Resenha: Tegan and Sara – Love You to Death

Lançamento: 03/06/2016
Gênero: Synthpop
Gravadora: Warner Bros.
Produtor: Greg Kurstin.

Tegan and Sara é uma dupla canadense de indie-pop, formada em 1995 em Calgary, Alberta. É composto pelas irmãs gêmeas idênticas Tegan Rain Quin e Sara Keirsten Quin. Em seu catálogo, a dupla já possui oito álbuns de estúdio, incluindo o “Love You to Death”, disco lançado em 03 de junho de 2016. Mesmo trabalhando inicialmente de forma independente, o talento das irmãs não passou despercebido. O nome delas cresceu e chegou aos olhos do público internacional em 2004, com o lançamento do disco “So Jealous”. Mais tarde, quase dez anos depois, com o álbum “Heartthrob”, elas deram um grande salto para o mercado mainstream. Entre uma série de lançamentos, performances ao lado de nomes como Katy Perry e Lady Gaga, e um grande ativismo em prol da comunidade LGBT, Tegan and Sara sabem exatamente o que estão fazendo quando trata-se de música.

Com “Love You to Death” a dupla abraça sem medo a música pop. É um projeto curto, com apenas 31 minutos de duração e 10 faixas no total. Entretanto, é uma coleção de canções incríveis, com um alto valor de produção baseado na música oitentista. “Love You to Death” marca uma continuação na mudança sonora realizada por elas em 2013. Mesmo perseguindo uma estética pop mais mainstream, elas não abandonaram suas raízes. Guitarras foram deixadas um pouco de lado, em favor de teclados e sintetizadores. Com auxílio do produtor Greg Kurstin, elas continuam trabalhando nos mínimos detalhes. Tematicamente, o disco é aberto a comparações com seu antecessor, pois possui uma estrutura semelhante. As canções são centradas em torno de um único tema, mas muito bem colocado. Tegan and Sara são compositoras eficazes e fizeram cada música ter o seu propósito.

O álbum é breve, porém, explora os altos e baixos de um relacionamento. “Love You to Death” mostra que a dupla é capaz de trazer profundidade emocional para um público mais amplo. Como ele celebra o amor em várias formas, pelo menos metade das canções acabaram se saindo bem sentimentais. Os sintetizadores reminiscentes da década de 80 são bem onipresentes e, consequentemente, trazem uma grande carga de nostalgia. Suas melodias e harmonias não mudaram drasticamente durante os anos, mesmo que a produção tenha sofrido alterações. Além disso, Tegan and Sara são uma das poucas artistas a cantar abertamente sobre relações homossexuais. O álbum começa de forma eficiente com “That Girl”, uma canção sobre olhar para si mesmo. Uma faixa mid-tempo que caminha por versos simples, porém, oferece um cintilante refrão.

Tegan and Sara

Sua composição é contemplada por vocais melódicos, forte apoio do piano e uma construção mais lenta. “Faint of Heart” apresenta ganchos mais simples, no entanto, outro refrão forte o suficiente. “Todo mundo vai dizer que é perigoso tomar esse caminho”, elas cantam sobre uma maravilhosa instrumentação eletrônica. É uma canção madura, sobre as dificuldades enfrentadas pelo amor entre duas pessoas. “Love You to Death” mostra Tegan and Sara explorando elementos explícitos a cerca de sua sexualidade. Elas são conhecidas ativistas LGBT e isso é abordado fortemente no primeiro single do álbum. “Você me beija como seu namorado / Você me liga como se quisesse sua melhor amiga / Você me excita como se quisesse o seu namorado / Mas não quero mais ser seu segredo”, elas cantam em “Boyfriend”. Essa canção é sobre convencer uma namorada a reconhecer publicamente que ambas estão juntas.

“Boyfriend” é uma faixa synthpop e new wave muito cativante, acompanhada por um sintetizador poderoso, uma batida suave e fortes palmas. Sua atmosfera e o explosivo refrão são reminiscentes do disco “Heartthrob”. Fazendo uso de uma batida diferenciada, “Dying to Know” aborda um relacionamento do passado. É a primeira canção do repertório que fala sobre uma separação amorosa. É um pouco padronizada, mas utiliza uma batida pesada, melodias bem definidas e ótimos sintetizadores. A dançante “Stop Desire”, quarto single do álbum, começa imediatamente de forma estrondosa. “Hoje à noite, você é combustível para o meu fogo / Você não pode parar o desejo, oh oh oh oh”, é talvez o refrão mais cativante do registro. É uma música cheia de energia e uma das mais otimistas. Aqui, Tegan and Sara utilizam suas vozes em conjunto para harmonizar com perfeição.

“White Knuckles” é um número mais emocional e descontraído que a faixa anterior. Liricamente, é sobre alguns conflitos que Tegan and Sara tiveram nos primeiros anos de sua carreira. Sua letra realmente sugere uma luta e, consequentemente, mostra um lado mais vulnerável da dupla. Os sintetizadores que ecoam através dessa canção são incríveis. Além disso, a melodia é aparentemente mais lenta e os tons vocais mais graves. A balada “100x” é uma canção mais pessoal, que muda completamente o tom do registro. É lenta, apresenta belos vocais e uma instrumentação baseada no piano. É uma balada que nos faz lembrar dos primeiros trabalhos da dupla. Aqui, elas abordam as duras consequências de um relacionamento. Uma reflexão e um pedido de desculpas sobre uma relação que arrastou-se por um longo tempo.

Tegan and Sara

Sombrias teclas de piano estabelecem uma paisagem sonora tensa, pessoal e despojada. Da mesma forma, as elegantes harmonias injetam um profundo sentimento de nostalgia. “Juro que tentei te deixar / Pelo menos um centena de vezes ao dia / Juro que tentei te dizer / Mil vezes, de maneiras diferentes / Preciso sair, sozinha, não quero viver desse jeito”, elas cantam lindamente no refrão. Como já mencionado, Tegan and Sara sempre foram famosas ativistas LGBT. “BWU”, por exemplo, é uma doce canção sobre não precisar casar-se para validar um relacionamento (“Eu te amo / Não preciso de um anel para / Provar que você é digna / Você mexe comigo”). É mais uma cativante canção, a cerca da sexualidade da dupla: “Todas as garotas que eu amei antes / Disseram que queriam algo a mais”. Melodicamente, “BWU” é uma das peças mais elegantes do álbum.

É inflável, reluzente e salta em direção a um estilo de assinatura delas. Embora seja mantida por uma alegre instrumentação, possui um grande senso de maturidade por trás. É encantadora, agradável e merece várias escutas. A maravilhosa “U-Turn”, lançada como segundo single, é uma das minhas favoritas do disco. Em sua letra, as irmãs falam sobre admitir a culpa ao perceber que você está desgastando um relacionamento. Elas abordam a luta necessária, quando se pretende salvar um namoro: “Pedir perdão, te dizer que eu estava errada / Me sentar, deixar meu orgulho de lado / E começar a focar, mudar quem eu tenho sido / Me de um segundo, me deixe dar a volta / Escrever uma música de amor que você mereça”. É uma canção de alta energia, up-tempo, divertida e com um som retrô e convidativo. O seu sintetizador é incrivelmente potente e pesado, um dos melhores de todo o álbum.

O álbum fecha com “Hang On to the Night”, canção que traz as coisas para baixo, após o agito em “U-Turn”. É uma encerramento bem pacífico e calmante, com uma instrumentação excepcionalmente nostálgica. A forma como Tegan and Sara mergulhou em um som mais mainstream e radio-friendly, foi muito bem executada. Ao se aventurar ainda mais nos sintetizadores e alta produção eletropop, a dupla provou que é capaz de mostrar seu talento para o grande público. Sua profundidade lírica não foi perdida em meio aos sintetizadores e ao todo “Love You to Death” é muito polido, cativante e divertido. Os maravilhosos sintetizadores foram, sem dúvida, os grandes responsáveis pela mudança sonora. Por fim, esse álbum acabou se saindo muito mais coeso que o esperado. Além disso, foi um grande indicativo do crescimento e amadurecimento sonoro da dupla.

75

Favorite Tracks: “Boyfriend”, “Stop Desire”, “100x”, “BWU” e “U-Turn”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.