa.

Entretanto, “Latina” é um disco que explora diversos sons latinos, como reggaeton, cumbia, vallenato e bolero. Depois de alguns álbuns onde baladas foram as principais atrações, foi bom ouvir Thalía retornando para algo mais dançante. No papel, o repertório poderia se tornar um desastre, pela grande mistura de gêneros musicais. No entanto, funcionou muito bem e, todas juntas, as canções acabaram criando um bom fluxo. Existe alguns números que não me cativaram por completo, mas isso não tira os seus méritos. A composição geral é um pouco mais consistente que o “Amore Mio” e, no geral, é um álbum sólido e divertido. Thalía merece aplausos por ter tomado tantos riscos criativos neste momento de sua carreira. Mais uma vez, ela provou ser uma artista muito talentosa e confiante.

65

Favorite Tracks: “Desde Esa Noche (feat. Maluma)”, “Todavía Te Quiero (feat. De La Ghetto)”, “Tiki Tiki Ta (Uno Momento)”, “Te Encontraré” e “Vivir Junto a Ti”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.